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As 5 melhores vitórias leoninas em Alvalade nas competições europeias

Romão Rodrigues · 5 min

infância
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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No seio de uma história gloriosa, perpassada por conquistas laboriosas e por feitos que alguns vaticinavam inatingíveis, eis que se ergue o Sporting Clube de Portugal, clube mundialmente reconhecido. Atualmente, em terras lusas, o sucesso metaforiza-se na luz disposta ao fundo de um túnel escuro e sombrio, brilho esse que nunca resplandece sobre os nossos olhos. Em pátrias longínquas, a seca e o deserto já subjugaram o clube de Alvalade à penumbra, com início em 1965 e sem fim à vista, embora presenciando algumas tentativas de revolta que se caracterizaram só por isso: tentativas.

O Sporting europeu emerge com religiosidade nula. Período sim, período não. A inconstância (vocábulo escondido do epitáfio?) é nota dominante e ora que contemplamos um rugido voraz e proveniente da maior das entranhas, ora que observamos a faceta do medo e o miar do mais “querido e meigo” dos felinos, facto traduzido em momentos através dos quais o clube transpira amabilidade e recetividade a mais um desaire. No fundo, um emigrante bipolar, que alterna o sentimento de saudade com o de independência. Em jeito metafórico, claro.

Seguem, no decorrer desta introdução suspeita, a descrição dos cinco melhores embates leoninos na Liga Europa e já extinta Taça UEFA: *

*Nota: são aqui citadas apenas vitórias com consequente passagem à fase que se avizinhava.

5.

Sporting CP vs Bologna FC (Taça UEFA 1990/1991): Março de 1991, Itália. Kubilay Turkylmaz, uma das armas mais letais da Bologna dos anos 90, inaugurou o marcador à passagem do minuto 50 e dificultou a tarefa leonina, que já se previa árdua. Luizinho, o central brasileiro que emanava elegância e serenidade, silenciou quase 33000 espetadores com um tento apontado ao cair do pano. A decisão era reportada para Alvalade e a esperança enformava-se!

A 20 de março, a história não se repetiu. A turma verde e branca quis resolver cedo e afastar os pensamentos do uso do “complicómetro”: Jorge Cadete e Fernando Gomes, expoente máximo de golos, sentenciaram a partida e conferiram ao jogo o mérito e a justiça que lhe estava destinado. 2-0, jogo de sentido único e passagem às MF da prova.

4.

Sporting CP vs Everton FC (Liga Europa 2009/2010): Goodison Park, a moldura humana em tons de azul e o espírito dos “Fab Four” assustaram e agonizaram o Rei da Selva e os 16avos de final começaram da pior forma possível, mas sem grande alarido: do ponto de vista geral, o desaire (2-1) constitui sempre uma frustração; do ponto de vista particular, o golo fora de portas, uma vez mais, ao cair do pano, mantinha os índices de ânimo perto do topo. Nunca pensei dizer isto, mas, obrigado, Miguel Veloso!

Alvalade, 25 de fevereiro de 2010. 20:00h, transmissão na SIC. Após uma primeira parte aguerrida de parte a parte, com investidas de um lado e de outro, iniciou-se a segunda metade: Aos 64 minutos, voltei a cair no engodo: nunca pensei dizer isto uma segunda vez, mas, obrigado, Miguel Veloso! 1-0! Eliminatória a nosso favor! Pedro Mendes alicerçou a viga que faltava na masmorra do leão e Matías Fernández, no minuto derradeiro, embelezou a partida e tratou da decoração com aquele toque de génio. 3-0, OF lá iamos nós!

3.

Fonte: Sporting CP

Sporting CP vs Athletic Club Bilbao (Taça UEFA 1985/1986): numa peleja que se assemelhou a um Espanha vs Portugal uma vez que os onzes iniciais de cada formação não continham excedentários, foi mesmo a Inglaterra quem triunfou. Estranho, não? Passo a exercitar: à data, jogava-se a 3R da competição. Posto isso, Manuel Sarabia e Julio Salinas adiantaram e colocaram as suas cores com dupla vantagem. Porém, embora reduzidos a dez unidades por expulsão de Rui Jordão, Ralph Meade substituiu Manuel Fernandes e foi dono do tento solidário, mas essencial na corrida pela eliminatória. Alvalade voltava a ser palco de todas as decisões!

Sem o ímpeto de Jordão e na teoria, a missão era mais laboriosa do que se poderia pensar. Na prática, a conjugação de todos os fatores sorriu aos leões: Manuel Fernandes, o capitão, igualou a eliminatória ainda na primeira metade; na segunda, o emigrante e irrequieto Meade tranquilizou as dezenas de milhares de espetadores presentes e António Sousa fechou a contagem. Portugal aliou-se a um cruzado inglês e venceu sobre o eterno rival. Uma história que não se olvida e que merece ser contada de geração em geração. Ali, garantiu-se a passagem aos QF da Taça UEFA!

2.

Sporting CP vs Manchester City (Liga Europa 2011/2012): se este jogo fosse pudesse sofrer reversão num título de um filme, seria “o herói improvável”. Pelo menos, é a frase que circunscreve todo o meu pensamento aquando da memória. Perante o poderio do futuro campeão inglês, a exibição da listada verde e branca foi irrepreensível e a valentia exaltou-se. A vitória correu o mundo e mereceu corrê-lo. Xandão, o calcanhar de Aquiles do Manchester City, após livre do génio chileno (Matías Férnandez) e defesa apertada de Joe Hart, colocou a bola no fundo das redes e foi o responsável pelo êxtase proveniente das bancadas.

(Em Manchester, avizinhava-se a travessia céu-inferno. Dupla vantagem, reviravolta do opositor (3-2) e no último minuto a defesa com a unha do ainda imberbe Rui Patrício! As dificuldades respiratórias encetaram em Alkmaar e intensificaram-se aí! A luva é digna de moldura!)

1.

Sporting CP vs Newcastle FC (Taça UEFA 2004/2005): Abril de 2005, Saint James Park. José Peseiro no comando como prefácio deste pequeno conto. O facilitismo resultou na oferta da primeira mão da eliminatória: Alan Shearer içou o braço e festejou o único tento da partida. Perante o músculo inglês e a vontade de vencer mais vincada do que a nossa, fomos incapazes de bater o pé ao clube de meio de tabela. Mas nada estava perdido, como se observou uma semana volvida…

Alvalade, segunda mão dos QF. Inicialmente, o balde água fria despejado por Kieron Dyer. Seguiram-se aos mãos na cabeça e no rosto como sinal de preocupação e o aconchego dos cachecóis junto da face. O minuto 40 sinaliza a rebelião: Marius Niculae golpeou os londrinos com uma cabeçada, Sá Pinto amortizou a brecha com uma recarga certeira, Beto tombou o corpo do oponente com uma cabeçada portentosa e Fábio Rochemback aniquilou-o de vez. 4-1! O garante da MF deu-se, outra vez, no reduto da Rei da Selva!

Fonte da Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Romão Rodrigues

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