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Mais de seis mil espectadores presenciaram um espetáculo entre dois candidatos à subida que dignificou a Segunda Liga. Pela competitividade do Académico de Viseu, capaz de vir a Coimbra bater o pé à Académica, pelo empenho dos estudantes… e pelo grande ambiente no Cidade de Coimbra.
Como tem sido habitual em casa, a Académica começou a mandar no jogo e esteve perto de materializar em golo esta superioridade através de Chiquinho, porém, seria o Académico a adiantar-se no marcador ao minuto 13. Numa bola aparentemente inofensiva, Tiago Duque falhou o alívio e Avto aproveitou para fazer um chapéu a Ricardo Ribeiro.
A Académica tentou reagir, mas esbarrou na forte pressão viseense e na intensidade que os elementos do clube da beira-interior colocavam nos duelos individuais. Uma forma de jogar que deu resultados, já que pertenceu ao Académico as situações mais flagrantes de golo até final da primeira parte. Rui Miguel, numa primeira instância, tentou o chapéu, mas Nélson Pedroso* salvou sobre a linha de golo e, na sequência do canto, Fernando Ferreira de cabeça, atirou ao lado.

No segundo tempo, e sem substituições de parte a parte, manteve-se o contexto da primeira, com um Académico bem organizado e a travar a progressão dos homens da casa, a quem ia pertencendo a bola… mas não as oportunidades de golo – N’Sor, isolado, esteve perto de ampliar o resultado.
Ricardo Soares, treinador da Académica, não satisfeito, foi ao banco. Tirou de lá, primeiro, Marinho, e depois Guima e Tozé Marreco. Passou a jogar com três defesas, dois extremos e dois pontas de lança de raíz. Mas as coisas ficaram na mesma. Era preciso um herói. E ele apareceu. O de Coimbra não veste capa nem é robusto. É baixinho, e em vez da capa tem o número 7 nas costas. Mais uma vez, salvou a Académica da aflição que sentia e empatou o jogo sobre o minuto 90, resultado que não se viria a alterar até final.
Este resultado serve, obviamente, mais o interesse do Académico de Viseu, que, para além de ter conseguido um ponto na casa de um rival na luta pela subida, fica, também, em vantagem no confronto direto com a Académica depois de ter derrotado a Briosa em Viseu. Quem também pode aproveitar isto são as outras 6 (!) equipas que estão dentro da luta pela subida, principalmente o Leixões que se pode juntar ao topo da classificação entre as equipas que podem subir de divisão.
Nota: Fonte da Académica revelou ao Bola na Rede que uma adepta foi atingida por pedras arremessadas por adeptos ligados ao Académico de Viseu. A jovem foi transportada para o hospital mesmo depois de suturada. Este comportamento foi lamentado pela fonte do clube. A direcção do clube viseense viria a reagir, afirmando que “Segundo Dinis Almeida, Chefe da Policia de Segurança Pública do Comando Distrital de Coimbra, foram os adeptos afetos à Associação Académica de Coimbra, que terão inclusive sido identificados no local, que desencadearam desacatos e arremessaram pedras na direção dos autocarros que transportavam os adeptos do Académico de Viseu, e que na verdade vieram a culminar com ferimentos de uma jovem que se encontrava no local e ainda outros eventuais danos em viaturas estacionadas junto do Estádio Cidade de Coimbra”.
Pedro Machado
A FIGURA
Avto (Académico de Viseu FC) – Foi o autor do primeiro golo da partida com um chapéu de belo efeito e foi peça fundamental na estratégia de jogo do Académico. Avto soube esperar quando tinha de esperar e acelerar quando era necessário. Além do golo, fez ainda um excelente cruzamento que quase resultava no 2-0.
Vasco Moreira
O FORA-DE-JOGO
Vasco Moreira
CONFERÊNCIA BnR
Francisco Chaló, treinador do Académico de Viseu FC:
«Foi uma partida que dignificou a Segunda Liga»
«Demonstrámos, ao contrário do que vaticinavam, que vamos fazendo pela vida»
«Tivemos a eficácia do golo após a entrada forte da Académica, mas durante a partida tivemos falta de eficácia»
«Quis o fator sorte que, se não estou em erro, na única jogada de perigo, a Académica chegasse ao golo»
«Este ponto não vale um ponto, como a vitória não valia só três»
Pergunta BnR: Hoje faltou-lhe o Pica, mas mesmo assim o Viseu aguentou-se quase até final sem sofrer qualquer golo. Ficou contente com o desempenho defensivo da sua equipa?
«Analisando friamente aquilo que aconteceu, tivemos dificuldades na organização defensiva, e quando falo da organização defensiva não falo só da linha de quatro defesas, nos primeiros 10 minutos. Mas após os 10 minutos conseguimos desenvolver aquilo que é o nosso comportamento defensivo. Sumariamente, a minha equipa esteve muito melhor na segunda metade da partida. Estivemos muito bem sistematizados, naquilo que é o seu posicionamento. Faltou-nos o Bruno Miguel, no eixo central, mas já tivemos o Bura, por exemplo e demos boa resposta».
Ricardo Soares, treinador da Académica OAF:
«O adversário foi baixando no terreno, o que não me surpreendeu. Jogámos por dentro, jogámos por fora. Tentámos. Mas não fomos muito esclarecidos»
«Na segunda parte modificámos um pouco. Colocámos o Harramiz mais por dentro, num 4x4x2 falso. Passámos a ganhar os corredores e depois acabámos por merecer o golo. Ou melhor, quem mereceu mais foi a nossa adepta, que compreendeu que o jogo não nos foi correndo bem e foi fantástica no apoio»
«A Académica está de pé na luta pela subida»
Pergunta BnR: Chegou ao intervalo em desvantagem, ainda assim optou por não fazer qualquer alteração. Estava satisfeito com a resposta da equipa apesar da desvantagem?
«Em parte estava. Nós, portugueses, medimos muito o resultado e não o que o jogo está a produzir. Começamos muito bem o jogo, criámos vários cruzamentos perigosos e quando nada o fazia prever, de um momento para o outro, sofremos o golo. Da maneira que surgiu, criou-nos ainda mais dificuldades, mas estavámos a fazer um bom trabalho».













