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Coimbra teve um doce despertar. A sua Académica voltou a ganhar para o campeonato cinco jogos depois, assinando uma das melhores exibições da temporada as custas de um Benfica B bastante macio.
A Briosa entrou disposta a terminar o jejum de vitórias no campeonato, dispondo de duas boas ocasiões no quarto-de-hora inicial. Primeiro por intermédio de Leandro, que, isolado por Ricardo Dias, atirou ao lado da baliza de Svilar e, depois, numa iniciativa individual de Mauro Cerqueira, que não fez melhor que o seu companheiro após invadir o lado direito da defesa encarnada.
Essa foi, de facto, a via de acesso preferencial da Académica em busca da felicidade, usando o balanceamento ofensivo do seu lateral esquerdo como ponto de partida para desnortear o adversário, já que Ki partia da esquerda para o meio e aumentava o leque de opções em zona de finalização.
O Benfica tentava sacudir a pressão, mas a impetuosidade do meio-campo da Briosa (Ricardo Dias e Leandro Silva estiveram irrepreensíveis na recuperação de bola) impedia qualquer tipo de veleidade aos encarnados e o campo inclinava-se para a baliza de Svilar.
Foi neste contexto que Leandro (remate de longe), Mike (num vistoso remate de calcanhar) e Osei (num remate que embateu no poste e voltou a Svilar) voltaram a ameaçar um golo que, sentia-se, era uma questão de tempo até aparecer.
Chegou aos 38 minutos. Na sequência de um canto batido por Leandro Silva, surge um desvio ao primeiro poste e Silvério aparece, sem marcação, a inaugurar o marcador.
Até ao final do primeiro tempo, o Benfica conseguiu esboçar uma reação, através de Pedro Henrique, mas o remate saiu prensado e o resultado manteve-se até ao intervalo.

Fonte: Bola na Rede
Ao intervalo, Renato Paiva tentou agitar as coisas no ataque, fazendo entrar Gonçalo Ramos e Umaro Embaló para os lugares de Pedro Henrique e Rodrigo Conceição, respectivamente.
A intenção seria, eventualmente, dar frescura ao ataque, mas a pressão ofensiva da Académica impediu que a bola lhes chegasse em condições e pertenceram À Briosa as melhores ocasiões de perigo no início da segunda parte – Leandro, por duas vezes, cheirou o golo, mas Svilar estava atento.
O Benfica precisava de um elo de ligação entre o meio-campo e o ataque. Renato Paiva chamou Tiago Dantas e o miúdo pareceu mudar o jogo dos encarnados para melhor. Os encarnados conseguiram ter mais bola no meio-campo contrário e até dispuseram de uma boa ocasião para empatar. David Tavares, porém, atirou muito por cima.
Essa, porém foi a única situação de real perigo criada pelos encarnados até final do encontro e a verdade é que deu sempre a sensação de estar a Académica mais perto do 2-0 (Leandro e João Mendes dispuseram de boas ocasiões) do que o Benfica do 1-1.
O resultado final peca, portanto, por escasso dado o volume de jogo criado pelos estudantes que ainda perderam o seu treinador, expulso a cinco minutos do final.
Depois de algumas dúvidas relativamente à sua qualidade, a Académica aproveitou o dia de reflexão para as desfeitar.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Académica OAF: Mika, Mike, Silvério, Zé Castro, Mauro Cerqueira; Ricardo Dias, Leandro, Ki (Traquina 77’), Barnes Osei; João Mendes (Pedro Pinto 90’) e Lacerda (Romário 71’).
SL Benfica B: Svilar, João Ferreira, Morato, Kalaica, Frimpong; Vukotic (Tiago Dantas 69’), Mendes, David Tavares; Conceição (Embaló 46’), Nuno Santos e Pedro Henrique (Gonçalo Ramos 46’).
FIGURA

Leandro Silva – Tanto a recuperar a bola em zonas adiantadas como a armar jogo a partir de trás, foi o motor da Briosa numa das melhores exibições dos estudantes esta época.
Posicionalmente esteve irrepreensível e formou com Ricardo Dias uma dupla que não permitiu que o Benfica subisse no terreno, sossegando a irreverencia do meio-campo encarnado.
FORA DE JOGO

João Ferreira – O lado direito da defesa do Benfica foi por onde a Académica mais criou perigo e isso deve-se muito ao desacerto do jogador que esteve perto de rumar a Juventus no verão.
A inspiração de Cerqueira, muito balanceado para a frente, não facilitou a tarefa do lateral benfiquista, é certo, mas o espaço que este concedeu também contribuiu para boa exibição do ex-Nacional.
CONFERÊNCIA BnR
SL Benfica B
Pergunta BnR: Depois de uma primeira parte dominada pela Académica, o Renato mudou duas peças ao intervalo. O que é que foi pedido ao Gonçalo Ramos e ao Úmaro Embaló – e, mais tarde, ao Tiago Dantas – e o que falhou para que o que foi pedido não fosse concretizado?
Renato Paiva: A questão do Rodrigo e do Pedro [jogadores que deram lugar a Embaló e Gonçalo Ramos] foi posicional. O Pedro estava fora das zonas que nós queríamos. (…) Ainda para mais, tinha um amarelo, completamente desnecessário. (…) O Rodrigo (…) foi trocado por questões técnicas (…) O Dantas, discordo de si, deu alguma coisa à equipa, deu critério, mas foi numa fase em que a Académica tinha descido as linhas. (…) E o Gonçalo deu-nos algo que o Pedro Henrique não nos estava a dar (…). Começámos a agredir o último terço da Académica.
OUTRAS DECLARAÇÕES:
“Defensiva e ofensivamente, fomos pouco hoje”.
“Em termos defensivos, a equipa ficou longa”.
“A ideia da Académica é boa, é elaborada. É uma equipa que quer jogar”.
“Os jogadores ainda tem vícios dos escalões de formação”.
“Tivemos, hoje, quatro ou cinco lances em que um jogador da Académica passou por três, quatro, 5 jogadores nossos”.
“Não temos jogadores com experiência de 2.ª Liga. Mas é uma escolha do clube, é uma mudança de ciclo”.
“O crescimento tem de ser evidente. E se não for com estes jogadores, é com outros”.
“Não vamos exigir a estes jogadores mundos e fundos. Mas tenho que lhes pedir agressividade, intensidade”.
“Lá para o final, vamos ver onde está esta equipa. Onde está e, mais importante, como está”.
Académica OAF
O BnR não teve direito a pergunta ao treinador César Peixoto.
OUTRAS DECLARAÇÕES:
“Foi um jogo completo. Parabéns aos jogadores”.
“Obrigado ao Renato. Mesmo a perder, pediu aos seus jogadores que devolvessem a bola à Académica”.
“Fui expulso porque pedi fora-de-jogo. Pedi fora-de-jogo duas, três vezes e fui expulso”.
“Acho que a paragem vai ser benéfica, até porque podemos recuperar jogadores”.
“Hoje lançámos mais um miúdo da formação”.
“Os laterais sobem à vez. Antes, só subia o lateral esquerdo”.
“Queríamos ter sempre três jogadores na zona de finalização, no mínimo”.
“Todos os jogadores são importantes. Os jogadores sabem que têm oportunidades”.
Rescaldo com opinião da autoria de Márcio Francisco Paiva e Pedro Machado
Foto de Capa: Liga Portugal










