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Académica OAF 0-0 UD Vilafranquense: “Briosa” cede na luta pela subida

Francisco Grácio Martins · 5 min

Académica x Vilafranquense
Foto: Bola na Rede

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A CRÓNICA: JOGAR, CRIAR, FALHAR

A fase não era boa para nenhuma das equipas. A Académica OAF já vinha vacilando no que toca à luta pela promoção à Primeira Liga e voltou a fazê-lo. A UD Vilafranquense queria levantar-se, mesmo carregando às costas o peso de 13 jogos sem vencer, e tão pouco podia facilitar na fuga aos lugares de despromoção.

O Estádio Cidade de Coimbra viu duas equipas pisarem o relvado sedentas por vitórias. Os minutos iniciais assim o mostraram. O jogo começou vivo e, apesar da Briosa dominar, estava a ser fácil para os ribatejanos criarem situações de potencial perigo que acabaram resolvidas pelos centrais da equipa da casa.

A primeira situação em que as redes estiveram perto de abanar teve como protagonista Rafael Furtado que, em excelente posição e após categórico passe de Fabinho, não conseguiu sequer acertar devidamente na bola.

O método utilizado pelas equipas para se fazerem sentir ofensivamente era bem diferente. Os estudantes concentraram no critério de Fabinho grande parte das melhores jogadas atacantes. As piranhas do Tejo viviam da forte e inteligente movimentação de André Claro na frente de ataque.

Antes da primeira parte se esgotar, a Vilafranquense, que perdeu André Dias por lesão, teve tudo para surpreender e colocar-se em vantagem. Vítor Bruno, só com Mika pela frente, mas com a bola a saltitar, não conseguiu concretizar.

A segunda parte não poderia ter começado de forma mais insólita. Gonçalo Santos quase fazia um grande golo de chapéu… na própria baliza. Seria a luz verde para o acentuar do domínio da equipa de Coimbra que voltou a desperdiçar nova oportunidade, desta feita primeiro por Mayambela e, depois, por intermédio de Sanca.

O assédio da Académica à baliza de Maringá continuou, mas reinava o espírito perdulário. Mesmo ao cair do pano, o guarda-redes brasileiro fez uma defesa extraordinária a remate de Diogo Pereira mantendo o 0-0 com que o jogou terminou.

Com este empate, a Académica permanece em terceiro com os mesmos pontos do segundo classificado Feirense, o que acaba por ser curto dada a possibilidade de assumir o último lugar de subida direta. A Vilafranquense arranca um ponto importante para a sua luta pela manutenção frente a um adversário com outros objetivos.

 

A FIGURA

André Claro – Esteve em todos os melhores lances do Vilafranquense. Não é um “9” tradicional e mexe-se com propriedade entre os espaços da defesa, o que baralhou o setor recuado da Briosa.

 

O FORA DE JOGO

Léo Cordeiro e Diogo Pinto – Os dois médios interiores sofreram com a forma de jogar da equipa. A Vilafranquense canalizou muito do seu jogo para os corredores laterais e estes dois elementos, em vez de funcionarem como fio condutor, viram o jogo passar-lhes ao lado e por cima.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Com a ausência de João Mário, ao serviço da seleção da Guiné-Bissau, e com o regresso, talvez apressado pelas circunstâncias, de Bouldini após lesão, existia a curiosidade de perceber quem seria a referência ofensiva do ataque da Académica e, como tal, quais seriam as suas características. Bouldini acabou por se sentar no banco, tendo Rui Borges apostado em Rafael Furtado, um ponta de lança de grande combatividade e capaz de desgastar os defesas adversários.

Estruturalmente, a equipa partia do 4-2-3-1 para daí imprimir dinâmicas que facilmente desmontavam esta lógica. Neste sentido, o papel de Guima foi preponderante, ocupando vários espaços no terreno mediante o local onde sentia que poderia encontrar espaço para receber a bola, que tanto podia ser lado a lado com Ricardo Dias, médio mais recuado, quer entre linhas, ou através de movimentos de rotura, conferindo dinâmica ao sistema. Em organização defensiva, a equipa baseou-se no 4-4-2 com Guima a juntar-se declaradamente a Ricardo Dias e Fabinho, médio mais adiantado da equipa a juntar-se a Rafael Furtado. Para evitar a saída de jogo através do pontapé de baliza do Vilafranquense, os estudantes construíram uma marcação zonal em 4-1-3-2, o que limitou as soluções de jogo curto dos visitantes.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Fabiano (5)

Rafael Vieira (6)

Silvério (6)

Fábio Vianna (5)

Ricardo Dias (6)

Guima (6)

Fabinho (6)

Leandro Sanca (6)

Mayambela (5)

Rafael Furtado (5)

SUBS UTILIZADOS

Traquina (4)

Bouldini (5)

Diogo Pereira (-)

Dani Costa (-)

ANÁLISE TÁTICA – UD VILAFRANQUENSE

O Vilafranquense apresentou um onze conservador. Carlos Pinto optou por fechar a sete chaves o corredor esquerdo com a inclusão de Vítor Bruno, defesa de raiz, como extremo no lado canhoto. O jogador português, mediante o adiantamento de Fabiano, o lateral contrário, compunha uma linha de cinco defesas. No centro do terreno, Jefferson apresentou-se como o médio mais defensivo, ajudando bastante os seus centrais, Diogo Coelho e Gonçalo Santos, e libertando os médios interiores, Diogo Pinto e Léo Cordeiro. Jefferson juntou-se aos centrais na primeira fase de construção para garantir superioridade na saída de jogo, ainda que a equipa não tenha arriscado muito neste capítulo. Assim, a equipa apareceu num 4-3-3 em fase ofensiva que se camuflava de 4-1-4-1 ou 5-3-1 em fase defensiva.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Maringá (7)

Marcos Vinícius (6)

Diogo Coelho (5)

Gonçalo Santos (5)

Eric Veiga (5)

Jefferson (7)

Léo Cordeiro (5)

Diogo Pinto (5)

André Dias (4)

Vítor Bruno (6)

André Claro (7)

SUBS UTILIZADOS

Vitinho (6)

Rúben Gonçalves (6)

Yanis Mbombo (-)

Rodrigo Rodrigues (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA OAF

Bola na Rede:  Os ajustes defensivos que operou na segunda parte ajudaram a potenciar a equipa ofensivamente. O que pediu aos jogadores?

Rui Borges: Pedi que estivessem mais vivos na transição defensiva e na reação à perda da bola. Depois, pedi mais clareza nas decisões para encontramos o espaço que existia à largura. O espaço estava preferencialmente por fora e sabíamos que ia ser um jogo muito de cruzamentos. Tivemos várias situações de finalização e não conseguimos fazer golo.

 

UD VILAFRANQUENSE

Bola na Rede: Por que é que optou pela inclusão de Vítor Bruno, normalmente defesa-esquerdo, no 11 inicial para jogar como extremo? Alguma questão relacionada com o controlo da largura?

Carlos Pinto:  A base do futebol ofensivo da Académica é o Fabiano. O Fabiano hoje esteve apagado, porque o Vítor o tapou muito bem. Apesar disso, é um miúdo com potencial e que vai jogar na Primeira Liga.

Francisco Grácio Martins

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