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“Vou dizer aos meus jogadores que até aos 5 minutos, podem dar fruta” disse Costinha, após o jogo com o Freamunde, queixando-se da passividade perante as faltas duras cometidas pelo adversário nos instantes iniciais dessa partida.
Essa conversa foi revelada aos jornalistas na última conferência de imprensa após o jogo com o Braga B e é impossível não ser lembrada neste jogo. Não pela virilidade demonstrada pela Briosa nos instantes iniciais, mas pela recuperação da “pontinha de sorte” há muito reclamada por Costinha com duas cabeçadas e, também, pela forma agressiva e abnegada com que entrou no encontro, e que lhe valeu o golo inaugural, logo aos 3 minutos, por Tozé Marreco.
O ponta-de-lança concluiu da maneira que melhor sabe (cabeça) uma jogada iniciada no flanco direito do ataque da Académica.
Estava dado o mote (a “fruta”) para uma primeira parte de excelência, onde ambas as equipas disputaram o jogo de forma positiva, com o Benfica B (municiado por Pêpê, que não tinha em Dalcio ou Diogo Gonçalves os melhores companheiros de construção ofensiva no 4x4x2 encarnados de ) à procura do golo do empate e a Académica (exposta num 4x1x4x1, numa linha ofensiva com 5 homens em Marinho, Ernst, Kaka, Traquina e Toze Marreco ancorados por Makonda, regressado à origem – pivô defensivo) sem medo de correr riscos em busca do segundo.
Tanto assim foi que a bola circulou as duas áreas de forma repartida, embora fosse a baliza do Benfica a mais procurada. Ernst (o melhor nesta fase), por duas vezes, após bailar sobre Benitez, fez tremer André Ferreira, que viu a bola tirar tinta à trave numa primeira instância e defendeu com brio a segunda tentativa do ganês. Kaka, pelo meio, em zona frontal a baliza, rematou rasteiro, ao lado. Ao intervalo, justificava-se o resultado.

Fonte: Académica OAF via CAPhoto
A segunda parte trouxe um Benfica B ainda mais atrevido, conseguindo tornar mais objectiva a sua qualidade técnica. Sob a batuta de Pêpê, a equipa foi crescendo e adivinhavam-se situações de perigo, como a que Dalcio desperdiçou no início da segunda parte, num lance de contra-ataque, completamente isolado ante Ricardo Ribeiro.
A insistência dos encarnados, sentia-se, traria frutos, e assim foi. Na grande área da Académica, Yuri Ribeiro fugiu a Nii Plange, este não gostou e cometeu falta sobre o lateral esquerdo do Benfica. O burquinês viu o segundo amarelo, foi expulso. Grande penalidade para os encarnados. Convertida por Pêpê.
Dada a superioridade numérica encarnada, o campo inclinava-se, definitivamente, para a baliza da Académica, onde houve muitas bolas de golo. Primeiro foi Dalcio, isolado, a falhar de forma escandalosa outro lance isolado, depois foram Jovic e João Carvalho a obrigar Ricardo Ribeiro a grande defesa e, mais tarde, Yuri, rematou a rasar o poste da baliza da Académica.
Tanto desperdício costuma resultar numa coisa: golo do outro lado. E assim aconteceu – já nos descontos, Nuno Santos ganha falta sobre o flanco esquerdo. Ki avançou para a marcação e levantou para a área, onde estava João Real, a meias com Makonda, a cabecear para a baliza. 2-1. As bancadas explodiam toda a emoção contida em cada lance desperdiçado pelo Benfica B e exultava-se o nome da Académica. Estavam arrancados 3 pontos patrocinados por garra, crer e… sorte.
A Académica descola, agora, do Benfica B, na classificação, mas mantém-se a 9 pontos da zona de subida. Os encarnados veem o rival Porto B (venceu o clássico com o Sporting B) aproximar-se, estando agora, com o Sporting, a 3 pontos da liderança do “campeonato dos B’s”.
Pedro Machado
A FIGURA

Fonte: SLBenfica
Pêpê (Benfica B) foi um autêntico maestro. Sempre de cabeça levantada, colocou a bola onde quis. Organizou o jogo da sua equipa de forma imperial e o Benfica B só se pode queixar da incompetência dos avançados. Converteu a grande penalidade que deu o golo aos encarnados.
Jorge Fernandes
O FORA DE JOGO

fonte: SLBenfica
Dálcio (Benfica B) esteve desaparecido durante boa parte do encontro e, quando apareceu, foi para desperdiçar duas ocasiões claras. A sua substituição pecou por tardia.
Jorge Fernandes
BnR na SALA DE IMPRENSA
Hélder Cristóvão (treinador do Benfica B)
“Houve ineficácia da nossa parte. Voltámos a ser meninos num campeonato tão competitivo como é a Segunda Liga. Demos um bom espectáculo, divertimo-nos a jogar a bola, mas levámos 0 pontos para casa.”
“Faltou-nos concentração competitiva, que é diferente de concentração desportiva.”
Costinha (treinador da Académica)
“Jogámos contra uma boa equipa, cheios de jogadores com qualidade e que tem um treinador com bons princípios.”
“Hoje tivemos aquela pontinha de sorte que nos foge noutros encontros, mas fomos atrás dela. Nunca nos desmontámos, mesmo com 10.”
” Conseguimos controlar o caudal ofensivo do Benfica. Confio na minha defesa e, claro, não podemos controlar a ineficácia do adversário, assim como estes não puderam controlar a nossa em jogos anteriores.”
“Esta não é uma equipa de cliques. Eles sabem o que pretendemos para a equipa, a ambição. Sabem que, vencendo, as coisas tornam-se muito mais fáceis, a confiança cresce.
Mas a equipa tem de estar preparada para todas as situações.Não se baseia em cliques porque não quero uma equipa intermitente.”
“[sobre o facto de a equipa não jogar com o relógio, mesmo reduzida a 10] O Neuer, o Messi e o Ronaldo, mesmo a vencer, partem para cima dos adversários. O anti-jogo não beneficia o futebol. E quanto mais vocacionados estiverem os meus jogadores para o jogo,melhor. Gostamos de ter bola, de dominar.”
A negrito e itálico – resposta a perguntas feitas pelo Bola na Rede












