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A inter-relação das espécies: Clubismo versus Falta de carácter

Nuno Almeida · 3 min

A inter-relação das espécies: Clubismo versus Falta de carácter
Galaz Pimenta: O antigo defesa leonino foi dos últimos a "sofrer" deste síndrome ridículo Fonte: Sporting Canal

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Várias glorias do futebol têm falecido nos últimos tempos, algo que os jornais desportivos costumam dar o respectivo ênfase. É normal e compreensível, meritório até.

No entanto, e tratando-se de futebol, como é costume isto traz sempre associado uma doença patológica que revela sintomas como egoísmo, raiva e desrespeito.

Há quem apelide de “clubismo”, o que considero simplesmente uma definição redutora de má formação pessoal de algumas pessoas.

Porque para mim, “clubismo” é amar o seu clube e defendê-lo contra tudo e todos. Clubismo é considerar que só existe um clube – o seu – e que os outros são meros acessórios. Não acho que isso seja mau, porque em determinados momentos todos nós que adoramos o nosso clube teremos momentos desses… muitos momentos desses até.

Galaz Pimenta
Uma das últimas vitímas desta falta de carácter foi Galaz Pereira, antigo defesa do Sporting
Fonte: Sporting Canal

Há então os que sofrem de “clubismo”, os que não sofrem com futebol (poucos), e os outros tais que só são mal formados. Não estou a falar de mal formação física, é mesmo de carácter.

Quero então chegar ao momento em que “pessoas” (vamos considerá-los isso apenas e somente por mero comodismo) ao lerem que alguém desapareceu, alguém reconhecido como sendo sportinguista, fazem comentários do tipo: “quem era o animal?”, “olha, menos um que vai passar a vida a perder campeonatos”, ou até a que mais me tocou o coração: “Só morreu um? Deviam ter morrido todos”.

A este último comentário, e ao seu autor, espero sinceramente que em alguma realidade paralela isso se torne realidade e que um dos seus antecessores seja efectivamente Sportinguista. Talvez porque assim também se tivesse perdido algumas “pérolas” como estas.

O meu problema, no entanto, nem é ver adeptos de outros clubes a ter este tipo de reacção (até porque cada espécie terá lá os seus hábitos/costumes, e há valores que vivem e morrem com cada um), é ver supostos sportinguistas adoptarem o mesmo modus operandi (agora sou eu e o meu “clubismo”).sporting cp cabeçalho 2

Bem sei que todo este mundo da Internet é propício a dar voz a todos – até a mim – e em que todos são poderosos, donos da verdade, uns tremendos Charlie Hebdo de trazer por casa; porque só há liberdade de expressão quando são eles a expressar-se, mas pensem que esta era do “vale tudo” tem criado mimos como “Estados Islâmicos” e/ou Donald Trump’s.

Sei que enquanto houver este mundo virtual as pessoas vão continuar a comportar-se como “cães raivosos” à procura de uma vitima para despejar a sua raiva, angústias e frustrações do seu dia-a-dia.

Cabe agora aos “outros” dar-lhes a relevância que eles merecem. Nenhuma. Eles alimentam-se da importância que lhes damos e sem ela “morrem”.

Mas que o seu “falecimento” não leve ninguém a fazer comentários da mesma índole que descrevi acima. Digam antes “era tão boa pessoa”, algo que cai sempre bem.

Talvez dois dos mais apetecíveis alvos para quem sofre desta "doença" Fonte: Sporting CP
Talvez dois dos mais apetecíveis alvos para quem sofre desta “doença”
Fonte: Sporting CP

Aos que virão desejar o meu “falecimento“ e aos que já o desejaram aqui, devo só informar que já esteve mais longe (Lei de La Palisse). “Ah, mas já devia ter sido!” A esses peço para terem alguma calma, que depressa e bem não há quem…

Já agora, estou a contrariar o que aqui escrevi; que é o facto de lhes dar importância falando deles. No entanto será uma vez sem repetição.

Alimentei agora, para os deixar “morrer” de “fome” por muito muito tempo.

Espero que todos façam o mesmo. Sofram mais de clubismo, e menos de mau carácter.

Foto de Capa: Sporting CP

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos