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Ano novo, modas antigas

Nuno Almeida · 5 min

Deixámos de nos conformar com segundos e terceiros lugares Fonte: Sporting CP

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2016 foi o ano em que um determinado empresário imobiliário disse a celebre frase “Falem de nós, não falem dos outros”. Eu disse 2016, certo? Mas, como estamos em 2017, isso já não será válido, uma vez que em meros três dias do novo ano já se ouviu o mesmo empresário dar uma entrevista; a da praxe dos últimos cinco anos, qual estadista, a informar a população de quais as linhas orientadoras de todo o seu excelente projecto, ainda que sem especificar contas e sem perceber muito do negócio. Alguns blogues que se dizem afectos ao clube de tão distinto senhor, também estão a tentar fazer contabilidade criativa com as contas do Sporting (não lhes chegassem as suas próprias contas). E, mais uma vez, os tenores dos vários programas desportivos vieram, em uníssono, cantar a mesma melodia, seguindo as linhas a que já nos habituaram, com boatos e mentiras prontamente desmentidas.

Outra incongruência vinda de 2016 foi proferida por um candidato à presidência do Sporting, que dizia (em 2016), que a campanha eleitoral deveria ser feita com elevação e sem ataques pessoais. Essa foi a mesma pessoa que, desde que o actual presidente assumiu nova candidatura (já em 2017), vem todos os dias falar de Bruno de Carvalho ou da sua lista. O Sporting vai ter eleições, e a data dessas mesmas eleições não é, para mim, a mais indicada. Podem dizer-me que será para que a equipa que entrar possa preparar a nova época, no entanto, para uma equipa que possa estar a lutar pelas competições, Março é um mês crucial, e não precisa de nenhum outro meio desestabilizador para além dos que já nos são impostos pelas próprias competições e adversários.

A dupla do Sporting CP continua a ter de lutar contra muitos tentáculos Fonte: Sporting CP
A dupla do Sporting CP continua a ter de lutar contra muitos tentáculos
Fonte: Sporting CP

É também com isto que os nossos adversários estão já a jogar, porque apesar de, neste momento, não sermos o principal adversário, continuamos lá, e em março ou abril o cenário poderá já ser bem diferente, porque temos equipa para isso. No entanto, creio que eles não pensam na ameaça que possamos ser ou não este ano, mas, como disse um conhecido adepto sportinguista há poucos dias, pensam sim em eliminar-nos permanentemente. Se os deixarmos, isso acontecerá,  porque não é com candidatos que nem para uma conferência de imprensa de apresentação da sua própria candidatura se sabem preparar, que conseguiremos ter um Sporting cada vez mais forte. Aquilo foi só ridículo. Podem no entanto dizer-me que não é preciso saber falar, é preciso saber fazer. Eu direi que também é preciso coragem e nervo para enfrentar as adversidades, e se alguém se assusta unicamente com perguntas elementares de jornalistas, o que fará quando tiver que enfrentar alguns “carniceiros” que por aí andam. Isto para além de não ter apresentado nenhum projecto e já andar a criticar os existentes. Podem ainda dizer-me que ele mostrou sucesso onde estava, e eu direi que, nos meus anos de trabalho vi muita gente incompetente chegar a lugares bem altos.

Espero bem que apareçam candidatos fortes, com ideias para efectivamente reforçar o Sporting, e não discursos encomendados, ou candidaturas patrocinadas. E se não aparecer mais nenhum candidato, espero ver  iniciativa e propostas concretas para o futuro do meu clube, e menos papagaiada e frases feitas já ouvidas a ser proferidas por rivais do Sporting. Espero que, quem ganhe, consiga aproveitar o bom trabalho e as boas ideias dos opositores e não fiquem constantemente a atacar-se uns aos outros, como se só as suas próprias ideias pudessem servir o clube. Ganhe quem ganhar, tem que ter a inteligência de cumprir com o que prometeu aos sócios e adaptar alguma boa proposta dos vencidos, que certamente também as terão.

E quanto a falar, ou não, dos outros, só dependerá dos outros. Porque é impossível ignorar o meio que nos rodeia, se ele nos entrar pela porta dentro. Estamos inseridos em algo que contém outros competidores, outros interesses, que provavelmente irão contra os nossos próprios interesses, e por isso terá que se lutar para que os nossos prevaleçam em detrimento dos outros. Não há isso de ignorar os outros, e o que os outros fazem, quando pode influenciar a nossa existência e o nosso modo de actuar. Só poderemos ignorar os rivais quando eles deixarem de existir, ou deixarem de ser nossos rivais no mesmo “negócio”, no mesmo meio. Como eles insistem em não nos esquecer e em nos tentar “minar” por dentro, também nós temos que responder, defendendo-nos, e tentando ficar mais fortes para um dia conseguirmos ser nós a atacar.

Jorge Jesus tem de acordar os jogadores, para ver se ainda chega a tempo de ganhar esta época Fonte: Sporting CP
Jorge Jesus tem de acordar os jogadores, para ver se ainda chega a tempo de ganhar esta época
Fonte: Sporting CP

Dito isto, quero só deixar ainda uma referência ao silêncio ensurdecedor do clube do norte quanto a todas as questões que estão a ser levantadas pelo Sporting, e que eles já sentiram na pele. Eles vão falando de penáltis (porque na verdade, a maior parte, existiu) e fazendo o papel do qual acusavam os outros há uns anos atrás, porque seria muito estranho que nem de algo tão escandaloso se queixassem. No entanto, não passam desse registo porque já beneficiaram do sistema, e muito provavelmente estarão a tentar voltar a beneficiar, apesar de agora ser mais difícil com os corredores do futebol português carregados de “alarmes” encarnados. Talvez tenham que se contentar em ser os vices, e talvez o tenham decidido por acharem melhor opção serem segundos do que não serem coisa nenhuma. Todos estes esquemas, remetendo-os à escala que merecem, mais parecem um dos capítulos das informações tornadas públicas por um tal de Snowden (lembram-se dele?), e que fez muito barulho, em que bem espremido deu em pouco mais que… nada. E ainda alguém se lembrava disso? É o que vai acontecendo por aqui, em que as coisas acontecem, mas que mais tarde ou mais cedo serão esquecidas sem consequências, bastando para isso deixar andar sem levantar muitas ondas.

Para já, e voltando a quem ataca, chega o novo ano, e continuam a ser eles, pelo que se viu nestes primeiros dias. Ou seja, continua tudo como antes. Por isso vamos lutar para que 2017 seja um ano de viragem, e para isso temos que nos apoiar uns aos outros, os verdadeiros Sportinguistas, cujo principal interesse é o Sporting e não alguns bolsos sportinguistas e não sportinguistas.

Para terminar, e porque, como disse, não podemos esquecer quem luta pelo mesmo espaço que o nosso, dar os parabéns por mais um projecto imobiliário apresentado pelo tal empresário do inicio do texto. Percebe-se a iniciativa, para bem do clube, claro. (ou não, e ainda bem).

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

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