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Bestiais e Bestas

Nuno Almeida · 3 min

A febre do Sporting e do 12º jogador Fonte: Sporting CP

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Ainda há uns meses atrás tínhamos uma equipa que jogava um excelente futebol, talvez o melhor praticado no último campeonato, que muitos elogiavam, e os outros não o faziam por puro estrabismo clubístico.

Mas remetendo-me unicamente aos sportinguistas, que são os que realmente interessam aqui, tenho de mostrar-me incomodado. É que uma equipa que muitos declaravam, de longe, a melhor equipa, com os melhores jogadores ou um treinador que todos reconhecem (não falemos de atitudes de personalidade, ou gostos pessoais), passou a ser uma equipa de segundas linhas, que precisa de reforçar-se em todos os sectores.

Vejo, todos os dias, e após um jogo de pré-época menos bom, reclamarem reforços de qualidade, as “trutas” de que todos falam. Mas para esses, e como o próprio treinador já disse, custam muito, e ganham ainda mais. Mesmo que uma dessas “trutas” viesse a custo zero (que nunca vem), arruinar-nos-ia com o seu astronómico ordenado.

Dentro de portas à soluções que permitem encarar o futuro com optimismo  Fonte: Sporting CP
Dentro de portas à soluções que permitem encarar o futuro com optimismo
Fonte: Sporting CP

Considero que temos excelentes “primeiras linhas” para formar uma excelente equipa que possa fazer um excelente trabalho e melhorar o já apresentado. Precisamos é de jogadores que possam suprimir a falta de alguma dessas primeiras escolhas. E nesse aspecto não me parece que estejamos assim tão desesperados no que toca a reforços.

Não sei se os vamos ter, até porque depende também de gostos pessoais e da estratégia do treinador, mas, na minha perspectiva, não precisamos. Temos uma equipa bem implementada, e temos, como sua “guarda de honra”, alguns excelentes jovens jogadores a lutar por um lugar. Mas para terem essa chance precisam disso mesmo, de lutar, de se esforçar, porque também assim poderão crescer.

Pedem jogadores de renome, mas não os podemos ter, como explicado acima. Eu também gostava de os ter, mas considero muito difícil ou impossível, apesar de deixar aqui uma ressalva, uma vez que esta equipa e esta direcção já conseguiram, em pouco tempo, coisas bem mais difíceis.

A verdade é que o próprio treinador já disse varias vezes que não contrata um jogador para a equipa principal; contrata para a equipa. E só com o trabalho do dia-a-dia se poderá decidir quem merece ser titular (sabemos que nem sempre será assim, mas na maior parte dos casos é). Dito isto, não estaria a ver uma dessas “trutas” chegar e aceitar a possibilidade de ficar no banco sequer um jogo. Neste caso seria só mais um foco de desestabilização que a imprensa adoraria ter para os lados de Alvalade. E a verdade é que eles próprios tentaram “vender-nos” um dos bons. Van Persie. Lembram-se do que ele criou com o Vítor Pereira? Seria Fillet Mignon para a imprensa nacional.

Não será pelos jogos de pré-época, e os resultados menos positivos da mesma, que teremos de colocar em causa o trabalho já comprovado, até porque já algumas vezes nos arrependemos de decisões tomadas, despedindo treinadores que teriam feito excelentes trabalhos, tendo-lhes sido dado tempo.

E, apesar de parecer uma frase feita, também acho que, na pré-época, os resultados não são o mais importante. Será importante recuperar forma física, recuperar rotinas de jogo, reintegrar novos elementos nessas rotinas, para que, no primeiro jogo oficial, tudo esteja pronto para termos uma equipa preparada para ganhar a qualquer adversário.

Com o regresso dos campeões europeus tudo fica mais fácil Fonte: Sporting CP
Com o regresso dos campeões europeus tudo fica mais fácil
Fonte: Sporting CP

Como podemos valorizar um resultado de um jogo que teve umas dez ou quinze paragens para substituições com jogadores novos que estarão mais preocupados em mostrar-se individualmente ao treinador do que com trabalho de equipa?

Sei que ninguém gosta de perder, e eu não fujo à regra, mas, para podermos perceber a prioridade que Jorge Jesus dá ao resultado de um jogo de pré-época, recordem-se então de quem ele colocou a bater os penáltis do troféu ibérico. Pois, ele preferiu colocar os “miúdos” a bater, para lhes transmitir confiança, mas também para perceber como cada um reage à pressão daquela situação.

Porque a pré-época serve para isso mesmo: para testar, tentar, corrigir, conhecer as reacções e determinadas situações. Coisas que não será possível fazer em jogos a sério.

Por isso só vos peço que não entrem em depressão, nem comecem a julgar tudo e todos a cada resultado menos bom. Até porque os jogadores desta equipa não merecem passar de bestiais a bestas, e tão pouco tempo e tantas vezes durante uma época.

Sejam também vocês os bestiais adeptos e sócios que se orgulham de ser, e deixem para outros o papel de bestas.

Foto de Capa: Sporting CP

Nuno Almeida

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