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É um facto indesmentível, e que não pode ser branqueado pelo menor fulgor dos últimos anos, apesar das últimas vitórias europeias de Andebol e Hóquei em Patins.
Esse menor fulgor deve-se ao facto de outros clubes estarem agora também a apostar nas modalidades, criando-se uma maior competitividade, mas também ao facto de, em anos anteriores a esta direcção, termos desinvestido na vertente ecléctica do clube, o que permitiu que os adversários tivessem tempo de nos “apanhar” em termos qualitativos.
Nos últimos anos, a aposta tem sido grande, o investimento também, mas o mal está feito e será preciso tempo para recuperar os índices de glória de outros tempos.
É necessário tempo aliado a competência para que se formem equipas com espirito vencedor, que lutem até ao último segundo.
Para se conseguir isso, tempos que adquirir/formar os melhores jogadores, e contar com os conhecimentos técnicos dos melhores treinadores e directores em todas as vertentes.
O investimento financeiro ajuda a conseguir os recursos humanos que se considerem ter mais qualidade para a ideia de jogo e os valores que uma equipa segue, no entanto, como em qualquer empresa, um empregado pode ter o “jeito”/talento e não ter esses valores, o profissionalismo, a fidelidade à empresa que o emprega.

Fonte: Sporting CP
Nem sempre o talento é suficiente. São necessárias também características como a honestidade, fidelidade, profissionalismo, dedicação. E por isso, nem sempre os grupos recheados dos melhores jogadores, conduzidos pelos melhores treinadores, formam a melhor equipa.
Poderia falar de muitas modalidades, ou de todas, mas vou exemplificar com três das mais mediáticas (retirando o atletismo, que apesar de importante tem sido esquecido, até pela própria comunicação social) que são, o Andebol, o Hóquei em Patins, e o Futsal.
Quanto ao Andebol, poderíamos dizer que este ano teríamos mais possibilidades de ganhar porque temos melhores jogadores, um treinador mais conceituado, no entanto foi no ano passado que conseguimos lutar por todas as competições até ao último fôlego. Este ano já não temos possibilidade de ganhar nenhuma competição, não tendo sequer possibilidade de competir em qualquer final.
Poderemos argumentar que temos alguns jogadores de primeiro ano no clube, assim como o treinador, e jogar contra equipas como ABC, com grande tradição na modalidade, ou FC Porto, do ano passado, com grandes jogadores e equipa rodada de outros anos, não é fácil. Mas perder sempre no último segundo começa a tornar-se um padrão ao qual um clube como o nosso não se pode habituar. Aliás, perder em qualquer situação não se pode tornar um hábito.
Devo dizer no entanto que não defendo que se contratem mais 5 ou 6 jogadores, e um novo treinador, porque se assim for poderemos passar mais um ano pelas mesmas dores de crescimento deste, tornando-se um ciclo vicioso de quase vitórias a resultarem em reestruturação de planteis, destruindo a estabilidade que qualquer equipa necessita para ganhar rotinas e ideias de jogo.
Acontecendo o mesmo no próximo ano, não observando evolução nesta equipa, aí sim terá que se alterar algo.
Talvez o maior reforço da equipa do ano passado tivesse sido mesmo a consolidação das rotinas e métodos, e não o reforço com novos jogadores e treinadores, uma vez que esse equipa já lutava “taco a taco” com o FC Porto. E com mais um ano de entrosamento da equipa com o mesmo treinador poderia ter sido uma mais valia.
No Hóquei em Patins aconteceu um pouco o mesmo que no Andebol. Apesar do investimento, foi no ano passado que conseguimos os melhores resultados, sem esquecer os anos anteriores em que a equipa subiu rapidamente dos escalões inferiores até à primeira linha do Hóquei Português.

Fonte: Sporting CP
A diferença é que aqui entraram jogadores com provas dadas para reforçar o plantel que estava já bem entrosado, com um treinador que já vinha de anos anteriores, com uma dedicação enorme ao clube. A equipa, neste caso deveria ter apresentado um salto qualitativo em termos de ideia de jogo. Penso que o salto existiu, uma vez que poderemos conseguir uma melhor classificação no campeonato, e conseguimos novamente ir longe nas competições europeias, mas esperava-se mais.
Para isso contribuíram também as notícias de aquisição de vários jogadores para o próximo ano, aliadas a notícias da chegada de novo treinador. Tudo isso poderá ter afectado o foco de jogadores e treinador. No entanto acredito que o profissionalismo de jogadores e treinador não o tenha permitido, pelo menos conscientemente.
Neste caso, no entanto, o caminho certo será mesmo o reforço do plantel com um treinador com experiencia internacional, até porque nesta modalidade competimos contra algumas das equipas melhores do mundo, e por isso, para uma equipa que ainda há poucos anos jogava em ligas secundárias, necessita forçosamente de reforços de peso para que possa pensar em grandes conquistas nacionais e internacionais (Não me esqueço de uma taça nacional e outra internacional ganhas há bem pouco tempo).
Relativamente ao futsal, terá sido onde o investimento terá gerado maior qualidade de jogo, mas também muito por culpa dos vários jogadores de referência de clube existentes no plantel, aliados a um dos melhores treinadores de futsal (opinião minha).
É verdade que ainda não se ganhou quase nada, dependendo da importância que se dê à conquista da taça de Portugal e taça da liga, mas a campanha que a equipa tem feito até aqui, dá todas as garantias de conquistas.
No final poderemos estar a criticar tudo e todos porque perderam, mas até aqui temos visto uma equipa que luta sempre até ao fim e que joga bem. Um pouco o que faltou em alguns jogos cruciais, nas modalidades acima referidas.
A meu ver, em qualquer equipa tem de haver estabilidade, aliada a qualidade, e uma base de jogadores da casa, identificados com os valores e história do clube, que trabalhem para a união do grupo e não para criar grupos dentro do plantel, jogadores que sejam uma extensão da voz do treinador dentro de campo.
Isso aliado a uma estrutura de qualidade, com conhecimentos da modalidade e das necessidades da equipa será mais de meio caminho para a conquista de títulos e o reforço do Sporting Clube de Portugal como o clube português mais ecléctico e titulado.
Mais um facto que ajudará a dar um salto qualitativo às nossas modalidades, será o facto de virem a ter um lugar a que chamem “casa”. E Alvalade voltará a ser a casa do clube Sporting e não só do Futebol Sporting. Finalmente os jogadores vão poder entrar num recinto que os faça efectivamente sentir-se acariciados, protegidos. Porque em nossa casa mandamos nós, e é nela que nos sentimos bem.

Fonte: Sporting CP
Só uma nota que sempre me incomodou sobre o atletismo. Será que na academia Sporting não haveria um espaço para criar uma pista de treinos? Penso que seria uma mais-valia. Estes pequenos aspectos fazem os atletas sentirem-se úteis, fá-los sentir como parte de algo maior que eles próprios. Aumenta-lhes a responsabilidade, mas também lhes cria um sentimento de conforto, um sentimento de que o clube os apoia e os quer ajudar em tudo o que puder para alcançarem grandes conquistas.
P.S: Estes exemplos, apesar de apontarem alguns defeitos, não retiram todos os méritos conseguidos por estas modalidades. E apesar de eu dizer que há um menor fulgor em algumas modalidades, há-as também que continuam, ano após ano, a dar-nos medalhas e títulos, tornando-nos o MAIOR CLUBE DE PORTUGAL. Que isto de ser clube desportivo não é só ter futebol. Também é preciso ter quem jogue à “carica”, como muitos apregoam de forma depreciativa. Esses mesmos que depois vêm celebrar as vitórias dos torneios da “carica” como se sempre tivessem dado o valor que essas equipas “da carica” efectivamente merecem. (Desculpem o uso excessivo de “caricas”, mas para mim estas “caricas” são de enorme relevância).
Foto de Capa: Sporting CP








