cartaaberta

Caro Mister,

Estamos em semana de dérbi, frente ao nosso rival eterno, frente ao clube que também nos faz maiores desde sempre. O Benfica não seria tão grande sem o Sporting, e vice-versa. Sábado será um dia decisivo, um dia que vai parar Lisboa, onde as pessoas que vão trabalhar vão estar sempre com a cabeça, não na lua, mas em Alvalade.

O que eu e a esmagadora maioria dos sportinguistas esperamos é que os “verde e brancos” vençam, se possível com um futebol à imagem daquilo que têm apresentado esta temporada: um Rui Patrício digno de equipa gigante, com concentração e autoridade na defesa, com os patrões Paulo Oliveira ou Coates, com um William como o que jogou em Guimarães, um Adrien sublime , Bryan Ruiz e João Mário a abrirem o livro a cada toque que dão na redondinha e Slimani a cerrar os dentes e a marcar golos decisivos, por entre confrontos com todos os defesas centrais que enfrenta, em todas as jogadas possíveis e imaginárias.

Para isso, Jorge, preciso de que o senhor esteja totalmente focado neste jogo, motivando os seus jogadores da forma mais intensa que conheça. Este é o jogo mais importante da época, é um jogo que, em caso de vitória, vai deixar os sportinguistas eufóricos, mais perto de reviver o que se passou no início deste século. Concordo a cem por cento com a sua grande decisão desta temporada: a opção de foco total no campeonato; depois da eliminação na Liga dos Campeões, foi fulcral esta estratégia para vermos o Sporting na posição onde está atualmente. Não somos campeões há catorze anos, infelizmente, e este título é fundamental, é nuclear para o projeto desportivo da presidência de Bruno de Carvalho.

Jorge Jesus trouxe para o Sporting um futebol rendilhado, com muitas tentativas de entrada na área adversária com a bola controlada, nalgumas vezes até demais, em lances onde o remate seria a escolha mais acertada. Mas é este o estilo de jogo predileto do técnico, onde Adrien, João Mário e Bryan Ruiz são os seus trunfos favoritos. Sábado é absolutamente imperativo que estes jogadores estejam no máximo das suas capacidades, assim como William Carvalho. Este último tem sido um pau de dois bicos em alguns períodos da temporada. Houve jogos em que os “leões” estiveram mal na primeira parte e melhoraram com a saída do número 14, mas também houve outras partidas, como a de Guimarães, em que o subcapitão leonino foi um dos melhores em campo. Esperava-se que William explodisse definitivamente com JJ, mas isso ainda não aconteceu. Oxalá o jogo no D. Afonso Henriques tenha sido o ponto de partida para uma reta final a encher as medidas dos adeptos. Penso que será no meio campo que poderemos ganhar a vantagem decisiva neste jogo, com o Duelo William-Adrien contra Samaris e Renato Sanches.

É esta a imagem que todos queremos repetida no sábado: o leão a rugir mais alto! Fonte: Sporting CP
É esta a imagem que todos queremos repetida no sábado: o leão a rugir mais alto!
Fonte: Sporting CP

Contudo, mister, há uma questão onde não estamos de acordo: Teo Gutiérrez. Basta olhar para textos antigos para ver que não simpatizo muito, ou quase nada, com o avançado colombiano, mas ele tem sido opção várias vezes. É o Jorge que treina com ele todos os dias, compreendo isso. Porém, sinto-me no direito de contestar esta opção, pelos bons apontamentos que Barcos demonstrou em Guimarães, mas sobretudo pelas saudades enormes que tenho de “El Avioncito” Montero.

Aguardo uma equipa guerreira, a lutar por todas as bolas, por todos os lances, como se este fosse o último jogo das suas carreiras. Por isso, acho que João Pereira será melhor opção que Schelotto e que Bryan Ruiz será, com toda a certeza, muito melhor escolha que Teo. Temos de alinhar com jogadores que tenham cérebro e garra para lutar pelo clube, que o conheçam e que estejam dispostos a tudo por ele. Quanto a si, mister, espero vê-lo a cantar “O Mundo Sabe Que” no início do jogo, espero vê-lo a andar quilómetros na sua área técnica, a esbracejar como se fosse o Michael Phelps, fazer com que a sua equipa, a nossa equipa, me levem também a festejar golos como se fosse, por uns segundos, um Diego Simeone ou Jürgen Klopp. Tudo isto porque este será um dos jogos das nossas vidas.

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