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Agradecimento ao Sportinguista Jorge Jesus

Nuno Almeida · 3 min

Agradecimento ao Sportinguista Jorge Jesus
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Muitas das grandes histórias de amor terminam quando uma das partes envolvidas reconhece que a sua cara-metade só conseguirá ser feliz com o seu afastamento. É o sacrifício extremo como prova de amor pelo outro, ainda que à primeira vista pareça exactamente o contrário.

Pois bem, Jorge Jesus deu-nos, nas últimas semanas uma prova do amor que sente pelo Sporting Clube de Portugal ao admitir que foi convidado por Frederico Varandas para voltar ao clube leonino, tendo sido JJ a recusar. E essa recusa, a meu ver, foi por amor.

O mister sabia que o Sporting só poderia ser feliz se ele se mantivesse afastado da sua vida. Esta relação que se manteve em tempos passados já se estava a tornar destrutiva, talvez por ser um amor exacerbado, tendo-o levado a tomar a decisão mais acertada.

Quero então, como Sportinguista, agradecer ao Jorge por ter recusado voltar ao Sporting. Agradecer essencialmente porque permitiu que o clube de alvalade, sem promessas e juras, tenha conseguido jogar o triplo do que jogava no seu tempo. Talvez neste caso esteja a ser injusto, até porque não jogávamos assim tão mal.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Muito obrigado por permitir que Varandas, como solução de recurso, tenha contratado um treinador competente em todas as vertentes em que um treinador de topo deve ser, e que pode muito bem vir a treinar um daqueles clubes por que JJ tem andado a aguardar toda a sua vida. Um dos “big five”. Quer dizer, ainda não ouvi Rúben Amorim a falar espanhol, mas tenho a certeza que se deve safar, e essa é uma vertente essencial a qualquer treinador de topo, não?

Com a sua recusa conseguimos ter um treinador que sabe comunicar, tem o dom da palavra, sabe motivar os jogadores sem gritar. Temos um treinador que muito poucas vezes usa o “eu” a não ser para puxar a si a responsabilidade do que corre mal, e muitas vezes usa o “nós” para falar da sua equipa, a de dentro e fora de campo.

Com outros, há adjuntos que estão muito perto de ser agredidos no banco de suplentes. Isto permitiu-nos ainda ter um mister que não precisa estar constantemente a falar de que ele é que sabe, ele é que inventou, ele é que é bom, porque o demonstra em campo e deixa que sejam outros a reconhecer o seu trabalho.

O Jorge sabia que com ele, os colchões da academia iam continuar ratados, e as pérolas de Alcochete nunca iriam ser polidas, até porque ele, Jesus, não parece ter muita calma e “finisse” para trabalho tão meticuloso, quando pode comprar diamantes já acabados. Para quê o esforço?

Sem a vinda do mister Jesus conseguimos jogar “limpinho limpinho”, sem arrogâncias nem contrasensos. Na equipa do Sporting o fair-play não é uma treta, e mesmo assim conseguimos ganhar.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Com esta prova de amor do mister, não corremos mais o risco de ajoelhar nos minutos finais de jogos decisivos, porque a equipa sabe o que fazer e como fazer. Luta até ao último minuto pelo clube que representa e pelo líder que está na linha lateral. Sim, o líder e não o chefe que está sempre a gritar ordens.

Mas a maior prova de amor ao Sporting foi que, ao não aceitar vir para alvalade, ficou disponível para voltar ao nosso rival, e com promessas de jogar o triplo bem os enganou. Pouco tempo depois estava a sair, deixando para trás um rasto de destruição que indiretamente nos pode beneficiar.

E no fim de tudo, com este sacrifício de amor, o Sporting conseguiu ser campeão, tornando-se uma equipa consistente, a lutar por todas as provas em que compete. E mesmo sem JJ conseguimos passar aos oitavos de final da Champions. Como é possível?

Teria muito mais porque agradecer ao mister, mas tudo o que é demais enjoa, por isso deixo apenas um muito simples e sincero “Obrigado Jorge Jesus”.

Nuno Almeida

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