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Cada Presidente constrói a sua história, embora sem autonomia. Isto porque o tempo e as circunstâncias também ditam vontades e interferem na qualidade dos mandatos, que, em virtude destes pormenores, vão sendo longos e, noutros casos, relativamente curtos. Bruno de Carvalho está prestes a completar o seu, caminhando agora para o primeiro confronto eleitoral desde que fora eleito Presidente. Entre o carisma e a controvérsia do actual líder leonino há quem encontre fraquezas que justificam o final da sua carreira Presidencial. Falemos agora, então, de dez importantes razões para provar o contrário:
1º – Presidencialismo

Comecemos pelo ponto primordial. Há muito tempo que o Sporting não possuía um representante tão assíduo no debate público, marcando presença em todos os assuntos que respeitam ao Universo do clube e terminando com a inofensividade que o caracterizava. Como a vida nos explica, sempre será impossível agradar a Gregos e a Troianos. Porém, há um pormenor intocável no mandato de Bruno de Carvalho: o zelo pelos interesses do Sporting Clube de Portugal, cumprindo com o seu papel de Presidente a tempo inteiro. Um regime Presidencialista que permite aos Sportinguistas que querem o melhor para o seu clube sentirem-se representados.
2º – Reforço do Ecletismo

A periferia do antigo Estádio de Alvalade começava a ser povoada muito antes do começo da partida da equipa de futebol. O dia em cheio começava no velho pavilhão com as outras modalidades – ritual que enaltecia o ecletismo destacado do Sporting. Ainda hoje há quem não entenda como é que o clube mais diversificado do país ficou sem o seu pavilhão. Felizmente a nova casa do Sporting está cada vez mais visível e os velhos dias à volta do Estádio estão para muito breve, em reflexo da declarada aposta no ecletismo assumida por Bruno de Carvalho. Em paralelo com a construção do novo Pavilhão, o esforço para garantir a auto-sustentação das modalidades do Sporting está a dar os seus frutos, com a equipa leonina a lutar pela glória em várias frentes. Mais uma promessa, mais uma conquista deste mandato e mais um motivo para o Sportinguismo ficar feliz.
3º – Criação da Sporting TV

Poderá ser fácil pensar que a criação de uma estação televisiva não deve constar de uma lista de grandes feitos por não ser uma tarefa premente. Contudo, e para o bem de todos os Sportinguistas, Bruno de Carvalho entendeu que esta promessa também deveria ser cumprida e que a família Sportinguista já merecia o seu próprio espaço dentro da caixa magica que revolucionou o Mundo. Quem gosta de acompanhar tudo o que se passa no clube, desde as modalidades aos escalões infantis, recebeu a prenda merecida, já que ela faz jus ao seu próprio slogan: estamos em casa.
4º – O aumento de Associados

Recordo que uma das primeiras medidas adoptadas por Bruno de Carvalho no começo do seu mandato foi a manobra de cativação dos antigos sócios do Sporting que haviam desistido do associativismo leonino. Articulando este gesto com as condições de regresso melhoradas, a campanha resultou na actualização do universo de associados do Sporting Clube de Portugal, que igualmente beneficiou com a chegada dos novos sócios que se fidelizaram ao clube. O sentido crítico de qualquer instituição somente se estabelece com a densidade daqueles que podem decidir o seu destino, e hoje o Sporting é um desses exemplos, configurando um lugar de destaque na tabela de clubes com mais associados no Mundo.
5º – Potencialização da Marca Sporting

São vários os locais do Mundo onde o Sporting já se encontra representado, justificando a sua reconhecida excelência no capítulo da formação. Hoje, e mais do que em qualquer outro momento, os resultados dos vários anos de trabalho pioneiro na matéria são traduzidos pela facilidade de internacionalização da Marca Sporting, culminando na expansão da matriz da sua Academia. Só uma Marca forte e sustentada, como Bruno de Carvalho defende, pode estar à altura dos sonhos de qualquer jovem que ambiciona evoluir com a camisola que Figo e Cristiano vestiram.
6º – Projecto Desportivo

Desde que assumiu a Presidência do Sporting, Bruno de Carvalho escolheu três Treinadores para a equipa principal. Se, porventura, o número de técnicos parece elevado para um ciclo de quatro anos, sugiro que recordemos o número de Treinadores que passaram pelo Clube nos anos que antecederam a chegada do novo Presidente, e talvez pior do que esse número seja a qualidade de alguns deles. Apesar de o objectivo principal ainda não ter sido atingido, a prova da existência de projectos desportivos está na capacidade dos Treinadores que comandaram o Sporting, e, recentemente, na certeza de que nem o insucesso quebrará o que se pretende construir para o futuro. E seria tão fácil preferir desistir.
7º – A arte de Negociar

Estando mais do que estudada a necessidade de os clubes portugueses formarem para vender, havia uma lacuna na maior potência de Formação do País. Embora continuasse a ser o Clube que melhor forma jogadores de topo, o Sporting, por seu turno, pecava no aproveitamento financeiro da venda dos atletas. Embora o sucesso deste processo dependa dos resultados desportivos, a verdade é que a ineficácia leonina neste capítulo deu-nos exemplos infelizes, e não apenas com jogadores provenientes da formação. Redefinindo o paradigma, foi no mandato de Bruno de Carvalho que se registaram as maiores vendas da história do clube, e mesmo nos casos em que o jogador não comprovou o seu valor, o Sporting não ficou a perder – e isto sim é saber negociar.
8º – Aposta na Formação

Ocupou um lugar de destaque no primeiro programa eleitoral e o destaque renova-se no segundo. Ao contrário daquilo que erradamente se ilustra, o Sporting continua a ser o clube que mais e melhor forma jogadores em Portugal, estando a comprovação nas convocatórias das selecções nacionais e – atenção – na própria equipa principal do Sporting. Assim, sempre que a aposta na formação leonina seja colocada em causa, ora culpando a presidência ora condenando o Treinador, proponho que se relembre quantos jogadores do actual plantel são provenientes de Alcochete. Pois.
9º – Revitalização Financeira

Apesar da linguagem inacessível da área financeira, não é preciso ser especialista na matéria para identificar o défice das antigas contas do Sporting. Um clube desprestigiado não consegue ser um clube aliciante para investimento, e os cofres leoninos sofreram com esta regra. Não vale a pena falar do balancete entre o “Activo” e o “Passivo” quando existem dossiês mais prementes para explicar a antiga situação do clube, como por exemplo o facto de alguns colaboradores do Sporting ganharem tanto como alguns jogadores do plantel. A célebre “limpeza” imposta por Bruno de Carvalho passou por esta reorganização estrutural que, em conjunto com as renegociações de dívida, tanto contribuiu para equilibrar a ordem financeira do clube e devolver a credibilidade devida.
10º – O Sportinguismo do Presidente

Quantas vezes já foi ouvida a frase “um Presidente não pode ser um adepto”? Jorge Jesus, há semanas atrás, esclareceu em modo opinativo que não entendia esta observação, cuja generalização apenas se deve ao desespero adversário, típico de quem não está avultado em argumentos. O que enraivece esses críticos não é, na verdade, o Sportinguismo exacerbado de Bruno de Carvalho, mas sim tudo aquilo que ele é capaz de fazer pelo seu clube, ao qual Preside e do qual é adepto. Na vez de tentar impor a Bruno de Carvalho normas de conduta e comportamento eticamente correctos, qualquer bom Sportinguista deve ficar tranquilo por saber que alguém que ama o clube se propôs a liderá-lo.
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