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Alan Ruiz e a sua importância para o jogo interior do Sporting CP

Vasco Mata · 3 min

Alan Ruiz e a sua importância para o jogo interior do Sporting CP
Foto: Sporting CP

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Tenho vindo a referir consecutivas vezes nos meus artigos, a incapacidade do Sporting para levar o seu jogo ofensivo para terrenos mais interiores, jogar entre linhas ou criar desequilíbrios juntando a linha média à linha ofensiva.

A equipa de JJ baseia o seu futebol, como tenho escrito, maioritariamente na exploração do talento de Gelson Martins, na forma como explode pelo flanco direito, e do acerto de Bas Dost! Comparando com o ano passado, os leões criam de facto muito menos ocasiões claras de golo e, a meu ver, isso deve-se fundamentalmente à falta de alguém que saiba pensar jogo e descobrir caminhos menos óbvios em direcção às redes adversárias.

No modelo de jogo que Jorge Jesus há vários anos escolheu para ser o seu, a presença de um homem que execute o papel de segundo avançado / terceiro médio é fundamental, é imperioso. Na forma de jogar do ano passado, JJ conseguiu incutir em dois jogadores essa forma de estar em campo: com João Mário, oscilando constantemente entre ser um homem de linha e um pensador de jogo pisando terrenos interiores, e com Teo Gutiérrez ou Montero, sendo avançados soltos que constantemente descaíam para os flancos ou para a zona da meia lua, mas que ao mesmo tempo sabiam aparecer com qualidade e incisão em áreas de finalização.
E de facto o Sporting não tem neste momento, com qualidade pelo menos, jogadores que consigam executar de forma tão exímia as tarefas que acima referi.

Bas Dost é de facto um matador, um homem golo. Necessita de vagas e de oportunidades para executar a sua tarefa com celeridade. E por isso está neste momento a disputar a Bota de Ouro, sendo que já nos encontramos a caminho do terceiro quarto da temporada, mas não é um jogador de trabalhar para a equipa. Não que a sua atitude não o possibilite, mas porque as suas caracterisíicas não potenciam tal estilo de jogo. Bas Dost é muito bom naquilo que faz, mas não lhe podemos pedir algo que não está de qualquer forma na sua natureza!

E é aqui que para mim entra Alan Ruiz na equação. E vamos por pontos. Alan não provou ainda, de forma nenhuma, o investimento. Ruiz não demonstrou ainda ser um jogador com que a equipa possa contar incondicionalmente. O argentino necessita ainda de melhorar muitos pontos do seu jogo, porque ainda não está completamente adaptado ao futebol europeu. Mas Ruiz está a melhorar. A cada jogo que passa, o argentino tem-se apresentado com outra atitude, outra disponibilidade e uma nova forma de entender o seu espaço e as suas tarefas na equipa. Alan sabe ter a bola no pé e sabe também o que fazer com ela, tem alguma capacidade de finalização a meia distância e parece-me que sabe pensar o jogo, de forma demasiado lenta ainda, é certo.

Já se viu que Alan Ruiz tem qualidade. Só falta ganhar a intensidade necessária Fonte: Sporting CP
Já se viu que Alan Ruiz tem qualidade. Só falta ganhar a intensidade necessária
Fonte: Sporting CP

Mas estou em crer que Alan Ruiz poderá de facto ser este elemento que falta neste momento à equipa. Vimos no segundo golo frente ao Paços de Ferreira, a forma como Alan pegou no jogo e fez um passe letal que abriu de facto uma via verde a Schelotto que posteriormente assistiu Bas Dost para um golo claro de envolvimento e de trabalho de equipa. Ele tem a capacidade clara de se colocar entre linhas e desequilibrar pelo miolo do terreno.

Alan Ruiz poderá tornar-se um jogador importante no actual contexto da equipa, se elevar os seus índices físicos e de agressividade (no bom sentido) em campo. A forma muitas vezes “molengona” como aborda os lances ou a sua fraca resistência, fazem dele neste momento um jogador muito incompleto.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

 

Vasco Mata

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