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5 dérbis inesquecíveis na Taça de Portugal | Sporting x Benfica

Rui Alves Maria · 7 min

Sporting Benfica Taça de Portugal
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Sporting e Benfica começam esta quinta-feira a discutir entre si um lugar no Jamor. Vantagem dos leões nos confrontos com as águias na prova rainha do futebol português.  

Está mesmo aí à porta mais um dérbi lisboeta, aquele que é considerado o mais apaixonante do futebol português. Sporting e Benfica vão medir forças nas meias-finais da Taça de Portugal, com a primeira mão a ser disputada esta quinta-feira no Estádio José Alvalade, e a segunda no Estádio da Luz a 3 de abril. Os dois emblemas já se encontraram esta época para o campeonato, com as águias a levarem a melhor sobre os leões, que certamente quererão vingar a derrota na Luz, até pela forma como o filme do jogo se desenrolou, quando ao cair do pano permitiram a reviravolta encarnada.

A Taça de Portugal costuma ser uma tábua de salvação para os três grandes quando nenhum deles consegue ser campeão, e por isso mesmo Roger Schmidt e Rúben Amorim já terão as suas ideias bem definidas para este duelo que pode ter impacto no futuro para qualquer uma das equipas. A luta pelo campeonato nacional está ao rubro entre estes dois gigantes do futebol português, e esta eliminatória da taça promete também ser escaldante, à semelhança dos últimos confrontos entre ambos nesta competição.

Bruno Fernandes e Gedson num Sporting x Benfica para a meia-final da Taça de Portugal
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Sporting e Benfica vão disputar o 38.º dérbi a contar para a Taça de Portugal, com os leões a terem uma ligeira vantagem nos triunfos obtidos em relação às águias, num total de 19 vitórias contra 16 dos encarnados. Até mesmo nos golos marcados o Sporting superioriza-se ao seu eterno rival, com 74 remates certeiros, mais 10 que o clube da Luz. Estes duelos entre Benfica e Sporting são sempre jogados com a máxima paixão e intensidade, independentemente para que competição seja. Recordemos alguns dos melhores dérbis da história na prova rainha do futebol português, troféu que o Benfica já conquistou por 26 vezes e o Sporting 17.

5.

Sporting 2-1 Benfica – Final 1974 – Foi a sexta final entre os dois maiores rivais de Lisboa e a quarta nos últimos quatro anos, em que o Benfica venceu duas Taças de Portugal e o Sporting apenas uma.

Os encarnados foram melhores na primeira parte e chegaram à vantagem por Nené. No segundo tempo, os leões equilibraram a partida, mas não conseguiam concretizar. E quando todos pensavam que o Benfica ia erguer mais um troféu, Chico Faria fez o empate a um minuto dos 90, o que provocou uma autêntica invasão de campo por parte dos adeptos verde e brancos, situação algo normal naqueles tempos, mas impensável nos dias de hoje.

O encontro foi para prolongamento e o tento que deu a Taça de Portugal ao conjunto orientado por Mário Lino surgiu aos 107 minutos, por intermédio de Marinho, e que resultou em nova invasão ao terreno de jogo por parte do público afeto aos leões.

4.

Benfica 4-3 Sporting – 4.ª eliminatória 2013 – Decorria a época 2013/2014 e o sorteio da quarta eliminatória da Taça de Portugal ditou que leões e águias se defrontassem ainda numa fase precoce da competição. O Benfica era comandado por Jorge Jesus e o Sporting por Leonardo Jardim.

As quase 50 mil pessoas presentes no Estádio da Luz não deram por mal empregue o seu dinheiro e assistiram a um grande espetáculo de futebol. Óscar Cardozo, de livre direto, foi o primeiro a abanar as redes e começava aqui uma noite de sonho para o avançado paraguaio. Diego Capel, depois de um excelente cruzamento de Wilson Eduardo, empatou para os leões aos 37 minutos. O Sporting voltou a equilibrar a partida, mas à beira do intervalo, e num espaço de três minutos, Cardozo fez mais dois golos e colocou o Benfica a vencer por 3-1. O número sete das águias estava endiabrado e muitos devem ter pensado que a questão da eliminatória estava resolvida.

O segundo tempo trouxe um leão ferido e a procurar reduzir a desvantagem no marcador, o que acabou por acontecer, por Maurício, na sequência de um pontapé de canto. A vantagem mínima dos encarnados durou até ao minuto 90, altura em que Islam Slimani gelou as bancadas da Luz e decidiu levar o jogo para prolongamento. E logo nos primeiros minutos surgiu o lance que decidiu o encontro. Após um lançamento lateral para a área leonina, Luisão cai, e na queda, a bola bate-lhe na cabeça, que, sem querer, coloca-a por entre as pernas de Rui Patrício. Um golo caricato, mas que acabou por fazer o Benfica seguir em frente na prova.

3.

Benfica 3-2 Sporting – Final 1972 – A final da Taça de Portugal de 1972 foi uma das melhores finais disputadas entre Benfica e Sporting. Foi uma partida emocionante do princípio ao fim e com grandes intérpretes de ambas as equipas, com destaque para Héctor Yazalde, do lado dos leões, e Eusébio, do lado das águias.

O Pantera Negra foi mesmo o homem do jogo, ao fazer os três golos com que o Benfica derrotou o Sporting. O número 10 encarnado abriu o ativo aos 19 minutos e foi preciso esperar pela segunda parte para vermos novamente a bola dentro de uma das balizas. Fernando Peres reduziu de grande penalidade e dez minutos depois Dinis colocou o conjunto leonino na frente do marcador, com um forte remate à entrada da área.

Cabia agora ao treinador encarnado Jimmy Hagan mudar o rumo dos acontecimentos e Eusébio fez-lhe a vontade, com o tento do empate a 20 minutos do fim. Foi preciso o prolongamento e, mais uma vez, a veia goleadora de Eusébio veio ao de cima, ao marcar um golaço de livre direto. O Benfica levou o caneco para casa, mas o Sporting foi um digno vencido.

2.

Sporting 5-3 Benfica – Meias-finais 2008 – Sporting e Benfica estavam a 90 minutos da final do Jamor (ainda não se jogava as meias-finais a duas mãos) e o Estádio José Alvalade foi palco de mais um jogão entre os dois maiores emblemas da capital.

O Benfica entrou forte no jogo e adiantou-se no marcador, num golo construído por dois jogadores, que, curiosamente, a relação atual entre ambos é de chefe e empregado. Rui Costa, agora presidente dos encarnados, atirou para dentro da baliza verde e branca, após bela combinação com Di María, esta época de volta à Luz, aqui ainda a dar os primeiros passos de águia ao peito. O Benfica estava por cima do encontro e à passagem da meia hora aumentou a vantagem para 0-2, num excelente golpe de cabeça de Nuno Gomes.

O intervalo parece ter feito mal aos jogadores encarnados, que nos balneários já deveriam estar a pensar na final. Excesso de confiança ou não, o certo é que o Sporting apareceu transfigurado no segundo tempo e foi com tudo para cima das águias. As oportunidades iam surgindo, mas só aos 68 minutos aconteceu o golo que fez renascer a esperança da equipa treinada por Paulo Bento.

Yannick Djaló reduziu a desvantagem e havia ainda mais 20 minutos para virar o resultado. Liedson empatou ao minuto 76 e instantes depois Derlei fez o 3-2, numa demonstração de raça e querer. A águia parecia estar morta, mas ainda deu sinal de vida com mais um tento, através de Cristián Rodríguez.

Era a fase mais louca do desafio, mas o leão estava mesmo insaciável e logo a seguir quis acabar com as dúvidas em relação ao finalista da Taça de Portugal. Yannick Djaló bisou com um grande golo e a estocada final pertenceu a Simon Vukcevic, numa altura em que o Benfica se lançou desesperadamente para o ataque, mas sem sucesso. O Sporting foi um justo vencedor deste grande jogo, onde o Benfica acabou por pagar caro o excesso de confiança da vantagem obtida na primeira parte.

1.

Benfica 3-3 Sporting (7-6 gp) – Oitavos de final 2005 – No dia 26 de Janeiro de 2005, Benfica e Sporting protagonizaram mais uma electrizante partida de futebol.

Ainda nem cinco minutos decorriam e a formação comandada por Giovanni Trapattoni já se adiantava no marcador. Livre de Simão Sabrosa ao poste e Geovanni na recarga a faturar. O jogo prometia e volvidos 10 minutos foi a vez do conjunto treinado por José Peseiro empatar, num grande golo de Hugo Viana. Ainda os jogadores encarnados estavam a recompor-se do golo sofrido, e Liedson, sem dó nem piedade, aproveitava para colocar os leões em vantagem.

Os golos surgiam a um ritmo frenético e a igualdade do Benfica não foi exceção, com Geovanni a empurrar novamente a bola para dentro da baliza de Tiago, depois de mais um livre direto a favor das águias. Durante o resto dos 90 minutos as ocasiões de golo sucediam-se numa baliza e na outra, mas o empate durou mesmo até ao final do tempo regulamentar, com a necessidade de mais meia hora para se encontrar o vencedor. Golos, só na segunda parte do prolongamento. E que golos.

Primeiro, num grande momento de inspiração de Paíto. O defesa moçambicano ganhou uma bola ainda na sua defesa, correu, passou por João Pereira, correu mais um pouco, fez um túnel delicioso a Luisão e atirou para o terceiro dos leões. Mas se é para marcar grandes golos, chamem o Simão Sabrosa, que ele também sabe como se faz. O capitão do Benfica restabeleceu o empate num potente remate de fora da área e levou a decisão da eliminatória para as grandes penalidades.

Aí, os encarnados foram mais felizes e venceram por 7-6, e avançaram para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Se há jogos em que nenhuma das equipas merecia perder, este é um deles.

Rui Alves Maria

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