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O dérbi do Minho não defraudou as expetativas, traduzindo-se num jogo espetacular, com um empate a três golos no final. O resultado ajusta-se ao que ambas as equipas fizeram em campo, num duelo que pôs frente a frente dois dos melhores treinadores do nosso campeonato: Paulo Fonseca e Sérgio Conceição. É por jogos como este que eu sou um espetador assíduo dos confrontos estas duas equipas.

Enquanto Paulo Fonseca fez algumas mudanças em relação à equipa-tipo do Braga, deixando jogadores como Luiz Carlos, Rafa ou Alan no banco, Conceição montou um Vitória à sua imagem, aguerrido e com Otávio a pegar na batuta e a fabricar o jogo ofensivo da equipa. Contudo, o início foi negro para os vimaranenses.

Aos 20 minutos, a equipa da casa já vencia por 2-0, tendo marcado nos dois primeiros ataques perigosos que fez à baliza de Miguel Silva. Em ambos os golos, dois cruzamentos milimétricos de Josué para o segundo poste, onde apareceram soltos de marcação Pedro Santos, no primeiro, e Rui Fonte no segundo, a rematarem sem hipóteses para o desamparado guardião da equipa visitante. Destaque para a qualidade das assistências de Josué e para todo o setor defensivo dos Conquistadores, que tremeu como varas verdes nos lances dos golos, algo que o Sporting terá de explorar no duelo da próxima semana. Porém, como já referi acima, o Braga marcou nos dois primeiros ataques que desenhou com qualidade. O jogo estava equilibrado, e Sérgio Conceição, com a garra que o caracteriza, berrou para a equipa e conseguiu que os seus atletas chegassem ao empate ainda na primeira metade. Em ambos os tentos, emergiu o talento e o génio de Otávio. Se no primeiro golo driblou quatro adversários, antes de cruzar atrasado para o golo de Licá, no segundo teve a frieza de pôr gelo num contra-ataque da sua equipa, ficou olhos nos olhos com Pedro Santos, foi à linha e cruzou para uma cabeçada letal de Henrique Dourado. Pouco depois chegou, infelizmente, o intervalo que terminou com 45 minutos dos melhores que já vimos em Portugal esta época. Otávio e Josué puxaram da bandeja e Özil deve ter ficado orgulhoso destes dois jogadores, caso tenha visto este jogo a partir de Londres.

Otávio esteve em todos os golos do Vitória nesta partida. Fonte: Vitória Sport Clube
Otávio esteve em todos os golos do Vitória nesta partida.
Fonte: Vitória Sport Clube

A segunda metade começou com duas grandes defesas de Miguel Silva e Marafona, antes do Braga chegar ao 3-2, quando estavam decorridos 56 minutos. Após um mau alívio do jovem guarda redes vitoriano, Hassan aproveitou um ressalto na pequena área para recolocar a sua equipa na frente do marcador. No minuto seguinte, porém, veio a mancha da arbitragem neste jogo. Numa jornada marcada por mergulhos premiados, tivemos mais um no Minho. Otávio estava a ultrapassar André Pinto, quando se deve ter lembrado do mergulho de Jonas e fez o mesmo. Atirou-se para o relvado e viu o árbitro assinalar penálti, com a agravante de ter mostrado o cartão vermelho, injustamente, ao central e capitão dos arsenalistas. Foi a segunda arbitragem com influência no resultado de Fábio Veríssimo em Braga durante esta temporada, depois do encontro da Taça de Portugal em que os bracarenses eliminaram o Sporting.

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Otávio concretizou a grande penalidade e esperava-se que o Vitória carregasse em cima do Braga, em busca do quarto golo, mas nunca foi suficientemente capaz de criar uma jogada com cabeça, tronco e membros que alvejasse a baliza de Marafona legalmente. E digo “legalmente” porque Bouba Saré fez hoje um “hat-trick” de golos anulados, todos bem anulados por fora de jogo do médio defensivo nestes lances.

Até ao fim, S.Conceição introduziu Hurtado e Victor Andrade em campo, com a expetativa de mexer com o jogo, mas nenhum destes elementos teve a lucidez necessária para ter influência no desenrolar da partida.

Foi um grande jogo em Braga, que deixa em aberto dois grandes confrontos a envolver estas equipas nas próximas semanas: o Vitória de Guimarães recebe o Sporting na próxima segunda feira, enquanto o Sporting de Braga recebe o FC Porto dentro de duas semanas, na mesma data do Sporting-Benfica. Temos campeonato!

A Figura:

Otávio – Jogaço do jovem médio brasileiro, emprestado pelo FC Porto ao Vit. Guimarães. Duas assistências após jogadas fenomenais na primeira parte, e frieza no penálti que redundou no 3-3. O único aspeto negativo da sua exibição foi o mergulho que enganou o árbitro no lance da grande penalidade.

O Fora de Jogo:

Equipa de arbitragem – O jogo estava a correr bem até ao minuto 57, em que Otávio mergulhou e ganhou um penálti. Se Fábio Veríssimo esteve mal ao assinalar, pior ainda esteve o seu assistente que estava a poucos metros do lance, sem ninguém a tapar a sua visão, e não conseguiu ver um lance tão descarado. Devido ao erro, surgiu um golo e uma expulsão.