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As boas línguas – e as más também – prodigalizaram a missiva de o CF Os Belenenses elencar o lote dos clubes, não só mais cotados como mais experientes, que povoam o futebol português, exibindo as suas pérolas pelos relvados de norte a sul. Matateu – talvez – seja a forma mais cândida e o cume de tal afirmação: referência autêntica do ataque azul e branco, sinónimo assertivo de golo e ícone do futebol nacional da década de 50. Contudo, o remar da embarcação portadora da Cruz de Cristo afrouxou, a pouco e pouco, a velocidade e o ritmo em direção à ribalta. E dividiu-se em metades assimétricas e incapazes de se lançarem ao mar sob a ação dos mesmos ventos.
O Belenenses SAD manteve o seu posto na liga principal, enquanto que o CF Os Belenenses perfurou o epicentro terrestre e atracou nas distritais. O logótipo sofreu alterações, a parte da massa adepta mais significativa sumiu e – na opinião de alguns – a essência escoou Tejo abaixo. O aparato é recente, mas, investido de uma autoridade (à qual não conheço poder executivo), considero-me capaz de reparar decisões e opinar sobre aptidão para as contratações efetuadas. O plantel não faz sonhar nem alimenta as quimeras dos adeptos, o futebol é trôpego e não se diferencia em posse, velocidade ou veia goleadora e, neste momento, o pé entra em estado de dormência em embates diante dos grandes do nosso futebol.
Ainda assim, destaco a presença de três jogadores que – no meu entender – constituem peças-chave na procura de algo mais que não se cinja à metade superior da tabela classificativa.

Hervé Koffi – Um guarda-redes com uma das maiores margens de progressão do futebol português. Oriundo do LOSC Lille, o internacional pela Burkina Faso é competente entre os postes e astuto nas saídas deles e aos pés dos adversários. No decorrer do campeonato, é possível observar a alternância entre a metamorfose em ave e o regresso à normalidade humana aquando da ductilidade e flexibilidade testadas ao limite. Nota meritória de sinalização para o encontro diante do SL Benfica, no início da temporada: exibição de encher o olho e a aflorar a perfeição, mesmo culminando num desaire. A aposta em André Moreira deve apenas ser realizada por obrigação. Quatro pastéis de Belém!

Show – O nome serve de semente à plantação de capas de jornais impressos e os trocadilhos que daí podem resultar são vastos. A qualidade está lá! O seu jogo pode ser traçado em função da posição 6 e da posição 8, com vantagem para a primeira descrita: o estanque do ataque adversário, ou do contragolpe, é o ponto forte a par da organização e segurança defensiva que confere ao setor mais recuado; a manobra ofensiva requer uma operação mais cuidada e afincada, embora já se denotem pequenas efígies de condução de bola tranquila, aprimoramento da qualidade de passe e maior solicitação da visão de jogo emanada pelo pé direito. O mais promissor centrocampista dos lados do Restelo. Quatro pastéis de Belém!

Mateo Cassierra – estatisticamente, um avançado pouco concretizador e com uma média não tão expectável para ser opção num clube como Belenenses SAD. A minha opinião refuta, em parte, esta tese. A parceria com Licá, na maior parte das vezes, retira-lhe algum protagonismo (e bem!) pelo facto de preencher os requisitos do futebol moderno adaptado: deste modo, Cassierra exulta no papel de criança hiperativa, provoca desgaste e faz oscilar o espetro da paciência dos responsáveis pela sua educação no seio das quatro linhas. Velocidade, técnica com detalhes curiosos e estímulo de jogo com múltiplas transições em profundidade. 3,5 pastéis de Belém!
Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede
Artigo revisto por Diogo Teixeira








