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Agora que ainda estamos nesta pausa das competições nacionais e a equipa leonina atravessa uma fase menos boa, é inevitável não falar das escolhas de José Peseiro. E atenção, estas decisões não se confinam às listas de convocados ou às substituições feitas “sobre a marcha”. O técnico leonino já teve que tomar decisões (e muitas) durante o período de pré-época e é sobre algumas dessas opções que me irei debruçar neste texto, mais concretamente, sobre a política de empréstimos do Sporting CP durante a atribulada pré-época deste ano.
Será que os jogadores emprestados estão a ter o tempo de jogo que desejavam? Será que foram emprestados a equipas que podem possibilitar-lhes um bom desenvolvimento? Qual o jogador em melhor plano? E será que alguns desses jogadores preteridos, não poderiam estar a dias de hoje no plantel do Sporting CP? Ao longo destas linhas iremos constatar o rendimento de alguns desses jogadores que andam a rodar noutras latitudes e desta forma tentar obter algumas respostas.
Numa altura em que o Sporting CP se vê com poucas soluções válidas para o imediato, para poder fazer frente a algumas ausências ou até para simplesmente poder mostrar algo de novo sobre o relvado, a formação de Alvalade encontra um “fundo de armário” vazio. É inevitável fazer este exercício de reflexão e pensar nos jogadores que se encontram cedidos a outros clubes quando o plantel de José Peseiro parece não oferecer as garantias necessárias para poder lutar, de igual para igual, com os seus rivais pelo título. Será que algumas dessas lacunas poderiam ser colmatadas com o regresso de alguns desses jogadores já em Janeiro? E quais deles?
6.

Domingos Duarte – O central de 23 anos tem tido um desenvolvimento sólido, com passos seguros na carreira. Depois de se impor em todos os escalões jovens do Sporting CP, de passagens com sucesso na Primeira Liga e de muitos minutos somados tanto n’Os Belenenses SAD como no GD Chaves, Domingos Duarte tem mostrado toda a qualidade que lhe era vaticinada. Este ano ainda fez a pré-temporada com o Sporting CP mas a chegada de Marcelo reduziu-lhe o espaço de manobra e o jovem central acabou cedido ao RC Deportivo da Corunha.
Domingos Duarte tem sido um dos destaques da equipa galega graças à autoridade exibida a nível defensivo mas a forma limpa como sai a jogar e o seu à vontade com a bola nos pés também têm sido nota de destaque no país vizinho. O defesa central impôs-se desde cedo no histórico do futebol espanhol que este ano disputa a Segunda Divisão: por agora leva nove jogos como titular em outros tantos possíveis e só não é totalista porque frente ao Extremadura UD saiu lesionado aos 59 minutos. A isto, Domingos Duarte soma ainda um golo marcado e é um dos “culpados” pelo início seguro do Depor (quinto lugar a quatro pontos do primeiro), já que a equipa galega é uma das menos batidas neste início de campeonato. Parece cada vez mais uma certeza no futuro leonino mas e no imediato, seria capaz de bater a concorrência de Marcelo e André Pinto como terceiro central?
5.

Jonathan Silva- A lateral esquerda tem sido um quebra-cabeças para José Peseiro neste início de temporada, no entanto o jovem argentino tem-se mostrado em bom plano ao serviço do CD Leganés, na La Liga. O lateral esquerdo de 24 anos soma sete jogos em oito possíveis e em todos eles disputou a totalidade dos 90 minutos. O já internacional argentino conta ainda com um golo marcado e com uma assistência, um bom reflexo da sua capacidade ofensiva.
Porém, em Alvalade, Jonathan Silva era visto como uma promessa que tardava em afirmar-se e nunca convenceu plenamente. O seu estilo de jogo atabalhoado e, às vezes, excessivamente impetuoso, nunca foram bons argumentos de apresentação. Ainda assim, o jovem argentino tem diversas valências que não o deixam ficar atrás de nomes como Jefferson ou Lumor, ambos jogadores que ficaram no plantel de José Peseiro. Poderia Jonathan Silva ser uma alternativa mais viável a Acuña, quando necessário, durante esta temporada?
4.

João Palhinha- O empréstimo do médio defensivo de 23 anos foi uma decisão pouco consensual entre a massa adepta leonina. Palhinha continua a ser uma esperança verde e branca mas nunca encontrou em Alvalade a sequência de jogos que precisa neste patamar do seu desenvolvimento. Desta forma rumou a Braga à procura de minutos sob o comando de um treinador que o conhece bem. O seu impacto foi instantâneo, chegou ao Minho, realizou três jogos a um excelente nível para o campeonato, contribuindo ainda com um golo e uma assistência. Um registo deveras interessante para um número 6 declarado. João Palhinha é um jogador muito forte fisicamente, que joga simples mas ainda com algumas lacunas, principalmente, na construção de jogo. O jovem formado em Alcochete destaca-se ainda por ser imponente nos duelos e no jogo aéreo mas, acima de tudo, pelo equilíbrio defensivo que é capaz de oferecer à equipa, algo que tem faltado ao Sporting CP de José Peseiro.
Ultimamente o jovem português tem perdido o lugar para Claudemir mas ainda assim, as suas boas prestações no Minho levaram muitos sportinguistas a questionar o seu empréstimo quando em contrapartida ficaram no plantel jogadores como Petrovic e Misic, que pouco ou nada têm acrescentado ao futebol leonino, e o próprio Battaglia tem estado muitos furos abaixo do que já nos habituou na época passada. Que papel poderia assumir Palhinha neste Sporting CP 2018/19?
3.

Francisco Geraldes- Este foi um dos grandes temas de discussão no universo leonino. O jovem criativo cimentou o seu jogar no Rio Ave FC de Miguel Cardoso e o seu futuro parecia delineado, o seu lugar no plantel principal do Sporting CP parecia um dado adquirido. No entanto, deu-se um volte-face nos acontecimentos e depois de uma pré-época em bom plano, parece que ele e Peseiro não estavam de acordo quanto à preponderância que o talentoso médio ia assumir no plantel verde e branco e a saída por empréstimo para o Eintracht Frankfurt e.V. foi a solução. Porém, esta também não foi uma escolha acertada… Por terras germânicas, as coisas não correm de feição a Geraldes: nos primeiros jogos não se sentou nem no banco de suplentes e agora está a contas com uma lesão nas costas que o tem afastado dos relvados por longas semanas e desta forma o criativo ainda não disputou qualquer minuto e o seu desenvolvimento está estagnado.
Contudo, é no mínimo questionável se Chico Geraldes não seria útil para assumir a batuta do futebol ofensivo leonino quando Bruno Fernandes não o consegue fazer ou até para ser mais uma solução para encontrar caminhos para a baliza adversária. Criatividade, visão de jogo, inteligência e boa capacidade de decisão e execução são algumas das características de Geraldes e que tanta falta fazem a um Sporting CP sem ideias como o que se tem visto até agora.
2.

Matheus Pereira- O irreverente extremo viveu uma situação semelhante à de Geraldes e um desentendimento com Peseiro, já com a época a decorrer, levou a um extremar de posições tal que acabou cedido ao FC Nurnberg, equipa recém-promovida à Bundesliga. Integra agora uma equipa com objetivos completamente diferentes dos do Sporting CP e num contexto mais difícil para explorar os seus melhores atributos. Lá Matheus Pereira ainda só somou 110 minutos de competição, sendo titular duas vezes mas acabando sempre por ser substituído. O talentoso extremo de 22 anos ainda procura adaptar-se ao futebol germânico para poder oferecer a sua melhor versão.
Observando agora o que tem sido a preponderância dos extremos leoninos vemos que Nani e Raphinha têm dado bem conta do recado e quando é preciso agitar o jogo, Jovane Cabral tem sido decisivo. Ainda assim, parece óbvio que o irrequieto extremo made in Alcochete tinha tudo para integrar o plantel e ser mais uma unidade capaz de desequilibrar na frente de ataque e decidir jogos com a sua imprevisibilidade inata e o seu fantástico pé esquerdo. A tudo isto, quem são os maiores prejudicados? O próprio Matheus Pereira e o Sporting CP, pois claro.
1.

Gelson Dala- O franzino avançado tem sido, dos jogadores emprestados pelos leões, aquele que está brilhar acima dos demais. O internacional angolano tem sido um nome constante no onze inicial de José Gomes no Rio Ave FC e Dala tem correspondido com bom futebol e golos, aquilo que mais se exige a um avançado. Gelson Dala, talvez a maior promessa do futebol angolano atualmente, soma pela equipa vila-condense onze jogos, quatro golos e três assistências. A estes números podem acrescentar-se mais três jogos e dois golos com a camisola da seleção angolana, a contar para a qualificação para a CAN. Esta temporada pode ser a de afirmação do talentoso africano no futebol português e com números destes ninguém fica indiferente a Gelson Dala.
Com Castaignos unicamente a “fazer número” no plantel, Diaby ainda em plena fase de adaptação e Bas Dost no “estaleiro”, Gelson Dala começa a abrir o seu espaço num plantel onde Montero tem sido o único avançado digno desse nome. Poderá o irrequieto avançado regressar ao Sporting CP já em Janeiro?
Foto de Capa: Sporting CP
Artigo revisto por: Beatriz Silva











