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Académica OAF 1-0 CD Mafra: Bouldini mantém tudo sobre rodas

Francisco Grácio Martins · 5 min

Académica OAF CD Mafra
Foto: Bola na Rede

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A CRÓNICA: DESATAR O NÓ CEGO COM UM GOLO BEM VISTOSO

A vida é pródiga em exemplos de que entre o ser e o parecer há uma grande diferença. Académica OAF e CD Mafra são dois pseudocandidatos à subida. Não o assumem, mas, na prática, estão envolvidos nessa luta. Esse era um condimento mais do que suficiente para um jogo abrilhantado pela categoria de duas das melhores equipas deste campeonato.

Se nas ambições são parecidas, no estilo, as equipas são bem diferentes. A Académica num estilo mais equilibrado e vertical enfrentava um Mafra que privilegia a posse de bola, indo em busca, pacientemente dos espaços na estrutura defensiva adversária. Era pelo controlo do corredor central que as equipas lutavam, com os médios de ambas as formações bem apetrechados para essa missão. A Briosa tem por princípio ser bastante coesa nessa zona do terreno, mas a equipa visitante tem capacidade de criar desequilíbrios no miolo. Estava aí a chave do jogo.

A primeira parte jogou-se a bom ritmo. O Mafra demonstrou uma boa capacidade de agitar a partida, mas não conseguiu aproveitar algumas brechas que criou nos primeiros cerca de 20 minutos. A partir daí, houve um equilíbrio de forças. As balizas não foram muito ameaçadas até ao intervalo.

Para o segundo tempo, pedia-se um trunfo lançado pelos treinadores desde o banco. Não aconteceu. O fator X do jogo acabou por não ser um jogador, mas um momento. Na ressaca de um livre, Bouldini, o melhor marcador do campeonato, montou a sua bicicleta e levou toda a equipa da Académica rumo à vantagem. A partir daqui muito mudou.

O jogo ganhou outro ritmo e perdeu-se a organização que o tinha estagnado. No minuto seguinte, Fabinho teve a baliza escancarada para aumentar a vantagem. Miguel Lourenço cortou em cima da linha. O Mafra respondeu com um belo remate de Kaká que quase fazia um golo extraordinário. Os mafrenses tremiam nesta fase e voltaram a consentir nova oportunidade à Briosa. Carlos Henriques protagonizou uma defesa difícil perante um remate de Guima. A cinco minutos do fim, Sanca, que assinalou uma bela exibição, não conseguiu sentenciar o jogo só com o guarda-redes do Mafra pela frente.

O 1-0 não sofreria alterações até ao final, pelo que a Académica levou os três pontos e consolidou a segunda posição.

 

A FIGURA

Sanca – mereceu a aposta. A sua irreverência permitiu-lhe pensar diferente de todos os outros, quase sempre de uma forma mais alegre do que o fluxo do jogo faria prever. Pecou por não ter feito o golo que merecia e que traria mais tranquilidade aos estudantes.

O FORA DE JOGO

Andrézinho – a equipa não procurou os corredores laterais e foi encostado ao lado esquerdo que estabeleceu o seu posto de residência. Sofreu em virtude das preferências da equipa. Não conseguiu combinar com o seu lateral, nem causar problemas a Mike.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Rui Borges manteve a aposta em Mike no lado direito da defesa da Académica. No eixo defensivo, Bruno Teles manteve-se como central, abrindo espaço, como tem sido habitual nos últimos jogos, para Fábio Vianna alinhar como defesa-esquerdo. Na frente de ataque, Sanca viu o bom jogo que fez em Arouca ser premiado com nova titularidade, mantendo o seu lugar como extremo.

Com estas peças, Rui Borges montou o seu puzzle num 4-2-3-1 que se desdobrava num 4-4-2 no momento de organização defensiva. No meio-campo, Ricardo Dias e Guima formaram uma dupla sólida e que dificultou muito o desenvolvimento do jogo ofensivo do Mafra no corredor central. Guima não se mostrou tão disponível para se desdobrar em apoio ao ataque, nomeadamente com movimentos centro-direita, evitando deixar o miolo despovoado.

Fabinho concentrou em si uma dupla função de defender ao lado de Bouldini, formando a primeira linha do bloco da Académica, e de ser o médio de criação no momento ofensivo com pretensões de ser efetivo entre as linhas do adversário. O camisola 27 da Briosa caiu tendencialmente mais sobre o flanco esquerdo, mas não de forma excessiva para não arrastar marcações e permitir a Sanca desenvolver o seu jogo de drible e velocidade.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Rafael Vieira (7)

Bruno Teles (6)

Fábio Vianna (5)

Ricardo Dias (6)

Guima (5)

Fabinho (5)

Traquina (6)

Leandro Sanca (7)

Bouldini (6)

SUBS UTILIZADOS

Diogo Pereira (-)

Rafael Furtado (-)

João Mário (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

Filipe Cândido montou a sua equipa num 4-3-3. Destaque para o meio-campo que ficou a cargo de Cuca, elemento mais recuado, João Graça e Ismael. Nas alas, Lee e Andrézinho e, como homem mais adiantado, Okitokandjo.  A defender, 4-1-4-1 foi a estrutura preferencial.

A equipa desenvolveu o seu jogo com um requintado futebol de posse, imprimindo velocidade através da circulação. Não abdicaram de sair a jogar desde trás, o que, por vezes, causou alguns sobressaltos aos mafrenses. Nota para a ausência de procura de combinações pelos corredores laterais, penalizando a equipa ao nível da imprevisibilidade.

Lee foi o elemento mais dinâmico da equipa, partindo da direita, mas causando grandes problemas no momento de fletir para dentro. Nisso diferenciou-se de Andrézinho que andou bem perto da linha lateral.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Carlos Henriques (7)

Nuno Campos (5)

João Miguel (5)

Miguel Lourenço (6)

Bruno Silva (5)

Cuca (5)

João Graça (5)

Ismael (5)

Lee Gwang-in (7)

Andrézinho (4)

Stevy Okitokandjo (5)

SUBS UTILIZADOS

Kaká (5)

Rodrigo Martins (4)

Gustavo Moura (5)

Carlos Daniel (4)

Fidelis (4)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA OAF

BnR: Por onde é que a Académica podia explorar os pontos fracos do Mafra e desbloquear o jogo?

Rui Borges: Estou muito mais preocupado com aquilo que a minha equipa pode fazer. Temos que saber escolher o momento em que o adversário nos dá espaço e depois são os jogadores que decidem. Espaço interior era difícil. Falhámos muitos passes e sofremos com transições, mas conseguimos resolver. Eles foram melhores na reação às segundas bolas, mas, na segunda parte, fomos superiores.

CD MAFRA

BnR: O CD Mafra pecou por insistir demasiado no corredor central?

Filipe Cândido: Não, tínhamos presente que íamos defrontar uma equipa que arrisca pouco.  Eles mantêm sempre ali uma linha de quatro ou cinco jogadores. Quem poderia desbloquear o jogo não eram tanto os médios, mas eram os nossos laterais com a variação do centro do jogo. O golo obrigou-nos a ser mais arrojados.

Francisco Grácio Martins

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