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O Sporting CP era, dos três grandes, o principal interessado no mercado de inverno, tendo em vista reforçar o seu débil plantel e sobretudo reforçar posições que ficaram com grandes lacunas após a partida de vários jogadores que faziam parte da espinha dorsal do clube. Reforçar não só o seu onze titular mas também as segundas linhas da equipa, e com isto sonhar ainda com o titulo de campeão.
O titulo está cada vez mais longe e a época caminha para um fracasso total. No entanto, o Sporting CP conta, num ponto de vista global, com cerca de 54M€ feitos em vendas na presente época e com gastos a rondar os 31M€, perfazendo um balanço positivo de 23M€. É certo que os leões são um clube vendedor – tal como os outros principais emblemas nacionais – e os melhores jogadores acabam por dar o salto para outros grandes europeus, no entanto, creio que o chavão utilizado de “o clube não ter dinheiro”, acaba por não ser uma justificação plausível e sobretudo é utilizado como a maior desculpa para a direção justificar possíveis insucessos.
Olhando sobretudo para este mercado de transferências de inverno, a direção liderada por Frederico Varandas gastou mais de 10M€ em reforços e a verdade é que até agora, pouco ou nada se viu dos mesmos, pois não foram contratações que tenham entrado de caras no onze ou que tenham acrescentando a qualidade que o plantel leonino necessita no imediato. Por outro lado, as próprias escolhas do treinador também condicionam a afirmação e adaptação dos mesmos. Creio que apesar disto, um dos aspetos mais negativos tem sido – ano após ano – o fraco departamento de recrutamento e scouting, sendo neste momento um dos maiores problemas estruturais existentes no seio leonino, mas que Frederico Varandas prometeu resolver.
Foram seis os jogadores que figuram agora no principal plantel leonino. São eles: Cristián Borja, Francisco Geraldes, Luiz Phellype, Tiago Ilori, Idrissa Doumbia e Gonzalo Plata. De seguida, irei falar mais concretamente de cada um deles e do que podem ou não acrescentar à equipa.
1.

Cristián Borja (3.100.000€) – Tenho a felicidade de escrever este artigo depois de o ver jogar ontem, contra o SL Benfica, e de não me focar apenas na informação que recolhi pela internet, ora seja em vídeos, ora em comentários de adeptos e analistas enquanto ainda jogava no México. Confesso que me surpreendeu, apesar do jogo que fez demonstrar as valências que esperava encontrar. No entanto entrou a titular num jogo difícil, num campo difícil, num contexto difícil, sem medo e com vontade de mostrar serviço.
É um “desconhecido” no futebol europeu, mas deixou boas indicações. Demonstra como sua maior valia a propensão ofensiva e a facilidade com que ganha a linha de fundo. É rápido e demonstra ser algo agressivo e evoluído tecnicamente. Por outro lado, demonstrou algumas lacunas no seu posicionamento defensivo e na transição defensiva. Terá de se adaptar ao futebol europeu mas creio que poderá ser um bom upgrade a Jefferson e permitir a Acuña – caso não seja transferido – desempenhar outras funções no terreno.
2.

Tiago Ilori (2.500.000€) – Para mim a pior contratação de todas. Não só pelo desempenho desportivo que foi tendo nos últimos anos, mas também pela forma como saiu de Alvalade. Para mim uma contratação dúbia e muito arriscada, sobretudo pelos valores apresentados. Faz-me pensar em apenas um nome quando vejo esta contratação: Demiral. Demiral é melhor em tudo. Ainda coloca esta contratação mais em xeque. O Sporting está a dar a mão a um jogador que virou as costas ao clube e creio que poderá ser um mau exemplo para os jovens que habitam na Academia.
Creio que o Sporting precisa de um central com outro tipo de qualidade para rodar com Coates e Mathieu, e não um central que vem para competir com André Pinto. No entanto como mais valias tem a sua velocidade, permitindo fazer coberturas aos laterais com alguma facilidade e demonstra também facilidade a sair a jogar. Boas características para um central do futebol moderno. No entanto, não consegue ter uma capacidade competitiva e mental para comprovar o seu potencial. Desconcentrado e por isso, muitas das vezes, compromete o seu posicionamento e a abordagem a duelos e também arrisca demasiado na saída de bola, colocando a equipa em contrapé.
3.

Idrissa Doumbia (4.300.000€) – Técnica. Capacidade física. Capacidade de passe. Muito potencial. De todas as contratações, é a que mais me deixa com água na boca. Valor algo elevado mas com apenas 20 anos, se for uma afirmação no Sporting CP, certamente irá render muito dinheiro e justificará o investimento. Não é a melhor opção para jogar a 6 como titular, creio que o clube beneficiaria de um jogador com mais experiência – mais à semelhança de William Carvalho – com maior conhecimento tático, alguém que entrasse de caras no onze.
Apesar disso, fez uma boa estreia em Setúbal, com personalidade, com apenas uma semana de trabalho e com números interessantes, creio que devido ao fraco rendimento de Gudelj, merece mais minutos e mais oportunidades como titular. É muito possante fisicamente, recupera bastantes bolas e tem capacidade técnica também para sair a jogar e construir jogo na primeira fase de construção. Como disse, tem muito potencial, é um jogador que me deixa com grandes expectativas e espero que possa ser lapidado e potencializado ao máximo. Veremos se Keizer é o homem certo para isso ou se o jogador não irá sofrer de uma “sportinguização”.
4.

Luiz Phellype (550.000€) – Sempre vi potencial no avançado brasileiro. Foi um dos melhores que passou por cá, mas tardou em afirmar esse seu potencial e em ir para voos mais altos. Vejo uma transferência de baixo risco a nível financeiro, resta ver como será na vertente desportiva. Não é de todo o que o plantel precisa, mas pode vir a ser útil. O Sporting CP para ser campeão precisa no mínimo de 2 avançados de qualidade, que garantam golos. Se Bas Dost é letal mas passa ao lado do jogo, Montero dá-se demasiado ao jogo, acabando por finalizar pouco. Veremos como se irá adaptar a esta nova realidade.
Para já tem deixado boas indicações, mas é apenas um jogador que poderá ser útil, na minha opinião, para vir do banco, ou por vezes para ser titular em jogos de cariz mais físico – Bas Dost não tem essa capacidade. Movimenta-se bem dentro da área, explora bem o espaço entre os centrais, remata bastante bem e é forte no jogo aéreo. Não tem uma grande qualidade técnica e também deixa algo a desejar no que toca a velocidade e capacidade de explosão. É melhor que Bas Dost nas zonas de pressão mas é uma das lacunas que apresenta igualmente, e que tem prejudicado e muito o Sporting CP nos últimos anos – certamente todos se lembram do que Slimani dava ao jogo dos Leões.
5.

Francisco Geraldes (Regresso empréstimo) – Não tenho palavras para este caso. Veio fazer número? Veio fazer os anúncios da gamebox? É a par de Sturaro o caso que gostava de ver explicado por parte da direção leonina. O Sporting CP não abunda em qualidade para “Chico” Geraldes ter nada mais e nada menos do que zero minutos jogados. Lembro-me de, na pré-época, ver algumas imagens dos treinos na TV, ainda com José Peseiro, e jogando a duplo pivot, terceiro médio ou até a segundo avançado, a qualidade demonstrada por Geraldes não engana. Muita inteligência, perceção do espaço, criatividade e já disse inteligência? É muito forte taticamente, com bola e sem bola e explora muito bem o espaço entrelinhas. Do que estão à espera para lhe dar a derradeira oportunidade?
6.

Gonzalo Plata (1M€ por 50% do passe) – Internacional sub-20 pelo Ecuador, chega ao Sporting com rótulo de extremo promissor. Com apenas 18 anos já foi apontado ao FC Barcelona, aliás, o próprio disse que recusou o FC Barcelona para assinar pelos Leões, visto lhe terem prometido que viria para a equipa principal. Na minha opinião, dificilmente terá minutos visto que o Sporting CP conta neste momento com muitos extremos, mas como é uma incógnita, espero que possa surpreender, ser uma mais valia e que seja realmente potencializado. No entanto, deixa-me a pensar como é que Matheus Pereira não encaixa neste plantel ou como é que poderá encaixar num futuro próximo.
Foto de Capa: Sporting CP
artigo revisto por: Ana Ferreira













