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Um final de Segunda Liga empolgante e as derradeiras decisões do Campeonato de Portugal aí à porta

Miguel Simões · 8 min

Foto: BnR

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Como tem sido habitual fruto do elevado grau de competitividade, grande parte das contas finais da Segunda Liga só ficaram conhecidas na derradeira jornada do campeonato, com algumas surpresas e também desilusões. Essas contas já estão fechadas e resta agora saber quais serão as duas equipas do Campeonato de Portugal que vão subir de divisão. Das oito, seis ainda continuam na luta até à última jornada da fase de acesso.

A edição 2020/21 de ambas as competições ficou marcada pelas muitas mudanças relativas aos respetivos formatos. No caso do segundo escalão do futebol português, além de descerem apenas os últimos dois classificados (em anos anteriores eram mais…), passou a existir a possibilidade do terceiro classificado disputar um play-off com o antepenúltimo classificado da Primeira Liga.

Já no Campeonato de Portugal, a criação da Liga 3 não só veio mexer com as mais variadas lutas e contas de cada grupo, como ainda fez aumentar o número de séries da competição. Os primeiros classificados de cada uma das oito séries integraram a fase final de acesso à Segunda Liga, com as equipas a serem divididas em dois grupos de quatro (zona norte e zona sul).

Ainda assim, as novidades não se prendem só aos formatos, mas principalmente àquilo que as equipas conseguiram fazer e conquistar ao longo da época. Venham daí os destaques positivos (e negativos!) de toda a Segunda Liga e da fase final do Campeonato de Portugal!

SEGUNDA LIGA

Fruto da enorme consistência que foi tendo, o GD Estoril Praia esteve praticamente sempre na liderança e não só confirmou a subida a abrir o mês de maio, como ainda acabou por se sagrar campeão duas semanas antes do final da Segunda Liga. A equipa de Bruno Pinheiro caiu do trono em fevereiro (após duas derrotas com FC Arouca e Académica OAF), mas foi precisamente a partir daí que os canarinhos iniciaram uma série invejável de triunfos, algo que lhes permitiu ganhar uma almofada pontual para os concorrentes diretos.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Já que falamos de adversários diretos, é caso para dizer que nesse capítulo verificaram-se várias mexidas ao longo da segunda volta, de tal modo que as formações que fecharam o pódio nem sequer foram as que andaram a lutar “taco a taco” pela liderança durante grande parte do campeonato.

Confuso? Vamos por partes. O CD Feirense e a Académica OAF integraram o top 3 durante metade da competição, mas a verdade é que foram perdendo terreno para os clubes que vinham imediatamente atrás. No caso dos fogaceiros, a troca de Filó por Rui Ferreira no comando técnico não surtiu os efeitos desejados e a equipa acabou por cair do pódio, ainda no mês de abril. Entre os dois conjuntos, apenas os “estudantes” entraram para a derradeira jornada a lutar pelo play-off, mas a série negativa de resultados entre final de fevereiro e início de abril acabou por ter peso (gigante!) nas aspirações do Histórico clube de Coimbra.

Perante este cenário, o FC Vizela e o FC Arouca apareceram de forma bastante empolgada no topo da classificação e não tardaram em espreitar a janela de oportunidade. A equipa de Álvaro Pacheco oscilou na tabela classificativa durante os primeiros dois meses, mas desde o início de novembro (altura em que perdeu, precisamente, em Arouca) que nunca mais conheceu o sabor da derrota na competição. Essa terá sido a chave para o caminho ascendente que a surpreendente formação minhota construiu, tendo chegado ao segundo lugar a nove jornadas do fim, confirmando-o com o regresso à Primeira Liga 36 anos depois.

E se é verdade que no segundo lugar ficou a equipa com mais golos marcados (59!), no terceiro acabou por ficar a defesa mais sólida da competição (apenas 25 sofridos). O conjunto de Armando Evangelista esteve algo intermitente na primeira volta, protagonizou um mês de janeiro sem triunfos e começou a perder terreno para o topo. Contudo, o sonho da recuperação virou realidade e os arouquenses fecharam o campeonato com uma série extraordinária de nove vitórias seguidas, com a particularidade de terem sofrido apenas três golos, o que evidencia a tal estabilidade defensiva. O play-off diante do Rio Ave FC será um duplo teste de fogo para confirmar a subida.

Também o GD Chaves chegou a estar na luta pelos primeiros lugares, tanto nas primeiras jornadas com Carlos Pinto ao leme, como na reta final com Vítor Campelos, mas o facto de não ter vencido nenhum dos concorrentes diretos na segunda volta afastou os flavienses das grandes decisões. Seguindo a linha da classificação, FC Penafiel, SL Benfica B, Casa Pia AC e Leixões SC acabaram por fazer campeonatos razoavelmente mais tranquilos e regulares. Já o CD Mafra até esteve em destaque ao integrar o pódio até novembro, mas desde então entrou em queda livre e apenas ganhou dois dos 25 jogos que se seguiram. Ainda assim, tanto os lisboetas como o SC Covilhã entraram para a última jornada sem terem de olhar para as contas da manutenção.

Entre os seis clubes equacionados para a despromoção à Liga 3, o CD Cova da Piedade e o Académico de Viseu FC apresentavam uma margem pontual mais favorável para se manterem na Segunda Liga, algo que ficou tranquilamente confirmado com os respetivos triunfos, sendo de salientar que ambas as equipas sofreram várias trocas no comando técnico ao longo da época.

O Varzim SC e o FC Porto B foram as duas equipas que mais tempo passaram na zona de descida, mas curiosamente ambas conseguiram escapar a esse pesadelo. A formação da Póvoa de Varzim foi orientada por quatro treinadores diferentes, passou praticamente toda a época a alternar entre o último e o penúltimo lugar e até entrou para a derradeira jornada como lanterna vermelha. No entanto, impulsionado pelos seus adeptos, o Varzim acabou mesmo por confirmar a manutenção ao escalar três posições na encruzilhada onde estava inserido, mesmo tendo sido a equipa da Segunda Liga com mais derrotas (19). Já os bês dos dragões, que trocaram Rui Barros por António Folha a meio da época, beneficiaram do contributo de alguns jogadores da equipa principal na reta final e terminaram com mais um ponto que os dois despromovidos.

Igualados com 31 pontos, UD Vilafranquense e UD Oliveirense não evitaram a descida de divisão depois de terem sido derrotados na jornada de todas as decisões. De um lado, a equipa que sofreu mais golos (54), do outro a formação que marcou menos (25). Dois extremos negativos que contribuíram para a sentença final de ambas as equipas.

CAMPEONATO DE PORTUGAL

Os clubes que vão “substituir” os dois emblemas despromovidos ainda não estão decididos, mas as contas do Campeonato de Portugal estão ao rubro e prestes a fechar. A norte, três equipas ainda na luta. A sul, outras três formações com possibilidade de garantir a subida à Segunda Liga.

Na fase de acesso relativa à zona norte, SC Braga B, Pevidém SC, CD Trofense e Anadia FC foram mais fortes nas séries A, B, C e D, respetivamente, juntando-se num grupo onde o vencedor final tanto pode marcar um regresso, como uma estreia na Segunda Liga.

O SC Braga B foi a única equipa que entrou para a quinta e penúltima jornada a saber que já não teria possibilidades matemáticas de chegar à liderança do grupo. Os bracarenses (com apenas três pontos) estiveram grande parte do tempo a empatar a uma bola no terreno do Anadia FC, mas o conjunto da casa venceu por 3-1, somou o segundo triunfo consecutivo e leva agora sete pontos conquistados, reentrando na acesa luta pelo primeiro lugar da zona norte.

No outro campo, o Pevidém SC podia ter fechado as contas do grupo se tivesse vencido na Trofa, no entanto, o CD Trofense repetiu o resultado da primeira ronda e voltou a triunfar por 2-0, saltando para a liderança do grupo. A equipa de Guimarães – que vinha de duas vitórias forasteiras – mantém-se com nove pontos, enquanto que a formação da Trofa é agora líder, com dez.

Na derradeira jornada, o Pevidém recebe o Anadia, num encontro entre duas equipas a necessitar exclusivamente de ganhar, apesar de dependerem ainda do que o Trofense vai fazer no reduto do SC Braga B.

Pela tabela da zona sul, UD Leiria, SCU Torreense, CF Estrela e Vitória FC venceram as respetivas séries e juntaram-se num grupo com nomes históricos do futebol português que tentavam o regresso a palcos maiores.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Curiosamente, a equipa que liderou a sua série de forma destacada foi a primeira a ficar impossibilitada de chegar à liderança. A UD Leiria voltou a cair na altura das grandes decisões ao ser derrotado no Bonfim por 2-1, somando apenas quatro ponto ao fim de cinco jornadas. O Vitória FC vingou a derrota em Leiria há três semanas (também por 2-1), voltou a vencer nos descontos pela segunda vez consecutiva e reaproximou-se da liderança, agora com oito pontos.

Tal cenário só foi possibilitado pelo empate entre os líderes CF Estrela e SCU Torreense (agora com nove pontos), que não foram além do nulo no marcador, adiando todas as decisões para a derradeira jornada. Isto tudo numa quinta jornada em que, mediante vários cenários, qualquer um dos dois líderes podia ter garantido a subida mais cedo.

Na última jornada, o conjunto de Torres Vedras recebe os sadinos, com ambas as equipas a precisar de ganhar e a depender do resultado da formação da Amadora na deslocação até Leiria. Em caso de empate, ao Estrela bastará também uma igualdade para garantir o primeiro lugar e, consequentemente, a subida, com os restantes três conjuntos a rumarem à Liga 3.

O que esperar do próximo fim de semana de grandes decisões no que toca às equipas que sobem ao segundo escalão do futebol português? O veredito está aí à porta…

Miguel Simões

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