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Comunicação, Informação, Desinformação, Contra-informação

Nuno Almeida · 3 min

Comunicação, Informação, Desinformação, Contra-informação
Foto: Sporting Clube de Portugal

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Todas as empresas, para terem sucesso, precisam de saber comunicar para o interior e o exterior. Passar a mensagem certa, e usar a forma mais correcta é um grande passo para atingir os objectivos mais eficazmente.

Hoje, a informação chega a todos de uma forma muito rápida e tem que ser comunicada de uma forma cuidada, tendo bem definido o sujeito alvo para se escolher o canal e a forma de se fazer. A informação sempre foi uma arma empresarial muito importante, e por isso sempre se ter usado a desinformação ou contra-informação para enganar os concorrentes, conseguindo vantagens competitivas, seja pela falsa informação passada ao exterior, ou através da tentativa de roubar informação aos adversários.

Para perceber a importância disto basta perceber o fenómeno de “Guerra Fria” entre os Estados Unidos da América e a União Soviética. Há até quem defenda que os EUA nunca conseguiram chegar à Lua , tendo usado esse embuste para enganar a URSS e “obrigá-la” a chegar à ruína só para tentar competir com tamanho feito alcançado pelo adversário.

A uma escala menor, o futebol está a viver (talvez sempre tenha vivido) um estado de desinformação e contra-informação absurdo, onde todas as semanas aparece alguém dizendo que conseguiu, através de fonte segura, determinada informação que coloca em xeque o dirigente de um clube adversário. Para percebermos o poder que isto tem, pela facilidade que hoje a informação é emitida e dispersada, o que é dito não tem que ser verdade ou ser provado para passar a ser uma informação valiosa que servirá de calúnia e gozo por muitas semanas, meses ou anos nos novos canais de informação. Uma falsa informação pode até obrigar à abertura de inquéritos e processos disciplinares, com supensão preventiva, que quando é provada como falsa já serviu os interesses de quem a divulgou, tendo o mensageiro saído incólume de todo o processo.

Todas as semanas se vê o mesmo “modus operandi” de quem pretende passar as mensagens. Entre domingos e segundas feiras, dois ou três mensageiros levam uma informação bem delineada e organizada para emitir em horário nobre (uma mentira repetida várias vezes torna-se uma verdade absoluta para quem não tem forma de comprovar o contrário), ao que se segue a divulgação, com vídeos e notícias, dos bloggers afectos à mesma organização. Isto coloca uma mentira, repetida em vários órgãos de comunicação, oficiais ou oficiosos, como verdade. E mesmo que depois de umas semanas se comprove a calúnia, já pouco importa.

A última, e a que me fez escrever sobre esta temática, foi uma cena de desacatos na zona dos balneários de Alvalade, de onde saíram várias versões do que se passou. A verdade é que, mesmo sem se saber exactamente o que se havia passado, e conhecendo duas versões opostas, a grande maioria da comunicação social decidiu que daria maior visibilidade dar o presidente do Sporting como o culpado de toda a situação. Depois disto vi em alguns blogs afectos ao Sporting ser dito que esta seria uma estratégia montada por dois indivíduos afectos a um clube rival, mandatados pela sua estrutura para tentar desestabilizar o presidente do Sporting e a sua imagem. Ao ler isto, achei que seria mais uma informação para atacar o rival sem fundamento.

Os "paineleiros" insistem em disparar mentiras contra Bruno de Carvalho Frame: TVI
Os “paineleiros” insistem em disparar mentiras contra Bruno de Carvalho
Frame: TVI

Eis senão quando se chega a hora de um comentador afecto ao nosso rival da segunda circular falar sobre o assunto. A partir do momento em que ele começa a tentar justificar a sua forma de ver a situação, defendendo que o presidente do Sporting não podia estar onde estava, que sabia que tinha sido o Arouca a chamar a policia, e tendo quase chegado a defender os mesmos intervenientes arouquenses contra um dos dirigentes do seu clube, percebi que talvez os blogs afectos ao Sporting pudessem ter razão.

Estava ali alguém de um clube que não tinha nada a ver com a situação, que por acaso até tinha visto um dos seus dirigentes a ser investigado por alegada conduta imprópria com os mesmos arouquenses, a defender, de forma acérrima, alguém que tem vindo a espalhar a sua classe pelos bancos e balneários de vários estádios portugueses, conforme comprovam as várias suspensões de que Joel Pinho já foi alvo.

Ainda não sabemos quem terá razão. O que sei é que, desde o último domingo, uma maquina de comunicação se tem esforçado para passar a mensagem de que só pode haver um culpado, e esse alguém é o presidente do Sporting Clube de Portugal, que não faz falta ao futebol português. Ele só faz falta aos adeptos e sócios do Sporting, e chega.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

 

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos