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Tenho de confessar-vos que não suporto aquele período de férias e pré-época em que não há jogos e tenho a certeza de que muitas pessoas são como eu. Gosto de saber que há pelo menos um jogo do Sporting por semana para eu poder descontrair e durante 90 minutos viver a intensidade de um adepto, as alegrias e tristezas de um clube e de estar focado num desporto, que afinal é só isso mesmo, um desporto. No entanto, cada vez mais o futebol me parece menos futebol e mais novela mexicana, revista cor-de-rosa, ou reality show de baixo nível. Ao que parece hoje em dia o futebol é jogado a vários níveis e dimensões, o que se passa dentro do campo já não é tão relevante quanto isso.

Dou-vos um exemplo bastante recente até. Carrillo, foi visto e fotografado com o atual melhor jogador do mundo, e também com Raphael Guzzo, no Estoril Open 2016. Como se não bastasse todo o interesse e relevância duma notícia com essa dimensão, eis que chega outra ainda mais importante. Aparentemente e contra todas as probabilidades, Jorge Jesus sabe cumprimentar jovens peruanos. Principalmente aqueles com quem já trabalhou. No jornal A Bola podemos ler “…Assim que se apercebeu da presença do jogador, Jesus deteve-se e dirigiu-se a ele, sorridente. “Estás em forma?”, perguntou-lhe, tocando-lhe no peito e na face e logo prosseguindo o seu caminho para os courts, deixando Carrillo a sorrir”. Meu Deus, que requinte, que recorte e que refinado. Quase que fico com vontade de saber a continuação deste amor improvável. Eu quero mais detalhes, quero saber de que forma batia o sol na cara dos dois, a intensidade do vento, se era forte ou apenas uma suave brisa de primavera? Mas o autor é bom, sabe como nos deixar agarrados. Dá-nos apenas uma amostra daquilo que foi, deixando-nos a pensar naquilo que podia ter sido.

O peruano, que não compete há meses, encontrou o seu treinador no Estoril Open Fonte: Sporting CP
O peruano, que não compete há meses, encontrou o seu treinador no Estoril Open
Fonte: Sporting CP

Mas então o futebol, o tão denominado desporto rei, virou um romance barato, digno do fundo da prateleira das livrarias Bertrand? Com todo o respeito que me é possível ter pelos profissionais da área, ou pelo menos por alguns (desculpa Nuno Luz), a verdade é que me deixam cada vez mais confuso sobre qual é a verdadeira definição de desporto. O futebol não era suposto ser aquilo que se passa dentro das quatro linhas, ou passou a ser apenas mais um reality show em que todos os participantes têm algo a dizer e algo a mostrar? Mas é preciso montar os ditos confessionários para cada um poder falar e dar o seu parecer? E se assim é, quando é que a Kim Kardashian vai dar a sua opinião sobre o Sporting CP? Já agora gostava de ouvi-la.