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O Clássico no Dragão era à partida um jogo de muita emoção e também de decisão – apesar de faltar muitos jogos. A equipa de Sérgio Conceição procurava encurtar distâncias para o líder Sporting CP, mas o jogo levou (quase) sempre uma toada de 0-0 e foi esse o resultado que acabou por se confirmar no final dos noventa minutos. Um jogo que antecipava emoção, mas que se fez sentir apenas o nervosismo dos protagonistas e também a pouca intensidade e qualidade.
A máxima que parece que veio para ficar é a de que as equipas procuram mais não perder do que propriamente tentar ganhar por muito que a conversa fora das quatro linhas seja outra. Um jogo novamente de duelos e de mútua anulação. Apesar das melhores oportunidades do jogo terem sido por parte de Taremi, o FC Porto arriscou pouco e teve pouco critério com bola e o Sporting CP foi cauteloso e foi jogando com o correr do relógio procurando erros adversários. Acaba por sorrir o Leão mantendo a sua distância de 10 pontos sabendo que não irá existir novo confronto direto entre os rivais.
Neste artigo pretendo enumerar os (poucos) destaques individuais da partida.
3.

As dificuldades na primeira fase de construção – É conhecido do modelo de Rúben Amorim que dá muita construção aos três centrais na primeira fase. Isso não aconteceu neste jogo. Neste Clássico, o FC Porto conseguia condicionar quase sempre a primeira fase de construção leonina, mas a meu ver isto deveu-se também sobretudo ao nervosismo e à dificuldade de permanecer com bola e defender-se dessa forma.
Chamou-me sobretudo à atenção a quantidade de passes falhados por Feddal – em 46 passes acertou 31 com uma taxa de acerto de 67%, mas foi sobretudo na tentativa exagerada de constante jogo directo que esteve particularmente mal. Em 17 bolas longas que tentou apenas conseguiu acertar 6.
Numa fase em que o Sporting CP precisava de bola, acredito que a abordagem precipitada de Feddal retirou ainda mais o controlo da partida aos Leões e acabou por permitir ao FC Porto dar um maior forcing e colocar a equipa em sofrimento desnecessário.
2.

João Mário, o oásis no deserto – Se falei anteriormente das dificuldades na primeira fase de construção leonina e especificamente de Feddal, a verdade é que não foi o único a estar mal. Essa imagem e esse nervosismo acabou por se alastrar por toda a equipa. No final da primeira parte a equipa leonina tinha apenas 65% de eficácia de passe, muito longe dos valores habituais. Mas mesmo nos contextos mais difíceis a equipa leonina tem sido acautelada pela tão dita “estrelinha”. Essa “estrelinha” dá pelo nome de João Mário, que por vezes é criticado e que passa despercebida a extrema importância que tem no miolo leonino.
Em 52 passes conseguiu acertar 46 – 88% de passe certo(!) – uma diferença gritante para o resto da equipa. Teve ainda sucesso em três tentativas de drible e somou ainda importantes onze (!) recuperações de posse de bola. No Clássico, foi fundamental para o Sporting CP conseguir a curtos espaços agarrar o jogo, oferecer maior critério com bola, gerindo os ritmos de jogo e dando sobretudo serenidade à equipa.
3.

A evolução de Matheus Nunes – é um jogador que tem a hercúlea missão de competir por um lugar no meio-campo com João Palhinha e João Mário – provavelmente a melhor e mais completa dupla do meio-campo da Liga até ao momento. Deu um salto enorme na sua carreira e em uma época conseguiu passar do Ericeirense para a equipa sub-23 do Sporting CP. Se isso podia fazer o jovem de 22 anos acusar alguma pressão? Certamente que sim, talvez fosse o caminho mais natural. A verdade é que o médio tem vindo a demonstrar uma evolução tremenda e uma serenidade muito boa.
Quando é chamado à titularidade, cumpre a sua tarefa, mas demonstra também uma capacidade enorme de concentração e de estar ligado ao jogo mesmo de fora. Prova disso é o rendimento que teve em jogos distintos – diante o SL Benfica e agora no Clássico, diante o FC Porto. Seja 90 minutos ou sejam apenas 5 minutos, o jovem demonstra toda a sua capacidade de trabalho, de cooperação e entreajuda para com a sua equipa, sem nunca esquecer a grande capacidade física e de progressão que tem, deixando bem visível no lance disputado com Otávio.













