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O clube de futebol do Leixões veio, há uns dias, dizer publicamente, para que a informação chegasse a quem de direito, que apoia os árbitros, e que ali sempre serão bem recebidos. Ora se os dirigentes desse clube não achassem que tirariam dividendos dessa declaração, teriam necessidade de a anunciar?
É por saberem que é possível ganhar a simpatia dos árbitros, e com isso poderem beneficiar em alguns lances de dúvida que possam surgir, que esta declaração foi tornada pública. Acham mesmo que um árbitro se deixa comprar por um almoço de trezentos euros? Claro que sim, e até por menos. Mas se quiserem podemos não usar o verbo “comprar”, podemos antes dizer que os árbitros se podem deixar influenciar pelos gestos de simpatia e cordialidade que tenham para com eles, ou não vivêssemos nós no país em que mais se fomenta a doutrina “lambe zona entre os glúteos“, ou a tão nobre profissão de “engraxar”. Para já não falar das notas de avaliação que lhes são oferecidas, ou de cursos patrocinados por determinados clubes.
O Sporting, na pessoa do seu presidente, durante umas semanas também tentou ganhar alguma simpatia passando a ideia que apoia o trabalho que está a ser desenvolvido pelos árbitros, mas aqui o problema é que já chegou alguém antes e com interesses contrários aos do Sporting, e a partir daí, para os leões fica tudo inquinado. Ainda relativamente a este assunto, e por verem os seus concorrentes a chorar pelos constantes erros efectuados contra os seus interesses, apareceu mais um treinador, curiosamente da equipa a quem imputam a culpa do estado das coisas, a querer acompanhar o choro para não se sentir desenquadrado e menosprezado. Está no seu direito, mas assim que ele começou a falar com aquele tom de indignação, quase em linha com um outro choro que incluía a celebre frase “não vou ser comido de cebolada”, dizendo que também já teve três lances que o prejudicaram, deu-me vontade de rir. Não porque não respeitasse o sofrimento do senhor mas porque há gente que se sente ofendido e prejudicado por muito pouco. É que a dor que os rivais estão a sentir relativamente a esses três erros é infinitamente maior, ou para ser mais realista é pelo menos uma dor dez vezes maior e com crescimento exponencial, ou não tivesse o Sporting, num só jogo, curiosamente contra a equipa treinada por esse senhor, sido prejudicado em igual número de vezes. Por isso, peço desculpa por me rir do sofrimento do senhor, mas essa conferência de imprensa quase foi comparável às conversas da idosa que é sempre mais doente que as outras, e vive até aos cem anos.
Mas certamente o Sporting não terá assim tantas razões de queixa, claro que não. Para confirmar isso precisam só de ir rever a situação ridícula do primeiro golo do SC Braga B contra o Sporting B, golo originado por um belo passe em profundidade protagonizado pelo senhor árbitro desse encontro. Toda a situação daria vontade de rir se não visse ali reflectido mais um belo voucher de erros que têm prejudicado a nossa equipa B de futebol, e que, não sendo acautelada pelos dirigentes e sócios/adeptos do Sporting, resultará na descida de divisão da mesma já esta época.
Para terminar, e agora fora do âmbito da arbitragem, mas ainda sobre a diferença de tratamento entre clubes, quero deixar um pensamento sobre a comunicação dos clubes nos últimos anos. Durante vários anos houve um presidente que falava todas as semanas, interrompia programas em directo, ligava para programas de opinião, e nunca foi considerado um desestabilizador, talvez porque nunca os fez por comunicados ou facebook. Depois esse mesmo senhor refinou-se e criou uma máquina de comunicação encabeçada por um “Burns” da vida, tendo este o papel de responder por facebook ou outra via a qualquer assunto vindo dos rivais. Também aqui ninguém achou que houvesse algum problema no modelo atá ao momento em que o Sporting o adoptou neste último ano. Só posso dizer que efectivamente assim fica difícil aos dirigentes do Sporting perceberem quais as estratégias a seguir para agradar a todos… Ah mas espera, isso não nos interessa, o que nos interessa é que a direção faça o melhor para o clube e para os sportinguistas , que não é necessariamente o melhor para a restante população.

Fonte: Sporting CP
Disse que ia terminar, mas antes não quero deixar de fazer uma ressalva sobre a diferença de tratamento que temos sofrido, senão vejamos: houve, no passado fim de semana, um jogo em Guimarães onde se verificou uma “bofetada” de um jogador da equipa visitante sobre um jogador da equipa visitada, e nem foi mostrado amarelo, enquanto em Alvalade um jogador da equipa visitante quase arrancou a cabeça do pescoço do nosso capitão e levou um amarelo. Aqui se vê que o jogador do Sporting teve uma atenção especial relativamente à sua integridade física, que o jogador do Guimarães não mereceu, uma vez que em Alvalade, pelo menos foi sancionado o acto ilícito. Mas ainda no mesmo jogo de Guimarães houve um lance de empurrão na área que se pode equiparar em termos de intensidade com um outro a meio da semana em Setúbal, mas neste caso não consigo descortinar como é que o Sporting possa ter tido um tratamento vantajoso relativamente ao lance que existiu em Guimarães. Pode ser só o critério dos árbitros que, seja ele qual for, decide sempre que o problema é dos jogadores do Sporting. Até porque se eles não conseguem marcar mais golos, merecem ser prejudicados, como agora se tenta apregoar.
E ainda relativamente a Guimarães e servindo como exemplo do que jogam as equipas, fica muito mais fácil a uma equipa que sabe que não vai ser prejudicada, que pode jogar o seu jogo e consegue fazer o seu trabalho sem interferências externas, jogar com mais confiança do que uma equipa que vê o seu trabalho ser constantemente minado e boicotado por elementos impossíveis de ser contrariados. Ainda assim, se compararmos a exibição do Sporting em Guimarães, com o adversário que o Guimarães teve na última jornada, para além de o Sporting ter feito uma grande exibição, os resultados finais só espelham uma diferença, ou duas, a eficácia da equipa de Guimarães nas poucas oportunidades criadas nos dois jogos (contra o Sporting entrou tudo, nesta última jornada quase falham de baliza aberta), e o empurrãozito ao Schelotto. Apesar disso, andou-se por aí a tentar vender que o Sporting não joga nada, e que outras equipas dominam o jogo a seu belo prazer. Concordo que algumas equipas dominem vários momentos do jogo, pré-jogo e pós-jogo, e isso foi conseguido em momentos capitais em que lhes foi passada a ideia que,de uma maneira ou de outra, o jogo se resolveria para o seu lado, e isso dá confiança a um jogador e uma equipa (ou pelo menos não os deixa nervosos e precipitados).
Já quem entra em campo sabendo que terá que jogar muito mais que o adversário, não lhe dando ainda assim garantia que consigam um bom resultado, claro que desmoraliza e deixa os jogadores nervosos e precipitados nas suas acções. Porque a equipa do Sporting sabe jogar e já o provou.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal












