«A maior mágoa da minha vida é nunca ter tido uma oportunidade no Sporting» – Entrevista BnR com Fábio Paím

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«A pessoa que sou hoje devo-o ao Sporting, para o bem e para o mal»

Bola na Rede: Estreias-te como profissional em 2007, por empréstimo do Sporting, no Olivais e Moscavide. O que te disseram antes de seres emprestado?

Fábio Paím: Disseram-me que já não podia fazer parte da equipa de juniores porque estava a estragar o grupo. Mas foram eles que me criaram; a pessoa que sou hoje devo-o ao Sporting, para o bem e para o mal. Tudo o que consegui foi graças ao Sporting, onde cheguei com sete anos. Sou sportinguista até hoje, amo o Sporting e estou eternamente grato, mas não conseguiram acompanhar-me, a nível humano, na transição de miúdo para homem. Eles “fizeram-me” para ser profissional e eu estava preparado para jogar na equipa principal. Não aconteceu, por vários motivos, inclusive erros meus. Mas quem me formou foram eles. Voltando à tua pergunta, disseram-me que tinha de ser emprestado porque já não estava a fazer nada nos juniores. Na minha opinião, mais ninguém vai conseguir igualar o que eu fiz nos escalões de formação. As pessoas têm esta mágoa e eu também. Mas eu sou Sporting.

Bola na Rede: Quais foram as principais dificuldades que sentiste no futebol profissional?

Fábio Paím: Foram os mais velhos, que não queriam reconhecer o talento a quem chega. Mas, pela minha maneira de ser, eu não queria saber. Não admitia faltas de respeito. Sabes como são os mais velhos no futebol…eu com 17 anos já tinha um bom ordenado, se calhar infelizmente. Apesar de tudo mantenho boa relação com toda a gente e, para ser sincero, não senti grandes dificuldades na transição. A minha maneira de ser é que me dificultou em muita coisa.

Bola na Rede: Por falares em mais velhos, no Trofense coincides com o já veterano Idalécio. Há pouco tempo, disse-nos sobre ti Ele tinha de facto muita qualidade (…) mas faltou-lhe apoio”. Eram os treinadores que não te percebiam ou o contrário?

Fábio Paím: É muito difícil conviveres com jogadores e treinadores conceituados. Eu era uma criança com muita qualidade, mas com falta de muita coisa. O Idalécio, quando cheguei ao Trofense, era um capitão com muito nome e muita moral, mas era alguém diferente. É alguém mais velho, mas com espírito jovem. Convivi com a sua família, na sua casa e é um amigo. Havia quem não gostasse disso. Como te disse, eu era um miúdo imaturo que estava a chegar ao mundo dos grandes e eu próprio compliquei a minha vida. Queria divertir-me… os mais velhos também o faziam, mas de maneira esperta. Assumo sem problema: fui eu quem rebentou com a minha carreira, mas quem estava por trás não soube ajudar-me.

Bola na Rede: O Trofense acaba por ser campeão, mas tu mudas-te para Paços de Ferreira.

Fábio Paím: Fiz quase todos os jogos, joguei quase todos os minutos, marquei golos… fui muito importante na subida do Trofense. Mas o que sai nos jornais? Que não era profissional, que não era jogador para fazer a pré-época no Sporting, que era tudo de mau. Não faço os dois últimos jogos – a subida já estava garantida –, não recebo o título de campeão da Segunda Liga e vou para Paços de Ferreira. A minha pergunta é porque é que não faço a pré-época no Sporting? Porquê?

Bola na Rede: Nunca te foi dada uma justificação para não teres feito uma pré-época no Sporting?

Fábio Paím: Não tinham de dar-me justificação. É a mesma coisa que trabalhares numa loja: o patrão faz o que quer. A maior mágoa da minha vida é nunca ter tido uma oportunidade no Sporting. E as pessoas que não me deram essa oportunidade sentem-se culpadas.

Bola na Rede: Referes-te a Paulo Bento?

Fábio Paím: Não vou dizer nomes. Fui importante para o Sporting e vou ser sempre importante para o Sporting.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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