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Já a apenas duas jornadas do final da temporada, o Cova da Piedade garantiu uma importante vitória diante de uma Académica que já não luta por nada, ficando à beira de garantir a manutenção.
Os comandados de Miguel Leal vieram de uma derrota frente ao Mafra, que deixou o conjunto da Margem Sul a apenas dois pontos da linha de água, mas invicto em casa desde o início de fevereiro. Mais atribulada tem sido a vida dos Estudantes, com três jogos sem ganhar, a subida perdida e polémica entre João Alves e Júnior Sena, com o extremo cabo-verdiano a ser afastado do plantel por recusar-se a jogar diante do Famalicão.
Numa primeira parte marcada pelo calor intenso e a falta de qualidade no terreno de jogo, foi o Cova da Piedade a ter a primeira oportunidade logo aos três minutos, com Pedro Coronas a cruzar para a entrada da área, onde Cele atirou de fora da área, mas muito por cima da baliza.
Após este lance, surgiram muitas faltas a meio-campo que, acompanhadas pela quantidade absurda de bolas perdidas de parte a parte, “queimaram” a iniciativa ofensiva das duas equipas.
A Briosa acordou aos 15 minutos, criando perigo à baliza de Anacoura pela primeira vez no jogo através de Marinho que, desde a esquerda, cortou para dentro e atirou de fora da área, mas à figura do guarda-redes italiano do Piedade. Mas futebol via-se pouco, com as duas equipas a não mostrarem capacidade para criar perigo, como se verificou num canto curto do Cova da Piedade aos 20 minutos, com um cruzamento a ir direto para as mãos de Ricardo Moura. Já do lado da Académica, Fernando Alexandre tentou um pontapé sem sentido do meio da rua, mas saiu fraco e ao lado da baliza.
Para quebrar a rotina, Miguel Rosa surgiu no jogo e desbloqueou o nulo. Stanley na direita cruzou para o extremo do Cova da Piedade que, de cabeça, fez o golo do conjunto da Margem Sul, dando emoção a um jogo até então fraco futebolisticamente.
Apesar do golo, as equipas não se libertaram nem se tornaram mais ofensivas, com Miguel Rosa a ser um raio de sol num jogo negro em termos de futebol, com as duas equipas muito trapalhonas na construção.
Não surpreendeu, portanto, que o resultado não se alterasse até ao intervalo, com o Piedade a ir para os balneários em vantagem.

Fonte: CD Cova da Piedade
No segundo tempo apareceu mais a Académica, mas mesmo assim as oportunidades mantiveram-se escassas de parte a parte. Romário Baldé mostrou um primeiro vislumbre de resposta por parte da Briosa, mas a o remate do guineense foi à figura de Anacoura.
Seguiu-se Balogun, entrado na segunda parte, a criar perigo na esquerda, cruzando rasteiro à procura de alguém para o desvio, mas não estava nenhum jogador da Académica na área.
Se o calor “matava” a capacidade física dos jogadores, então as constantes paragens para assistência aos atletas do conjunto de Coimbra cortavam completamente o ritmo de jogo, com as oportunidades de finalização a surgirem maioritariamente de bola parada, como um canto na direita a favor do Cova da Piedade aos 58 minutos, em que o guarda-redes Ricardo Moura precisou de esticar-se para evitar o segundo golo.
A reação da Briosa desvaneceu-se a meio da etapa complementar, com o Cova da Piedade a criar mais perigo junto da baliza dos Estudantes através de contra-ataques rápidos. Um livre indireto na direita, ao jeito de um canto mais curto, levou perigo para Ricardo Moura aos 67 minutos, com o cabeceamento de Yan Victor a sair ligeiramente por cima. Já a quinze minutos do fim, foi Ronaldo Tavares a ter uma grande oportunidade, mas o remate acabou desviado por um defesa e saiu por cima.
Acabou por ser mesmo o Cova da Piedade a dilatar a vantagem, perante uma Académica de rastos e sem capacidade no ataque. Ki, aposta de João Alves na segunda parte, ofereceu a bola infantilmente ao Piedade, Ronaldo Tavares cruzou rasteiro e Cele encostou para o 2-0 final, com o conjunto da Margem Sul a conquistar três preciosos pontos na luta pela manutenção, enquanto a Académica pode perder o terceiro lugar se o Estoril pontuar esta jornada.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
CD Cova da Piedade: F. Anacoura, P. Coronas, Allef, Yan Victor, Evaldo, M. Rosa (Ballack, 80’), S. Mané, T. Cele, A. Carvalhas (B. Diarra, 62’), A. Stanley (R. Tavares, 56’) e H. Firmino.
Académica OAF: R. Moura (J. Neiva, 74’), D. Teles (Ki, 67’), Yuri, Zé Castro, N. Pedroso, Marinho (F. Balogun, 46’), Reko, F. Alexandre, J. Traquina, J. Toro e R. Baldé.
FIGURA

Miguel Rosa – Escusado será dizer que Miguel Rosa está claramente a mais nesta divisão. O extremo do Cova da Piedade foi o maior criativo em campo numa tarde solarenga, que pareceu afetar fisicamente as duas formações. Não só pelo golo que marcou, mas também por tudo aquilo que criou durante os 80 minutos que esteve em campo. Um talento sem dúvida a mais na Segunda Liga.
FORA DE JOGO

Ataque da Académica OAF – Não se percebeu se foi do calor ou de já não lutar por nada esta temporada, mas o ataque dos Estudantes foi extremamente inofensivo durante quase todo o encontro e, das vezes em que chegou a zonas de finalização, o guarda-redes Anacoura pouco suou. Pede-se muito mais a um candidato à subida.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
CD Cova da Piedade
BnR: Depois de voltar a estar perto dos lugares de descida, sente que o Cova da Piedade já pode finalmente respirar melhor?
Miguel Leal: Não está resolvido, estamos dependentes de outros resultados. É lógico que se acontecer uma conjugação de factores, se calhar até respira, mas isso são contas para vocês, que nós temos de pensar em ganhar o próximo jogo. Descansar agora, preparar o próximo jogo e é isso que vamos fazer.
BnR: Se conseguisse contar com Miguel Rosa a 100% toda a temporada, pensa que poderia estar mais confortável na tabela?
Miguel Leal: Se calhar. O Miguel, desde que cá cheguei, foi tendo alguns problemas, mas ultimamente tem treinador melhor, chegando aos índices que achamos que pode render e, com a qualidade que ele tem, a equipa teria beneficiado com ele. Apareceu na hora certa e esperemos que jogue mais dois jogos e que não se lesione.
Académica OAF
BnR: A polémica com Júnior Sena afetou o plantel de alguma maneira?
João Alves: Não. Esta Académica, que está a acabar o campeonato, não é a Académica que fez a maior parte do campeonato. Temos de ser verdadeiros, neste momento a fase do campeonato é outra, a nossa classificação é outra. Volto a repetir, estamos a tentar meter alguns miúdos novos na equipa e ver o que eles mostram e, ao mesmo tempo, há jogadores que estão realmente fora, seis ou sete jogadores daqueles que são titulares da equipa e esse núcleo duro, até Famalicão, foi um e agora é outro.
BnR: A Académica está a entrar em período de eleições. Já alguém o abordou para continuar à frente da equipa?
JA: Neste momento não sei o que se vai passar na Académica, por isso não posso ser abordado por ninguém seja para o que for.











