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Várias glorias do futebol têm falecido nos últimos tempos, algo que os jornais desportivos costumam dar o respectivo ênfase. É normal e compreensível, meritório até.
No entanto, e tratando-se de futebol, como é costume isto traz sempre associado uma doença patológica que revela sintomas como egoísmo, raiva e desrespeito.
Há quem apelide de “clubismo”, o que considero simplesmente uma definição redutora de má formação pessoal de algumas pessoas.
Porque para mim, “clubismo” é amar o seu clube e defendê-lo contra tudo e todos. Clubismo é considerar que só existe um clube – o seu – e que os outros são meros acessórios. Não acho que isso seja mau, porque em determinados momentos todos nós que adoramos o nosso clube teremos momentos desses… muitos momentos desses até.

Fonte: Sporting Canal
Há então os que sofrem de “clubismo”, os que não sofrem com futebol (poucos), e os outros tais que só são mal formados. Não estou a falar de mal formação física, é mesmo de carácter.
Quero então chegar ao momento em que “pessoas” (vamos considerá-los isso apenas e somente por mero comodismo) ao lerem que alguém desapareceu, alguém reconhecido como sendo sportinguista, fazem comentários do tipo: “quem era o animal?”, “olha, menos um que vai passar a vida a perder campeonatos”, ou até a que mais me tocou o coração: “Só morreu um? Deviam ter morrido todos”.
A este último comentário, e ao seu autor, espero sinceramente que em alguma realidade paralela isso se torne realidade e que um dos seus antecessores seja efectivamente Sportinguista. Talvez porque assim também se tivesse perdido algumas “pérolas” como estas.
O meu problema, no entanto, nem é ver adeptos de outros clubes a ter este tipo de reacção (até porque cada espécie terá lá os seus hábitos/costumes, e há valores que vivem e morrem com cada um), é ver supostos sportinguistas adoptarem o mesmo modus operandi (agora sou eu e o meu “clubismo”).
Bem sei que todo este mundo da Internet é propício a dar voz a todos – até a mim – e em que todos são poderosos, donos da verdade, uns tremendos Charlie Hebdo de trazer por casa; porque só há liberdade de expressão quando são eles a expressar-se, mas pensem que esta era do “vale tudo” tem criado mimos como “Estados Islâmicos” e/ou Donald Trump’s.
Sei que enquanto houver este mundo virtual as pessoas vão continuar a comportar-se como “cães raivosos” à procura de uma vitima para despejar a sua raiva, angústias e frustrações do seu dia-a-dia.
Cabe agora aos “outros” dar-lhes a relevância que eles merecem. Nenhuma. Eles alimentam-se da importância que lhes damos e sem ela “morrem”.
Mas que o seu “falecimento” não leve ninguém a fazer comentários da mesma índole que descrevi acima. Digam antes “era tão boa pessoa”, algo que cai sempre bem.

Fonte: Sporting CP
Aos que virão desejar o meu “falecimento“ e aos que já o desejaram aqui, devo só informar que já esteve mais longe (Lei de La Palisse). “Ah, mas já devia ter sido!” A esses peço para terem alguma calma, que depressa e bem não há quem…
Já agora, estou a contrariar o que aqui escrevi; que é o facto de lhes dar importância falando deles. No entanto será uma vez sem repetição.
Alimentei agora, para os deixar “morrer” de “fome” por muito muito tempo.
Espero que todos façam o mesmo. Sofram mais de clubismo, e menos de mau carácter.
Foto de Capa: Sporting CP













