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As 5 melhores enxurradas do século XXI | Sporting CP

Romão Rodrigues · 4 min

As 5 melhores enxurradas do século XXI | Sporting CP
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Recentemente, o que se passou em Lisboa entra de imediato para a lista de fenómenos extremos. O presidente da Câmara Municipal pediu cautela à população. “Não arrisquem” foram as palavras utilizadas. Foi sucinto e específico na mensagem, respeitou aquilo que o povo solicita aos executivos. O meio é a mensagem, dizia Marsahll McLuahn. O “não arriscar” é a diretiva, diz Carlos Moedas. Sporting

Se a população usar galochas e tudo do mais impermeável que existir no mercado do vestuário deve não arriscar? Se a população levar boias, âncoras e braçadeiras para a rua, deve continuar a não arriscar? Se, acrescentando a esta preparação minuciosa, a população utilizar ainda fatos de mergulho e aquele instrumento que muitos teimam em levar para o Carnaval de Torres Vedras, deve continuar a não arriscar? Estas perguntas esperam resposta.

Ora, nisto sou obrigado a colocar-me ao lado do autor de Portugal e a Europa. Fenómenos extremos não são amigos da aventura. Ainda por cima com água. É perigoso. A palavra “extremos” indica perigosidade. Está à vista de todos, basta saber ler. Qualquer que sejam os extremos, o melhor é ter cuidadinho e respeitinho. Não há cuidadinho sem respeitinho e vice-versa. Torrentes de água a arrastar automóveis é um fenómeno engraçado de ser visto no Youtube ou no TikTok: na vida real, é coisinha para perder a piada.

Do alto da sua ignomínia, o leitor pergunta:

“Haverá algo que melindre mais do que um caudal espesso de H2O no estado líquido que avassala ruas, avenidas, vielas, ruelas e caminhos que tantos?”

Sim, há. Extremos que pratiquem desporto. Nomeadamente, futebol. Principalmente para os lados da Rua Professor Fernando da Fonseca Apartado 4120, 1501-806 Lisboa.

Para comprovar tal argumento, convido-vos a revisitarem momentos dos cinco melhores profissionais que ocuparam a posição mais extremada do terreno, durante o século XXI.

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pablo Sarabia – Chegou, viu e… reformulou dinâmicas no ataque do Sporting CP. Sem espaço no pomposo Paris SG, impôs o seu futebol em Alvalade, deliciou os adeptos dos leões e carimbou a maioria das suas exibições com o selo da qualidade. O atacante demonstrou – na sua posição – que a velocidade é um requisito opcional. Recorte técnico, facilidade de remate, campo de visão alargado, rasgos individuais frequentes e perceção dos momentos de jogo são algumas das qualidades do internacional espanhol. Pablo Sarabia é o jogador ideal para equipas que lancem avalanches ofensivas ao adversário e que retenham a posse de bola durante a maior parte do tempo. O Sporting CP 2021/2022 era assim. Muito por culpa dele..

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nani – A carinha não enganava. Menino da cabeça aos pés. Arisco. Irreverente e mal criado para os adversários. Diferenciado na turma do professor Tranquilidade. Pode dizer-se mesmo que era o mais intranquilo. Gostava de gingar, de dançar o vira e a roda. Dava mortais e eternizava o espetáculo. Tinha os “golões” apontados num caderno, ordenados por data de execução, mas perdi-o de vista. Lá ia ele. Temporizava o jogo, empenava dois ou três advsersários, tornava-e na seta mais rápida que alguma flecha lançou e ajudava o Sporting CP. Ajudou, muitas vezes. Nas duas passagens por Alvalade, a última com menor fulgor. E não, não esqueço quem me fez feliz.

João Vieira Pinto – (Esteja calado. Não comece a estrubuchar porque ainda não leu o que escrevi). O grande artista, o violino que o meu pai contemplou, não era um extremo puro. Mesmo sem o ser, foi dos melhores com a camisola verde e branca, porque assumia essa função em muitas ocasiões. Normalmente, vagabundeava pelos relvados portugueses. Era uma espécie de Huckleberry Finn, com tremenda aptidão para inventar e construir triunfos aparentemente invisiveis no horizonte leonino. Eu digo que estimo o SL Benfica e muitos ainda me acusam de ser mau adepto. Descrevê-lo com palavras é tentador, mas seria demorado. Usem outras fontes de conhecimento. Neste caso, sou adepto de novas tecnologias. Já ouviram falar da parceria com Mário Jardel? Comecem por aí…

Marcus Edwards Sporting Farense
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Marcus Edwards – Welcome to Marcus Edwards’ enchanted world. Não é, nem por sombras, parecido ao da Leopoldina. Aqui, há tentativas de lhe cortarem pernas com tesouradas e de se transformarem em Coyotes para o apanharem com todas as armadilhas possíveis. Mas também existem escassas formas de ultrapassar os defesas com recurso à mesma finta. E isso não é mau? Não, de todo. Resultava com Arjen Robben e resulta com ele. Por estas razões, desculpo-lhe (tem dias!) o facto de se agarrar à bola como um bebé se agarra ao brinquedo favorito. Ele redime-se com espetáculo, com jogadas que valem por golos, com arrancadas símiles a Maradona. É cada vez mais raro ter um Edwards ou um profeta – ainda que com as devidas distãncias – de D10s na Terra.

Ricardo Quaresma – Muitos comparam o Mustang ao Porsche da Madeira. Alguns dizem que, com cabeça, o cigano calcorreva tanto ou mais mundo que o compatriota e amigo. A dúvida jamais se dissipará. No entanto, surgem reparos incontornáveis e para a posteridade: na (in)constância, era fora de série. Nem Luís Figo, nem Paulo Futre, nem ninguém. O que importavam os pés tortos? O mau génio fez dele menos portento? Lazlo Boloni deu-lhe as bases para o futuro e o professor Jesualdo Ferreira tratou de limar-lhe as arestas da personalidade. Durante a minha infância, Ricardo Quaresma representou o FC Porto e isso enraiveceu-me. Não quero alongar esta conversa.

Romão Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos