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Afinal de quem é a culpa?

Guilherme Anastácio · 4 min

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Infelizmente, e por muito que nos custe, a época voltou a não correr nada bem para o nosso clube. Foram problemas atrás de problemas que em nada beneficiaram o nosso grande amor e o prejudicado foi sempre o mesmo: o Sporting Clube de Portugal. Assim, é fundamental respondermos a uma questão chave: afinal, de quem é a culpa?

Comecemos pela verdadeira essência e pela verdadeira força do Sporting Clube de Portugal: os adeptos. Somos, sem qualquer sombra de dúvida, os melhores adeptos do mundo. Todavia, este ano não o demonstrámos ao longo de toda a época. Com ou sem razão, este ano o nosso comportamento não foi exemplar (e não, não vou falar daqueles 50 adeptos que invadiram Alcochete e atacaram aqueles que nos defendem, bem ou mal, todos os jogos. É mau demais para ser sequer escrito num tópico que aborda o comportamento de quase três milhões de adeptos.). Os assobios? Fazem parte e muitas das vezes até são justos. Agora, há comportamentos, a meu ver, inaceitáveis. Pedir a demissão do Presidente em pleno Estádio de Alvalade (recuemos ao jogo em casa frente ao Paços de Ferreira logo após o jogo em Madrid) ou insultar os jogadores em praça pública é algo totalmente descabido. As assembleias gerais existem por algum motivo e são o lugar ideal para qualquer sócio se manifestar: insultos e pedidos sem nexo nada trazem ao nosso clube e só oferecem matéria de gozo aos outros; sejamos o suficientemente racionais para debater assuntos sérios nos respetivos lugares.

Em suma, gostaria apenas de reiterar que somos, de facto, os melhores adeptos do mundo. Fazer deslocações por toda a Europa, encher estádios de norte a sul do país, estar sempre presente em Alvalade ou pagar quotas todos os meses custa (e muito!) mas por ti, Sporting, tudo vale a pena! Contudo, isso não nos dá legitimidade para assumir qualquer tipo de comportamento: se marco presença para insultar os representantes do meu clube, mais vale ficar em casa.

Um autêntico leão- adotou sempre uma postura exemplar e é o menos culpado nisto tudo
Fonte: Bola na Rede

Continuemos e avancemos para aqueles que deviam dar a vida por nós: os jogadores. Ao contrário dos adeptos, os jogadores têm uma quota parte de culpa bastante elevada naquilo que foi o comportamento da equipa ao longo da época. Alguém, por favor, que explique o conceito de “atitude” aos jogadores. É demasiado mau ver um William Carvalho que só corre nos jogos da Champions. É demasiado mau ver um Coates e um Mathieu a oferecem golos ao Atlético de Madrid. É demasiado mau ver um jogo contra o Marítimo em que ninguém mostrou o mínimo de vontade em vencer a partida. Nem tudo é mau (não dá para fazer uma estátua, por exemplo, ao Bruno Fernandes e ao Battaglia), mas, digam o que disserem, a falta de entrega e acima de tudo de paixão foi mais do que notória e em nada facilitou a vida ao Sporting Clube de Portugal, antes pelo contrário. O pior disto tudo? É, certamente, termos vistos, na mesma época, jogos fantásticos contra a Juventus e jogos vergonhosos contra o Marítimo ou contra o Vitória Futebol Clube. Como é que se explica isto? A mentalidade dos jogadores não é nem o Sporting nem muito menos o agradecimento aos adeptos.

Falemos agora do líder dos jogadores – Jorge Jesus. Deixemos de lado a análise ao trabalho tático e foquemo-nos naquilo que foi a postura do treinador ao longo da época. Se há alguém que é isento de culpas, esse alguém é Jorge Jesus. Foi o único que não se pôs com comunicados a atacar algo ou alguém (ao contrário dos jogadores e do presidente). Reinou-se sempre pela consciência e pelo bom senso (podíamos aprender todos alguma coisa com o Míster) e, ao contrário de todos os outros, foi o único que teve um só pensamento: o bem do Sporting Clube de Portugal. Ao fim ao cabo, é dos poucos que merece verdadeiramente continuar a representar o nosso clube. Manteve sempre um pé firme nas suas intenções e adotou uma postura quase neutral: defendeu os jogadores, mas nunca atacou Bruno de Carvalho. Desenganem-se aqueles que achavam que Jorge Jesus era um treinador que só percebia de bola e que tinha muito pouco de lado humano. Ficou provado que Jorge Jesus é muito mais do que um mero treinador: é um homem sério e com comportamentos devidos.

Um autêntico leão- adotou sempre uma postura exemplar e é o menos culpado nisto tudo
Fonte: Bola na Rede

Terminemos com aquele que foi, na minha opinião, o principal culpado – o presidente Bruno de Carvalho. Tudo começou a “descambar” quando na Assembleia Geral mais participada de sempre o presidente de um dos maiores clubes da Europa disse que os sportinguistas não podiam sequer ler jornais ou ver televisão. Depois, foi o comunicado em pleno Facebook a atacar quase todos os jogadores após a derrota em Madrid. O presidente devia ter comunicado com os jogadores? Sim! Devia tê-lo feito numa rede social? Nunca! Bruno de Carvalho já deveria saber filtrar aquilo que pode sair dum balneário daquilo que tem de ficar no seio do plantel. Hoje, e não só por isso, por tudo o que já se passou entretanto, não estão reunidas as mínimas condições para a continuidade do Presidente. Bruno de Carvalho mudou muito o Sporting em quatro anos e merece todo o mérito por isso mesmo, porém, “suicidou-se” ao longo de toda esta época e é exatamente por isso que a opinião mais presente na família sportinguista define-se numa simples frase: “Obrigado por tudo, presidente! Mas já não dá mais!”.

Em suma, a culpa é de quase todos. Só não é da principal vítima provocada por toda esta crise. Falo, claro está, do Sporting Clube de Portugal.

Foto de Capa: Sporting CP

Guilherme Anastácio

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