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No futebol de hoje em dia os valores são todos calculados na base dos milhões. As transferências e os ordenados atingem valores que não passam indiferentes a ninguém enquanto que os empresários e os clubes apresentam facturações que deixam a maior parte das empresas de qualquer outro sector a salivar. Este é o novo Mundo do futebol; um mundo acima dos seis dígitos, que influencia milhões de pessoas e movimenta milhões de euros.

Neste mundo luxuoso, os clubes já não se podem dar ao luxo de funcionarem apenas como clubes. Têm de pensar empresarialmente e de facto já o fazem. Os modelos de gestão implicam preocupações constantes com o equilíbrio das contas e da balança comercial.

Contudo, pela Europa fora o futebol português continua a ser menosprezado e muitas das grandes equipas europeias encaram como um “alívio” o facto de lhes calhar um clube português como adversário. No entanto, são esses grandes clubes que cobiçam os jogadores das equipas nacionais. Por muito que nos menosprezem, são inegáveis todos os brilhantes contributos que o sangue lusitano já deu ao Mundo do futebol, tanto em jogadores como em treinadores e equipas.

Mas o problema português no futebol dos milhões reside no facto de continuarmos a ser um país com poucos dígitos, tanto demograficamente como financeiramente, incapazes de competir economicamente com os grandes tubarões do futebol europeu. Mesmo assim a história tem vindo a provar-nos que o dinheiro atrai jogadores mas não quer dizer que construa equipas. Quando chegamos a esta conclusão, e face à realidade portuguesa, na minha opinião só há mesmo um caminho a seguir: a formação.

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Como é do senso comum o Sporting CP tem das melhores academias de formação do mundo. Este é também um facto inegável e, apesar de o presidente Bruno de Carvalho já ter dito que o objectivo é apostar na formação, podemos correr o risco de passá-lo para segundo plano, jogando pelo seguro e beneficiando com a experiência de jogadores estrangeiros e mais velhos. E é num clube como o Barcelona que está o segredo daquilo que deve ser feito no Sporting CP. Um puro investimento na formação, criando não só uma identidade e um espírito de leão desde as camadas mais jovens como também um modelo e uma filosofia de jogo transversal a todos os escalões. Isto implicará que os vários treinadores estejam em permanente contacto e sintonia, para que a integração e a adaptação dos jogadores mais jovens em escalões superiores seja feita harmoniosamente.

Os futuros melhores jogadores do Mundo têm de estar aqui Fonte: Sporting CP
Os futuros melhores jogadores do Mundo têm de estar aqui
Fonte: Sporting CP

Claro que ter este objectivo é um projecto ambicioso, que só pode ser alcançável a longo prazo, mas não é por isso que deixo de acreditar ser o caminho correcto para o Sporting CP e para o futebol português. Se queremos ganhar o maior número de competições, inclusive europeias, e não temos dinheiro para ir buscar os melhores do Mundo, temos de criá-los e fazer o máximo possível para mantê-los. Mais do que os melhores jogadores do mundo, têm de ser formadas as melhores equipas do Mundo. Isto requer o desenvolvimento das capacidades físicas, técnicas, tácticas e psicológicas nos nossos jogadores, desde que calçam as primeiras chuteiras até que as arrumam de vez.

Isto é o que o Barcelona tem de admirável, e que, passados tantos anos a desenvolver um modelo assim, tornou as suas equipas nos adversários mais temíveis do mundo do futebol. É o contrário de equipas como PSG, Manchester City e United, Chelsea e Real Madrid, em que, quando a equipa não rende, se gastam os milhões e a equipa continua sem render. É o mesmo com o FC Porto, que gastou os seus milhões mas perdeu a sua identidade. Esta parece-me ser a ambição do Presidente Bruno de Carvalho e eu espero que consiga realizá-la em prol de um futuro brilhante para o Sporting CP.

Garantida a qualidade interna das equipas, começam a entrar os milhões da FIFA, o que permitirá segurar os jogadores mais importantes e fundamentais, sendo que gastos em reforços poderão ser apenas pontuais e para posições essenciais. Isto porque eu não quero mais Boulahrouz e Onyewus, quero mais Rubens Semedos, Tobias Figueiredos e Domingos Duartes; não quero mais Evaldos e Pranjics, quero mais Cédrics Soares, Mauros Riquichos e Ricardos Esgaios; não quero mais Schaars nem Elias, quero mais Adriens, Joões Mários, Franciscos Geraldes, Williams e Zezinhos, ou até Ryans Gaulds. Não quero mais Carrillos; eu quero o Iuri Medeiros ou mais Matheus Pereiras e Daniel Podences.

Muitos outros ficaram por dizer mas creio que consegui transmitir a minha ideia. Concluo da seguinte forma. Para o futuro do Sporting eu não quero mais Gelsons Fernandes; quanto aos únicos Gelsons que eu quero, os sportinguistas hão-de saber quais são.

Foto de Capa: Sporting CP