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Como é possível que todos aqueles sportinguistas não tenham tido em conta todas as opiniões contra Bruno de Carvalho ou todas as sondagens que davam uma larga vitória ao candidato da lista A? Mas será possível que estes sócios não tivessem televisão em casa? Ou não tenham comprado jornais nos últimos meses? Com certeza não terá sido esse o caso, uma vez que, segundo um candidato, sportinguista que é sportinguista é cheio “da guita” e com certeza tem poder de compra para adquirir as televisões que quiser.
Só podem estar loucos estes Sportinguistas por irem, em massa, votar em alguém que anda a enganar os adeptos e sócios, que se aproveita da obra de outros para valorizar o seu trabalho, que só faz negócios ruinosos para as contas do clube, que não sabe estar e cospe em toda a gente idónea que lhe aparece à frente, que critica tudo e todos sem que tenha razão para o fazer. Como podem os Sportinguistas eleger alguém que é tão nefasto para o futebol em Portugal?
Eu explico porquê: Porque o que é nefasto para o estado do futebol em Portugal, não o é para o Sporting. A maior parte das medidas, reuniões de arbitragem, reuniões em restaurantes, processos que acontecem no mundo do futebol em Portugal são para encostar o Sporting à insignificância que desejam impor ao clube. O que o futebol português menos queria agora era “levar” mais quatro anos com alguém chato, que não os deixa trabalhar de rédeas largas para alcançar os objectivos que têm vindo a ser delineados (adorei aquela da taça que nunca foi, é e nunca mais será) e fazer campeão quem bem lhes apetece. Ter agora alguém a tentar descredibilizar o cartel instalado não é bom para o negócio e deveria já ter sido eliminado.
O problema é que quem estava louco era quem pensava que os Sportinguistas se iam deixar comer de cebolada pelo que lhes andaram a tentar “vender” (e não eram pipocas), e decidiram votar pela obra apresentada pela actual direcção. Loucos estavam os que pensavam que com flyers, conversas gravadas com hiatos temporais, entrevistas e “investigações jornalísticas” manipuladas podiam retirar o discernimento aos sócios para vislumbrarem a realidade do que havia sido feito pelo clube nos últimos anos.
Loucos ficaram vários jornalistas e comentadores de vários programas televisivos que, como última tentativa desesperada, passaram o dia das eleições a apontar tudo que de mal podia ser apontado a Bruno de Carvalho, chegando a aproveitar “deixas” propaladas nos últimos tempos pelos nossos rivais. Todo esse desespero deu, no fim do dia, em decepção que os levou a começar uma nova campanha, desde logo com o horário de apresentação dos resultados (deve ter sido a primeira vez que alguém se atrasou em alguma coisa, ou em divulgação de resultados, ainda para mais com as variáveis que podem surgir com tamanha afluência de pessoas), e logo de seguida com termos usados no discurso de vitória. A partir daqui será sempre a somar, e não vão parar, mas também para isso os Sportinguistas já tiveram quatro anos de experiência e estão preparados para contrariar e saber filtrar o que efectivamente deve ser tomado como importante ou não.

Fonte: Sporting CP
Outra razão que anda a deixar os Sportinguistas loucos é Jorge Jesus. Então o senhor vem justificar que o Francisco Geraldes não joga porque é preciso ter em atenção aspectos não só técnicos mas também tácticos, e sabendo que o Vitória de Guimarães cria mais perigo pelo lado esquerdo, principalmente pela velocidade, aposta num defesa adaptado e num extremo lento para o apoio? E mesmo conseguindo estar a ganhar, decide mudar o extremo por outro bem mais rápido mas que mal defende? Percebe-se que Podence é o próximo a ser encostado. E Palhinha não o foi ainda porque as opções não sobejam no meio campo. Serão estas as opções tácticas a que o treinador se referia? A mim parecem-me mais opções teimosas. Geraldes faz a posição de médio tão bem ou melhor que Bruno César (apesar de não ter jogado mal enquanto aguentou – falta-lhe o último passe) e Podence ataca e defende melhor que Bryan ou mesmo Campbell (sobre Bryan, pode segurar melhor a bola, mas tem que não estar constantemente a perdê-la, e neste jogo não era para segurar mas tentar atacar e consolidar resultado).
O homem foi obrigado a dispensar os dele e a ficar com os do clube, e amuou. Demonstrou-o logo no jogo com o FC Porto, em que apostou num jogador em quem ainda não tinha apostado (e nunca mais foi chamado) da formação e outro em quem foi obrigado a apostar, também da formação, tendo ambos “levado” com a culpa do resultado, aproveitando, para isso, por anexar o facto de ser obrigado a apostar na formação do clube. A partir daí foi sempre a “cortar” nos miúdos.
Se foram chamados, e sabendo nós que são opções muito válidas, deveriam estar a ser preparados para se imporem na próxima época, e não é ficando constantemente na bancada ou no banco (o banco do Sporting é bom mas se tiverem reais perspectivas de algum dia poderem entrar e ser opção) que os vai preparar.
Jorge Jesus já esta a preparar a próxima época sim, mas não da forma que se pensa. Está a encostar os miúdos, remetendo-os ao esquecimento. O que ele se deve ter arrependido em apostar no Gelson; já o Semedo fez-lhe o favor de ir acumulando erros. Veio com a conversa de que com aqueles não é possível lutar por títulos, para o legitimar a ir comprar mais uma “carrada” de jogadores. Isso nunca vai mudar, e foi por isso que quando ele veio não me entusiasmou, e também por isso me legitimo a escrever o que escrevo aqui agora. Tudo isto não invalida que ele saiba colocar uma equipa a jogar bom futebol. O problema é quando o obrigam a mudar. Ele não se consegue adaptar, não gosta de mudança, e se começar a correr mal, não tem a capacidade de alterar. E já o escrevi, volto a escrever que, com estes jogadores, o Sporting não pode jogar em 4x4x2.
Mas louco, louco mesmo, foi este fim de semana de vitórias para o nosso clube. Para além das vitórias nos vários escalões e modalidades, que são sempre de relevar, terei que dar ênfase aos campeonatos nacionais de corta-mato longo por equipas, conquistados nos femininos e maculinos, tendo ainda sido alcançado um título individual no feminino. E, acima de tudo, a vice campeã europeia de triplo salto e o campeão europeu da mesma modalidade. Para não falarmos dos títulos de campeão nacional de atletismo de pista coberta e a taça ganha pelo futsal algumas semanas antes. Por muito que alguns apregoem que o que interessa é o futebol, o Sporting sempre foi e será um clube eclético. O próprio fundador o foi. Quem não se revê nessa mística e nessa cultura não se poderá considerar um sportinguista na sua essência. Ou melhor, pode, mas não pode impor que o clube seja só futebol, porque nunca o foi. Vi um comentário a dizer que alguns grandes clubes europeus não ganharam notoriedade com futsal e atletismo, pois a esses respondo que não o fizeram porque não apostaram nessas modalidades, e se algum dia lhes falhar o futebol, como falhou nos últimos tempos ao Manchester United, ao Inter, ao Milan, etc… o clube, como clube desportivo, pode correr o risco de acabar, como acontece a alguns que têm o azar de ver as suas equipas de futebol descerem de divisão até à extinção.

Fonte: Sporting CP
Para além dos sportinguistas, andam por aí muitos iluminados loucos por utilizarem o termo “bardamerda” e nem inteligência têm para o aplicar correctamente numa frase. É o que dá tentarem fazer o que não sabem. Ainda se fosse a falar de pneus, camiões, BES… Aí sim havia experiência suficiente. Mas eles andam loucos, e já com a antevisão ao próximo dérbi. A nova moda do clube do regime é que o jogo da época para o Sporting vai ser contra a sua equipa. Como ninguém lhes dá importância, têm que se auto-referenciar como os mais importantes. Mas já estarão eles com medo que lhes possa correr mal o jogo? Não se preocupem que não queremos ser o motivo de desgraça de ninguém, ambicionamos apenas festejar uma vitória de três pontos. Não festejaremos mais que o que festejam os adeptos daquele clube cada vez que o nosso perde pontos.
Agora louco mesmo vai ficar este Sportinguista (mais do que já fica e vibra com cada titulo ganho pelo nosso clube – mal habituado porque ultimamente tem sido festejar quase todos os fins de semana) quando o presidente eleito conseguir a única coisa que lhe falta cumprir, que é ganhar o campeonato nacional pela equipa de futebol. É isto que peço para o novo mandato, que melhore o clube no futebol, porque em todos os outros campos (desportivos ou não) e ringues tem havido uma evolução bastante boa. E se for possível, aumentar o nível de influência em órgãos de decisão, ou junto de individualidades que têm poder, para que não seja necessário desgastar tanto e de forma tão frequente a imagem do clube e do presidente. No fundo, fazer o que outros já fizeram com tanto sucesso, porque isto de sermos diferentes nunca nos levou a lugar nenhum, e neste país nunca o fará. É cultural, é o que temos, e é com isso que temos que viver e sobreviver.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal
Artigo revisto por: Francisca Carvalho













