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Académica OAF 3-0 CD Cova da Piedade: Para ti, Bernas

Pedro Machado · 4 min

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Já se sabia que este não seria um jogo fácil para a Académica. Uma baixa de peso marcava-o. Não era uma baixa no onze inicial, nem no plantel, ou no staff técnico. Era uma baixa nas bancadas, onde já não estava Bernas, um dos que mais apoiava a Briosa e que, aos 20 anos, viu serem-lhe retirados, num acidente de carro, sonhos, ambições e desejos. Um deles seria, certamente, a vitória da sua Briosa frente ao Cova da Piedade, que se concretizou.

A Académica, à semelhança do que tem conseguido fazer nas últimas semanas, conseguiu impor-se no terreno de jogo e empurrou o adversário para o seu terço defensivo. Mesmo privada de uma baixa nas bancadas (atenuada com muita alma da Mancha Negra, refira-se) e de outra no campo (a lesão de Brendon obrigou João Alves a utilizar Traquina como lateral-direito), a Briosa ditou as leis no primeiro tempo.

Ricardo Dias era a base sólida de um meio-campo que, a espaços, conseguia abrir espaço para a velocidade de Romário Baldé e Júnior Sena, os mais desequilibradores. Foi o último, inclusive, que assistiu o golo inaugural, conseguido aos 22 minutos – canto batido ao segundo poste, onde apareceu Hugo Almeida a finalizar… à ponta de lança.

O golo teve o condão de sossegar o jogo. A Académica tratou de impor um ritmo mais lento e o Cova da Piedade não conseguiu reagir até ao intervalo.

O Cidade de Coimbra exultou com nova vitória
Fonte: Bola na Rede

O regresso dos balneários não trouxe nada de novo. O Cova da Piedade, reforçado no ataque pela entrada de Ronaldo Tavares, falhava na conexão meio-campo – ataque e a Académica, segura no seu meio-campo, explorava os espaços que o adversário deixava nas costas. Foi desta forma que, numa primeira instância, Hugo Almeida esteve perto de bisar e que, depois, Júnior Sena ampliou a vantagem. 55 minutos de jogo, 2-0 para a Briosa.

O segundo golo dos estudantes teve outra vez efeitos no jogo, mas desta vez favoráveis ao seu adversário, que passou a abordar os lances com maior agressividade, aproximando-se assim com critério da baliza adversária. Miguel Rosa esteve em destaque e ficou perto do golo em duas ocasiões. Valeu à Académica um corte de Zé Castro sobre a linha de golo e, mais tarde, uma grande defesa de Peçanha, em resposta a um livre direto do ex-SL Benfica.

A reação do Cova, porém, foi sol de pouca dura e a superioridade tática dos estudantes materializou-se… em mais um golo. Júnior Sena (outra vez) descobriu Romário Baldé solto na direita, e este, isolado, não desperdiçou. Na sequência do lance, Rafael Amorim foi expulso e, aos 70 minutos, o jogo… terminou. A Académica controlou os instantes finais a seu bel-prazer, e só Miguel Rosa (outra vez) conseguiu causar alguma intranquilidade.

O jogo foi caminhando para o seu final, com números pesados, mas tão justos quanto naturais. Bernas terá sorrido.

Onzes iniciais

ACADÉMICA OAF:  Peçanha, Traquina, Yuri, Zé Castro, Mike; Ricardo Dias, Guima (Ki 78’), Reko, Júnior Sena; Romário Baldé (Marinho 82’) e Hugo Almeida (Djoussé 74’).

CD COVA DA PIEDADE: Moreira, Coronas (Rodrigo 27’), Amorim, Mané, Evaldo; Chen (Maria 82’), Cele, Pereirinha (Ronaldo Tavares 45’), Ballack, Miguel Rosa; Firmino.

A FIGURA

Fonte: Académica OAF

Júnior Sena – Mais uma boa exibição, na sequência do que tem feito nos últimos jogos, do criativo academista (intervenção direta nos últimos 6 golos da equipa de Coimbra). A jogar nas costas de Hugo Almeida, descaindo muitas vezes para as alas, corou a sua exibição com um golo, duas assistências e muito futebol. A viver o seu melhor momento da temporada, será deveras importante no que resta cumprir do campeonato, afirmando-se cada vez mais com um indiscutível na turma de João Alves.

O FORA DE JOGO

Fonte: CD Cova da Piedade

Rafael Amorim–  O central do Cova Piedade, que conta já com diversas passagens por clubes primodivisionários, foi um dos principais fatores da permeabilidade defensiva do clube de Almada. Expulso ao minuto 71, na sequência do terceiro golo dos Estudantes, condicionou ainda mais a sua equipa. Esta atitude não é nada consentânea para um jogador com a sua experiência.

CONFERÊNCIA BnR

Académica OAF

BnR: O Júnior Sena era um jogador que quase não entrava nas contas antes do João Alves chegar. Ora, o jogador teve intervenção direta nos últimos 6 golos da Académica. Quão feliz fica um treinador com estes números?

João Alves: A minha função como treinador é tirar o máximo rendimento dos atletas. O Júnior nunca jogou nesta posição na sua carreira. Eu entendo que ele é um jogador com um talento enorme. Digamos que ele começou a gostar muito de jogar onde está a jogar… e eu também [risos].

 

CD Cova da Piedade

BnR: O Cova da Piedade perdeu dois jogos consecutivos, curiosamente, pelos mesmos números. Quão importante será o papel dos jogadores mais experientes para a recuperação da equipa?

Hugo Falcão: A experiência competitiva é fundamental numa liga competitiva como a Segunda Liga. Agora temos de olhar para a frente.

Quando ligo a alguém e dou o recado, esse recado tem de passar na íntegra. E posso dar-vos um exemplo – o Rodrigo tem um lance exatamente igual ao do Mafra, em que podíamos ter empatado, e não decide bem.

É importante, determinante, e acaba por ser bom ter jogadores menos jovens, como é o caso do Evaldo ou do Moreira.

 

Rescaldo de opinião de Pedro Machado e Pedro Semedo

Foto de Capa: Bola na Rede

Pedro Machado

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