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É sabido, por qualquer fã de futebol, que uma partida é dividida e marcada por diferentes momentos no jogo. Desde a fase de transição rápida, em posse, passando pelos processos defensivos – obviamente, sempre em função do contexto do resultado – é crucial que qualquer equipa tenha esse “desdobramento” tático para encarar as diversas fases que um jogo atravessa.

Mas para executar qualquer um desses processos, é tão ou mais importante saber interpretar e perceber o que o jogo está a pedir. Quando se fala em saber “ler o jogo”, não se refere exatamente à avaliação qualitativa de A, B ou C, mas sim a capacidade em perceber o que equipa precisa para determinado momento. Por isso, e englobando todos os estes parâmetros, é que considerei sempre os primeiros minutos da segunda parte a altura ideal para avaliar – de um modo muito genérico, obviamente – a capacidade de um treinador. Porque é quando este, após a primeira parte, tem um intervalo de tempo para corrigir e (re)colocar os novos processos na equipa e nos seus jogadores.

Numa análise distinta, mas paralela, e dentro de toda a anatomia de capacidade de interpretação e (posterior) dedicação, olho atentamente para Gelson Martins. Um jogador de “alta rotação”, como gosta de dizer o seu treinador, com uma capacidade de drible e velocidade acima do normal, mas que continua a hesitar no momento de decisão. Trata-se de uma lacuna que se deteta desde a sua estreia na equipa leonina, ficando sempre na mente de cada adepto sportinguista, suponho, quando é que o internacional português vai dar o “salto”.

Gelson Martins e Alex Sandro travaram duelos interessantes nesta Champions Fonte: Sporting Clube de Portugal
Gelson Martins e Alex Sandro travaram duelos interessantes nesta Champions
Fonte: Sporting Clube de Portugal

É que a um jogador tecnicamente limitado, não se pode pedir muito mais do que total entrega e concentração no jogo e nas suas tarefas dentro do campo. Mas quando se denota tanta qualidade individual, acaba por se criar um sentimento de constante frustração, porque ao invés de somente apreciarmos o jogador que existe, imaginamos sempre os patamares que X ou Y poderia ter alcançado (Nani é um bom exemplo disso).

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Voltando a Gelson: a capacidade de decisão de um jogador pode ser trabalhada constantemente pelo seu treinador, mas será eternamente uma questão circunstancial. Porque em última instância, será sempre a mente do jogador, no derradeiro milésimo de segundo, a tomar a decisão em causa. Se algum dia o internacional português conseguir passar essa barreira, passará simplesmente de um bom jogador, para um enormíssimo jogador. (In)felizmente, trata-se de uma decisão… que só caberá a ele perceber.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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