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Quem merecia, afinal, receber o passaporte para o primeiro escalão do futebol português? A “one million dollar question” era tão difícil de responder que podia estar aqui dias e dias a tentar argumentar as minhas escolhas e as minhas indecisões, antes do término desta edição da Segunda Liga.
Este artigo deu-me um gozo especial porque desafia claramente a nossa mente a pensar quem devemos incluir e porquê, já que a qualidade é um critério que é geral a muitos dos intérpretes da Segunda Liga. Tentei basear as minhas escolhas em critérios como a produtividade e o contexto, porque acredito que podem fundamentar melhor a minha criteriosa seleção. Com base na minha opinião pessoal, esta é a “manita” de jogadores que estariam presentes no primeiro escalão.
5. João Carlos
Já não tens desculpas para não veres o hat-trick do João Carlos no jogo da Académica frente ao Covilhã. 📺🌁#TuCoimbra pic.twitter.com/44g3OJZz2q
— Académica / OAF (@academicaoaf) December 1, 2021
Começo pela escolha mais óbvia, mas que, para mim, faz mais sentido. A Académica OAF falhou redondamente o tão aguardado regresso à Primeira Liga do futebol português, um falhanço tão assinalável que acabou até por empurrar os “estudantes” para uma descida de divisão até ao terceiro escalão.
Em Coimbra, onde estudei e passei uma boa parte da minha vida, vivem-se tempos delicados e sem melhorias à vista, com a consequente demissão da atual direção e sem um único candidato a ir a votos nas urnas da “Briosa”. No entanto, nem tudo foi mau a nível individual. Que o diga João Carlos, que se sagrou o melhor marcador da Segunda Liga, com 17 “tiros certeiros”.
Emprestado pelo Estoril-Praia SAD, o “bomber” brasileiro é, claramente, um dos grandes destaques do seu campeonato. Rápido, fortíssimo na disputa de duelos, de remate fácil e um perigo a jogar de costas e em apoios. Aos 27 anos, merece certamente dar o grande salto na sua carreira, podendo ser uma coqueluche para muitas equipas da Primeira Liga.
Considero o artilheiro brasileiro muito semelhante a Haris Seferovic no seu “prime” porque reúne muitas das características que me fascinam no internacional helvético do SL Benfica.
4. Bruno Almeida
• Bruno Almeida
( Trofense )• 25 anos / 1,72 / Nac: 🇵🇹
Pé preferido: Esquerdo• Posição principal: Ponta direita
• Posição secundária: Meia ofensivo, ponta esquerda• Contrato: 30/06/2022
• Principais qualidades:
– Condução de bola rápida rente ao pé
– Dribles pic.twitter.com/v4s44uFzlf— Talentos Escondidos (@TalentosEscond4) January 21, 2022
Na Trofa vive atualmente um dos jogadores mais produtivos desta edição da Segunda Liga. Aos 25 anos, e com passagens anteriores por FC Paços de Ferreira e Estoril-Praia SAD, o camisola ’10’ é a grande vedeta da equipa comandada por Sérgio Machado.
O extremo canhoto ocupa habitualmente a faixa esquerda do ataque do CD Trofense, sendo que contribuiu com dez golos e cinco assistências, números mais que interessantes para suscitar o interesse de outros clubes nos seus préstimos.
A sua principal arma é o pé esquerdo, visto que é fortíssimo nas bolas paradas e também nos ditos remates “do meio da rua”, para além de ser um exímio assistente para os seus colegas até à linha de cabeceira. É um jogador que gosta muito de aparecer em zonas de finalização e que o faz muito bem. O dado mais curioso em relação a Bruno Almeida é o facto de ter apenas mais um ano de contrato com a equipa da Trofa, fator que pode facilitar uma possível mudança de ares na sua carreira.
3. Jota Silva

O jogador que apresento de seguida dá pelo nome de João Pedro Ferreira Silva ou, no nosso mundo, simplesmente Jota Silva. Natural de Gondomar, o “Jack Grealish” de Pina Manique nasceu para o futebol no Sousense. Aos 22 anos, o menino brilha em Lisboa, numa das equipas sensação da prova, o Casa Pia AC.
Avançado de raiz, tem sido mais utilizado, na minha ótica, como um falso extremo a quem é dada liberdade para aparecer quer na faixa contrária, quer no miolo do terreno, a gerir e a pegar no jogo da sua equipa. Jogador rápido na antecipação aos adversários, de sangue quente ao longo dos 90 minutos e de técnica refinada, assim é Jota.
Esta época é a melhor da sua carreira até ao momento, com nove golos e três assistências na Segunda Liga. Tal como Bruno Almeida, pode tornar-se um alvo ainda mais apetecível, fruto de ter apenas mais um ano no seu contrato. Que passos dará Jota?
2. Tiago Gouveia
25 jogos, 10 golos e 3 assistências. São estes os números do jovem português que fazem dele uma das revelações da 2ª Liga.
Forte fisicamente, rápido e forte no 1 vs 1, Tiago Gouveia está a realizar uma grande temporada ao serviço da equipa B dos encarnados (+) pic.twitter.com/0D6wxHlv0q— Martinho 🔟 (@martinhont28) May 4, 2022
Este será, possivelmente, o jogador com mais “cartel” deste artigo. Muito se tem falado no Seixal e na fábrica de talentos da “era Rui Costa”. Tiago Gouveia é um diamante em bruto, que tem aperfeiçoado o seu jogo e a sua maturidade na melhor escola para qualquer jogador jovem se desenvolver. uma equipa ‘B’.
Este processo é muitas vezes discutido, se os clubes devem ou não manter os seus prodígios “amarrados” a uma realidade secundária. Mas veja-se os exemplos de Lindelof, de André Silva ou mais recentemente de Diogo Costa. A meu ver, a realidade de uma equipa B é a principal antecâmara que um jogador deve de viver antes de ser “atirado aos lobos”. O jovem tem aproveitado a sua oportunidade com golos e assistências, mas principalmente com a irreverência que faz falta numa realidade em que, atualmente, ainda não existe. Espero que Roger Schmidt seja um bom ourives para cuidar desta preciosa jóia.
1. Gonçalo Borges
Este não engana, é craque. Drible desconcertante, finta rápida e uma condução de bola fantástica de alguém que saber usar e abusar de ambos os pés.
Sinceramente, acho difícil a missão de Gonçalo na equipa principal do FC Porto, devido ao facto de existirem bastantes opções para as faixas atacantes, mas também devido ao modelo de jogo de Sérgio Conceição e daquilo que o treinador pretende extrair de cada jogador.
Este miúdo é um virtuoso com a bola nos pés, talvez à semelhança de Ricardo Quaresma, porque também o “Harry Potter” era rápido, ambidestro e de finta fácil.
Prevejo um grande futuro para Gonçalo, seja no FC Porto ou noutras paragens, mas creio que seria uma contratação estrela para muitas equipas da primeira liga, que iriam ganhar um jogador destemido, sem medo dos duelos e de partir para cima do adversário.
Artigo da opinião de Bernardo Santos.









