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A Académica parece gostar de se levantar cedo. Ao segundo jogo disputado de manhã esta época, a segunda vitória, numa partida recheada daquilo que é suposto ser a génese do desporto-rei – golos e emoção.
Apesar da hora madrugadora do início do encontro, nenhuma das equipas entrou a dormir e aos sete minutos já havia golos para ambos os lados. João Real adiantou os estudantes depois de desviar, ao segundo poste, um cabeceamento de Yuri Matias. Logo depois, Christian Ponde, na conversão de uma grande penalidade “ganha” por Rafael Barbosa, igualou a partida.
O espaço cedido pelo meio-campo leonino (bastante despovoado), bem explorado pela Académica, era compensado pelo virtuosismo da sua linha ofensiva (Jovane e Papel nas alas e Dala e Ponde no meio iam conferindo dinâmica ao ataque) e o jogo ganhava, por isso, requintes de irreverência que animaram o público do Estádio Cidade de Coimbra, com destaque para os lances protagonizados por Harramiz, para a Académica (espetacular disparo de primeira a obrigar Pedro Silva a grande defesa) e Ary Papel, para o Sporting CP B (fuga pela direita, a deixar Gelson Dala na cara do golo).
A bola namorava a baliza, mas faltava consumar-se a relação com o golo. Com o passar dos minutos, julgava-se que a primeira parte se ia despedir com um beijo em cada uma das balizas, mas Ricardo Dias fez questão de “roubar” outro e, de cabeça, correspondendo a livre bem batido por Nélson Pedroso, deu vantagem à Briosa na ida para os balneários.
A segunda parte começou … de forma ainda mais intensa que a primeira! Muita vontade, muita vertigem… e muitos golos. Foram três em apenas dez minutos! Ponde, serivdo por Bruno Paz, bisou e igualou o marcador, mas a resposta da Briosa não se fez esperar e apenas cinco minutos depois do golo leonino, os estudantes já estavam em vantagem por dois golos de diferença. Ricardo Dias na sequência de um canto, bisou e devolveu a vantagem à Briosa; Nélson Pedroso, de livre direto, aumentou-a.
Em vantagem, a Académica sossegou o jogo e passou a atacar com menos intensidade, controloando o encontro no meio-campo contrário. O Sporting CP B, inferiorizado no centro do terreno, não se conseguia soltar e foi a Académica quem mais perto esteve de aumentar o marcador – Zé Tiago (entrado para o lugar de Ki), por duas vezes, apareceu em boa posição, mas não conseguiu desfeitar Silva – até final da partida.
O Sportingp CP B pagou caro o facto de se apresentar em Coimbra, frente a uma Académica cada vez mais oleada a nível ofensivo (sobretudo nas bolas paradas), com um meio-campo sem uma referência defensiva. Aproveitou a Briosa para somar mais três pontos e alimentar o sonho da subida.
A FIGURA

Ricardo Dias (Académica) – Bisou na partida, devolvendo a liderança à Académica em duas ocasiões (2-1 e 3-2) e aliou os golos ao controlo do meio-campo, auxiliando na pressão à saída de bola do Sporting e a construção ofensiva da Académica, que se revelou fulcral para a conquista dos três pontos.
FORA-DE-JOGO

Pedro Silva (Sporting CP B) – O guarda-redes leonino, que substituiu o habitual titular Stojkovic, sofreu quatro golos e tem responsabilidades em dois. No primeiro devia ter sido mais agressivo a abordar um lance na sua zona de jurisdição (pequena-àrea), no terceiro, quase que ofereceu a recarga a Ricardo Dias.
Ninguém duvida do seu talento, mas hoje… demorou a acordar.
CONFERÊNCIA BnR
Luís Martins, treinador do Sporting CP B
«Tivemos alguns problemas no processo defensivo, o que da algumas indicações sobre o que vamos trabalhar nas próximas semanas»
«O carácter, o empenho no processo ofensivo esteve lá»
«A Académica ganhou bem, os árbitros estiveram bem»
«Temos uma boa margem de progressão»
Ivo Vieira, treinador da Académica OAF
«Proporcionamos um bom espectáculo. Julgo que quem veio ficou satisfeito, vai para casa contente porque viu golos. O nosso futebol [português] está um pouco pobre a esse nível»
«Em termos defensivos não temos estado tão fortes. Fomos um pouco passivos defensivamente. No segundo golo isso foi evidente»
«Uma palavra de apreço a nossa claque, que acreditam naquilo que podemos fazer»
«Não faz parte do meu dicionário jogar de encolhido seja contra quem for. E se vou praticar um futebol de ataque, tenho de correr riscos»
«Era evidente a lacuna de um trinco. Mas não quero voltar atrás porque antes da chegada do Ricardo Dias, quem esteve cumpriu»
«Agora as bolas já não entram no poste e vão para fora. Entram»














