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Decisões adiadas e definitivas| Académico Viseu 0-0 Vizela

Pedro Filipe · 3 min

Académico Viseu
Foto: Académico Viseu

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O 0-0 entre o Académico de Viseu e o Vizela é um desses casos em que o resultado parece calmo, mas a tabela grita em silêncio.

Existem empates que não são neutros. Este 0-0 entre o Académico de Viseu e o Vizela é um desses casos em que o resultado parece calmo, mas a tabela grita em silêncio.

O Vizela sai deste jogo com o destino selado: ficou matematicamente fora da luta pelo segundo lugar e, portanto, da subida direta. Não foi aqui que perdeu a época — foi ao longo dela — mas foi aqui que a matemática se tornou sentença. E isso muda tudo, mesmo quando ninguém admite.

Há uma diferença subtil entre jogar por ambição e jogar por honra competitiva. O Vizela manteve organização, manteve estrutura, mas já não tinha aquela urgência elétrica de quem acredita que ainda pode saltar para cima. O futebol, nestes casos, não se desliga — mas abranda.

Do outro lado, o Académico de Viseu tinha o jogo que tantas equipas sonham nesta fase: em casa, em posição de subida, perante um adversário já sem possibilidade de o ultrapassar. Trata-se do tipo de cenário que pede afirmação, que pede autoridade, que pede a frieza de quem percebe que os grandes objetivos também se confirmam nestes detalhes.

Contudo, o Académico ficou a meio caminho. Controlou, empurrou, tentou instalar-se no meio-campo adversário, mas raramente transformou esse domínio em perigo real e continuado. Faltou-lhe o passo seguinte: a agressividade no último terço, a capacidade de acelerar quando o jogo já está inclinado, a insistência que desmonta blocos já sem a chama da temporada inteira e ultrapassar a muralha Gomis que disse presente na baliza forasteira.

Académico de Viseu jogadores
Fonte: Pedro Figueira / Bola na Rede

E é aqui que este empate ganha significado.

Porque não é apenas o Vizela que sai deste jogo com um objetivo encerrado. O Académico também sai com um aviso. A classificação protege, mas não garante. A posição conforta, porém não assegura nada se não for alimentada com vitórias em casa, sobretudo nestes jogos em que o contexto parece favorável.

O 0-0 fica, assim, como um espelho estranho: de um lado, uma equipa que já não chega lá acima; do outro, uma equipa que ainda lá está, mas que percebe — ou deveria perceber — que o caminho até à Primeira Liga não se confirma com empates discretos.

Na Segunda Liga, a fronteira entre objetivo cumprido e objetivo adiado raramente é dramática. Muitas vezes é esta a mensagem: um jogo controlado, um resultado limpo… e um aviso que chega sem fazer barulho.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académico Viseu

BnR: O Académico fez as primeiras substituições já na perto da entrada no último quarto hora da partida, o que o fez protelar as substituições e o procurou fazer de novo com estas? 

Sérgio Fonseca: A ideia foi que nós tínhamos o Luís [Silva] também com o cartão amarelo, tínhamos o Robinho também com o cartão amarelo. Também tínhamos alguns atletas também. A ideia foi tentar refrescar e dar mais pendor ofensivo também à equipa.

A entrada do Ceitil foi numa perspetiva de equilibrar mais o meio-campo e depois com a entrada do Moreno, que é um jogador que tem muita qualidade, qualidade com bola, um jogador que consegue descobrir o último passo. É um jogador que nos aporta mais essa qualidade e procurámos também refrescar também um dos corredores com a entrada do Simão. Foi nessa perspetiva de tentar manter a consistência e depois ir em busca daquilo que poderia ser o golo que nos estava a faltar. 

Vizela

Nenhum elemento do Vizela prestou declarações na sala de imprensa, após o jogo. 

Pedro Filipe

Redação Bola na Rede · ver artigos