Publicidade

Académica OAF 2-1 FC Porto B: Encanto na hora da despedida de Costinha

Pedro Machado · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

futebol nacional cabeçalho

Coimbra teve encanto na hora da despedida da época… e de Costinha. Académica e FC Porto B protagonizaram um jogo, na sua generalidade, bonito e marcado pela vontade de vencer dos estudantes e pela qualidade técnica dos dragões. No fim, ganhou a Briosa, conforme mereceu, atenuando a mágoa de ainda não estar de regresso ao escalão principal.

Perante um FC Porto B a tentar encontrar-se no meio das mudanças promovidas pelo seu treinador (jogou e venceu, a meio da semana, a final da Premier League Internacional Cup), a Académica começou a partida a ganhar ascendente nos instantes iniciais, por força do espírito empreendedor de Kaka, capaz de encontrar e lançar Marinho e Traquina nos flancos. O problema esteve na fase de decisão, que tornou inconsequentes esses primeiros 15 minutos de domínio.

O esbanjamento dos estudantes foi aproveitado pelo FC Porto B, que começou a ligar setores e a conseguir criar oportunidades de golo, com Graça em destaque neste particular. Primeiro aproveitou uma má reposicao de um pontapé de baliza batido por José Costa para progredir e obrigar o guardião dos estudantes a defesa difícil e, depois, com quatro adversários ao seu redor, foi capaz de descobrir a integração de Verdasca no ataque. Este visou a área, onde apareceu Ruben Macedo a disparar por cima.

Costinha dá instruções aos jogadores da Académica... pela última vez
Costinha dá instruções aos jogadores da Académica… pela última vez

O jogo ganhou equilíbrio e foi sobre esta nota que a Academica chegou ao golo inaugural. Kaka, sobre a meia hora de jogo, aproveitando uma desatenção de Gudiño num lance aparentemente ofensivo, contornou o guarda-redes dos dragões e coloriu o marcador. O FC Porto B não se ficou e, 5 minutos depois, igualou a partida na sequência de uma bola parada exemplarmente batida por Rui Moreira e que teve o condão de acalmar as hostilidades, fazendo com que o intervalo chegasse numa toada mais “calma”…

… Que se arrastou até ao início do segundo tempo. O jogo entrou num estranho marasmo (dada a primeira parte), com o qual só Makonda e Kaka, no primeiro quarto de hora, quiseram romper.
Costinha e Folha tiveram, pois, que mexer. Ki entrou para o lugar de Kaka, nos estudantes, ao passo que Fede Varela e Pereira renderam Tomás Podstawski e Tony Djim do lado do FC Porto B.

Trocas que beneficiaram a Academica. É que, para além de perder fulgor ofensivo, o meio-campo do FC Porto B perdeu a cola que ia impedindo a Briosa de ganhar ascendente, e permitiu o atrevimento dos estudantes – Yuri de cabeça, atirou a trave e Rui Miguel, na pequena área, atirou ao lado.

Folha, descontente, colocou em campo um dos seus trunfos – Galeno. O brasileiro agitou, como costuma e, ao romper pela área academista, quase era feliz. Mas, sozinho, não podia fazer mais que se ficar pelo inconformismo, e este foi só um pormenor no meio de um domínio academista, que voltou a ser manifestado em quatro oportunidades – primeiro Rui Miguel atirou para defesa difícil de Gudiño e Makonda, na recarga, atirou a trave, e depois, o mesmo Rui Miguel atirou por cima, à semelhança do que Ernst (já entrado para o lugar de Marinho) tinha feito uns minutos antes.

Calor não deu tréguas e os jogadores do FC Porto B aproveitaram uma assistência méida para se refrescar
Calor não deu tréguas e os jogadores do FC Porto B aproveitaram uma assistência méida para se refrescar

Adivinhava-se o golo dos estudantes. Só faltava um bocadinho mais de discernimento. Estava no banco. Costinha decidiu tirar Rui Miguel e colocou Diogo Ribeiro. 2 minutos depois, aos 86′, tirava frutos desta troca: o número 66 dos estudantes correspondeu da melhor maneira a um cruzamento de Traquina e devolveu a liderança no marcador à Briosa. Um golo festejado em euforia pelo jogador formado no Esperança de São Martinho e na Academica, que tirou a camisola e foi engolido em abraços pelos seus colegas.

Uma imagem que marca a união que existe num balneário nem sempre recompensado devidamente pelas incidências do jogo e que merecia, pelo seu profissionalismo, muito mais que o 6º lugar em que terminou a época.

A FIGURA

Kaka (Académica OAF) – Marcou um golo e orquestrou a manobra ofensiva da Briosa. Soube explorar os flancos, solicitando companheiros, ou o corredor central, assumindo ele a progressão no terreno.
Saiu por volta da hora de jogo, mas a equipa não se ressentiu… porque Ki entrou bem.

O FORA-DE-JOGO

Rui Pires (FC Porto B) – A partir da hora de jogo, acusou um desgaste físico e mental (amplificado pela saída da “muleta” Tomás Podtawski) que esteve na origem do crescimento da Academica na partida.
Não conseguindo pressionar tão energicamente, a equipa ressentiu-se, pois.

SALA DE IMPRENSA

António Folha, treinador do FC Porto B:

«De realçar os jogadores, porque apesar das equipas estarem com classificação garantida, esforçaram-se muito. »

«Podíamos ter feito um golo, através do Galeno. A Academica também podia ter feito. Marcou mais um que nos. Tenho de dar os parabéns aos meus jogadores e Acadêmica pela vitória.  »

«Conseguimos dar a volta a uma situação difícil no campeonato.»

Costinha, treinador da Académica OAF:

«A direção entendeu que não vai continuar com esta equipa técnica. Foi o meu último jogo pela Associação Académica de Coimbra.»

«Se manifestasse tudo o que sinto, não teriam espaço para escrever no jornal»

«Primeira palavra vai para os meus jogadores. Em muitos anos, a Academica nunca teve tantas vitórias, tantos golos. Diz muito acerca do que eles fizeram»

«Emocionalmente, foi o trabalho mais conseguido na minha curta carreira como treinador»

«Tenho a agradecer à minha equipa técnica, à equipa médica, às senhoras do pequeno almoço, aos tratadores de relva (apesar da das minhas críticas)…»

«Sei porque vim para a Academica, por isso não me posso sentir injusticado. O trabalho que se fez foi um trabalho sério. Estou satisfeito com a minha postura»

«Quero deixar uma palavra às claques, apesar daquela contestação que chegou a haver. Mas compreendo, se fosse eu um membro da claque, também contestaria»

«Um bom jogo apesar do calor que se fez sentir. Tivemos muitas ocasiões de golo, mas desperdiçamos, à semelhança do que aconteceu ao longo da época»

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.