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Considerações livres sobre o Estado da Nação leonina

Simão Mata · 3 min

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Há um lugar comum nas democracias ocidentais que se baseia no seguinte: quem assume o Poder culpabiliza de imediato os políticos que estavam lá antes. É algo tão recorrente que, no caso português, em praticamente quarenta e cinco de democracia, assistimos a uma “dança das cadeiras” sempre com protagonistas de dois/três partidos, que nos fazem promessas em período de campanha eleitoral e que, depois de lá chegarem ao “poleiro” e de verem a situação real do país, desculpam-se com isso para não fazerem absolutamente nada do que prometeram.

A incompetência dos anteriores governantes é o escudo protetor para que estes que chegaram ao Poder não fazerem nada. Velha tática política. E com este “jogo do empurra”, quem chega ao Poder, lá vai sacudindo a água do seu capote, que é como quem diz, as suas responsabilidades sobre o assunto. E o povo grama tamanha ignomínia desses políticos e Senhores do Poder.

É neste quando que o Sporting Clube de Portugal se encontra nos dias de hoje. Os sportinguistas vêm-se perante dirigentes que tudo prometem e que, chegados lá acima, nada ou muito pouco fazem. Nós, adeptos e sócios, andamos sequiosos de títulos no futebol mas dizem-nos sempre que a situação económica do clube é muito difícil, que assim não pode ser, que este vai ser o “ano zero”. O Sporting tem tido demasiados “anos zero” na sua história, demasiados anos do “este ano é que vai ser”.

O discurso da insolvência eminente do clube, ouço-o desde que me conheço, que é o mesmo que dizer, desde que sou sportinguista. O tempo passa, dirigentes passaram pelo clube, juraram mundos e fundos para honrar o emblema que tanto amam e eu, um caloroso adepto e sócio do Sporting, que sofro à distância, só vi o meu clube campeão duas vezes. É preciso ter lata!

Está na altura de serem os sportinguistas a receberem as prendas do presidente
Fonte: Sporting CP

Tomei por estes dias conhecimento do “Estado da Nação” leonina pelo Presidente do Clube Francisco Varandas e pelo Vice-presidente com o pelouro financeiro Francisco Salgado Zenha. Não fiquei surpreendido com as conclusões da auditoria ao Sporting. Basta ver a contenção nas contratações de inverno para se perceber o que estava à porta e o que iria, mais tarde ou mais cedo, ser anunciado.

Não é com “Doumbias”, “Iloris” e companhia limitada que lutamos para o que quer que seja, por muita qualidade que estes jogadores tenham. E, se recuarmos ao início da época ainda, também não é com “Gudeljs”, “Raphinhas” ou “Diabys” desta vida que vamos lá da perna. Falta sempre algo mais a esta equipa.

O Sporting sempre foi um clube de velhos do restelo:  os “profetas da desgraça” acenam a toda a hora, apregoando sempre com a falta de dinheiro no clube, à beira da bancarrota e sem capacidade de gerar receitas no curso e médio prazo. Para mim, como digo, nada de novo. Isto não significa que não tenha recebido com preocupação as conclusões do Estado da Nação leonina. Mas elas estão longe de ser uma novidade para mim, que não percebo nada de finanças nem de gestão.

E, tal como na política do país, também assistimos a algo muito semelhante neste Sporting: a tentativa de nos fazer acreditar à força de que tudo aquilo que de mau veio ao Mundo foi daqueles que lá estavam antes, como se as anteriores da anterior Direção não tivessem tido, também elas, culpas no cartório. Tal como no país, precisamos de um novo 25 de abril no Sporting, para terminar com este estado de coisas e com os “vampiros que dançam a ronda no Pinhal do Rei”, para citar Zeca Afonso. Viva o Sporting Clube de Portugal!

Foto de Capa: Sporting CP

Simão Mata

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