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O Sporting CP voltou a fazer história ao conquistar o seu 23º título de campeão nacional voltando a encher de felicidade e esperança os milhões de sportinguistas. Muitos duvidaram do clube de Alvalade e colocaram em causa o sucesso ao longo da época, procurando mil e uma maneiras de abater o clube leonino.
Não há dúvidas de que o Sporting CP foi a equipa mais forte e foi a equipa que esteve melhor e neste top vou traçar e explicar aquilo que para mim foram algumas ideias chave e fundamentais neste bonito percurso verde e branco e que podem de certa forma explicar o porquê dos Leões se sagrarem campeões novamente 19 anos depois.
5.

All-in Rúben Amorim – Normalmente não há duas sem três, mas neste caso foram preciso seis treinadores para o all-in de Frederico Varandas em Rúben Amorim se revelar certeiro. Mais fácil certamente falar e dizer as coisas quando tudo corre bem, não tenho dúvidas e o discurso do presidente vai ao encontro disso. A verdade é que se o risco era enorme, na prática correu bem e Varandas ganhou uma bagagem e uma margem de erro maior ao ter conseguido contratar o treinador que contratou.
Possivelmente percebeu as características e a enorme competência de Rúben Amorim e arriscou, mas teve de perceber de certa forma que o treinador é especial e mais do que treinador, Rúben Amorim é um líder nato com uma comunicação excecional e que revigorizou o Sporting CP, dando não só alento e confiança aos adeptos como uma segurança enorme e um orgulho por ter alguém tão competente a falar do Sporting CP e a representar o Sporting CP.
4.

Previsibilidade não significa facilidade – a capacidade do treinador português era extensível para as quatro linhas onde sempre se revelou muito fiel e vincado à sua identidade e foi precisamente isso que tornou o Sporting CP mais forte, mais coeso e mais preparado para todos os momentos do jogo.
Sempre disse que a equipa do Sporting CP por vezes apresentava um futebol previsível e até com dinâmicas já conhecidas e facilmente analisadas por todos, mas cada um fazia tão bem a sua missão e tarefa individual e coletiva que colocavam os Leões num patamar superior que era muito difícil para os adversários contrariarem isso. Fácil de perceber sim, mas a competência e o trabalho realizado iam dando cada vez mais garantias a Rúben Amorim e aos críticos do mesmo.
3.

Planeamento da temporada – independentemente do Sporting CP ter sido eliminado na Liga Europa da forma que todos sabemos, foi de certa forma vital para a equipa se organizar e perceber onde errou dentro de campo. Essa derrota permitiu como muitos dizem ao Sporting CP ter menos carga competitiva, mas não vejo as coisas (apenas) dessa forma, até porque em anos anteriores isso nunca revelou ser sinónimo de competência leonina.
Mas o bom planeamento leonino começa antes e vem do trabalho realizado ainda antes da época começar. Os reforços chegaram cedo e sabendo que não existia o dinheiro que outros clubes têm, as contratações teriam de ser cirúrgicas e bem pensadas para colmatar as áreas essenciais.
O Sporting CP não cometeu os erros do passado e saiu a ganhar com isso pois conseguiu trabalhar desde cedo com o plantel com que iria atacar a época e não ter de fazer ajustes errados à última da hora como aconteceu ainda com esta direcção. A chegada de Paulinho em Janeiro ao Sporting CP revelou-se um claro upgrade e um esforço financeiro em conformidade com o momento da equipa.
2.

As individualidades – não se pode negar que o Sporting CP esteve bem como um todo – já lá vamos – mas é importante salientar também as peças chave para a conquistar deste titulo. Como já foi escrito no artigo escrito pelo Francisco Guerra foram jogadores importantes e decisivos que elevaram o nível do Sporting CP para outro patamar permitindo trabalhar o modelo e também os jovens mais jovens e com menos experiência com outra segurança e tranquilidade.
Coates foi um líder e um exemplo para todos, Pote esteve a um nível excecional e demonstrou uma inteligência acima da média, João Palhinha a equilibrar a equipa como ninguém e a cobrir um raio de acção enorme, com Adán a dizer presente em poucos momentos mas nos que era preciso de facto dizer presente e com João Mário de cartola e pés de veludo a garantir uma importância extra no jogo posicional leonino.
1.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
A resiliência de um coletivo – este top só faz sentido terminar precisamente com o tema do coletivo porque é um tema que agrega todos os outros abordados até aqui e foi sem dúvida este coletivo que tornou ainda melhor e mais saboroso este sucesso. Há lacunas é certo que há, mas o Sporting CP abdicou de jogadores como Wendel, Vietto ou Acuña, apostou na formação e garantiu um equilíbrio enorme e construiu um plantel com jogadores que realmente demonstraram uma enorme vontade de vestir a verde e branca.
É sem sombra de dúvida mais fácil trabalhar quando há os ingredientes certos e isso deve-se sobretudo também ao papel de Rúben Amorim que identificou os jogadores para as suas ideias e modelo de jogo. A equipa do Sporting CP foi um misto de irreverência, qualidade e experiência que permitia à equipa ser mais equilibrada e adaptar-se mais facilmente a qualquer contexto do jogo.
O ambiente vivido em cada treino, em cada jogo, em cada vitória, em cada batalha e no final da guerra com o tão desejado título e representado tão bem e visto por todos nós nos maravilhosos vídeos no canal de YouTube do Sporting CP, aproximaram (ainda mais) os adeptos aos jogadores e a todos no clube.
A equipa também se demonstrou sempre muito preparada mentalmente e demonstrou uma enorme força de vontade em diversos momentos. O lema “Onde Vai Um Vão Todos” nunca fez tanto sentido e é o espelho daquilo que foi a época dos verde e brancos.













