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Falta eficácia ofensiva aos médios e extremos do Sporting?

Nuno Almeida · 5 min

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Antes de começar a explanar o meu ponto de vista, quero desde já pedir-vos desculpa pelo engano a que este titulo vos induz. Não foi minha intenção, até porque quando pensei neste tema, eu próprio me tinha induzido em erro, talvez ainda pelo trauma de ver um dos nossos extremos a falhar dois golos de baliza aberta num jogo que nos poderia ter garantido o titulo do ano passado.

Pois é, a verdade é que, ao comparar a percentagem de eficácia dos médios e extremos das equipas candidatas ao titulo, os números até nem são assim tão dispares para que possamos considerar esse factor como uma das principais diferenças para que o Sporting tivesse perdido o campeonato do ano passado e estar hoje a dez pontos do primeiro lugar.

Eu tinha a opinião até hoje, ao ver o jogo pelo jogo, que os nossos médios demoravam a incorporar-se no ataque, sendo muito pouco eficazes no momento de finalizar. Não é que isso não aconteça, no entanto os outros dois candidatos não apresentam valores muito melhores para que sejam considerados importantes.

O problema está mais atrás. Nesta época futebolísitica, o problema da equipa de futebol do Sporting está mesmo na defesa, tanto a defender como a atacar. E passo a explicar.

A nossa defesa é uma das mais batidas da liga, e não, não é por causa do Rui Patrício, é por causa de uma equipa que está muito menos pressionante em todo o campo, que promove a que a linha defensiva seja chamada a mais trabalho, o que aumenta o risco de mais erros. É essa a principal diferença do ano passado para o presente. Aliado a isso, o facto de ainda não termos um quarteto defensivo entrosado devido às constantes mudanças que tem sofrido de jogo para jogo. Tudo isso causa instabilidade, porque há rotinas que deveriam existir, e que em muitos casos resolvem problemas de antecipação de jogadas. Um jogador que esteja há vários jogos a jogar com um companheiro já sabe de que modo o mesmo irá reagir, qual o ponto menos forte, e de que forma o poderá compensar.

Tudo isto gera instabilidade e pouca confiança nos processos, podendo depois ver lances de falta de comunicação ou simples nervosismo que dão em golos sofridos de forma infantil. Por exemplo no último jogo, a equipa adversária conseguiu marcar um golo sem rematar uma única vez à baliza (ainda não o tinha feito, e também não o fez no lance do golo, uma vez que foi o jogador do Sporting a marcar.) Ou seja, para além da pouca confiança que tem existido na defesa, e muitos culpam o Ruben Semedo, o principal problema está nas laterais.

Ruben Semedo tem sido alvo de várias críticas nos últimos tempos Fonte: Sporting CP
Ruben Semedo tem sido alvo de várias críticas nos últimos tempos
Fonte: Sporting CP

Não temos dois laterais a jogar de forma contínua desde o inicio da época, seja pela fraca prestação de quem joga, seja pelas lesões que têm surgido, o que cria instabilidade em dois dos lugares que mais importância têm nos momentos defensivos e ofensivos de uma equipa.

Se um defesa lateral não defende bem, os centrais e o medio defensivo tendem a tentar proteger esse flanco, e muitas vezes vemos Ruben Semedo a fazer cortes junto à linha em compensação ao defesa esquerdo. Isto pode criar desequilibrios porque se o central falhar o corte, depois ficará muito espaço no meio. Espaço esse que deveria ser compensado pelo lateral que não o faz porque estaria balanceado para o ataque. A compensação poderia também ser feita pelo William, mas este não é muito rápido e demora a recuperar.

Ter laterias que não defendem bem, e que não pressionam o adversário, proporciona mais cruzamentos, criando assim mais dificuldades aos centrais. Aconteceu isso no jogo frente ao FC Porto, em que o lateral deveria ter pressionado em cima, não deixando cruzar, ou pelo menos não permitindo que o cruzamento fosse tão bem preparado. (Isso seria bom também para o nosso guarda-redes cujo ponto fraco é sair a cruzamentos).

Mas o que eu queria mesmo era falar no momento ofensivo, e aí sim temos uma diferença muito grande para os nossos rivais. Não em termos da participação dos médios e extremos (que em termos de percentagem de assistências para golo estamos igual ou melhor), mas dos laterais. Os nossos defesas esquerdo e direito têm uma percentagem de assistência para golo, ou mesmo de cruzamentos para a área, muito baixas. É um pormenor que poderia fazer grande diferença uma vez que muitas vezes jogamos contra equipas muito fechadas, e temos um ponta de lança alto e bom no jogo aéreo.

A verdade é que a defesa que no ano passado fez excelentes jogos, tendo sido das menos batidas, continua lá, no entanto não tem jogado junta com tanta regularidade e eficácia, muito pelos problemas já acima descritos mas também porque, principalmente no lado esquerdo, não temos a ajuda defensiva dos médios que tínhamos antes. João Mário ajudava, segurava a bola, esperava pelo defesa lateral, e Bryan estava muito melhor fisicamente. Hoje nenhum deles, por razões distintas, está lá para fazer o mesmo trabalho, o que expõe o lateral a mais erros.

Bryan Ruiz tem estado a anos-luz do rendimento que mostrou na temporada passada  Fonte: Sporting CP
Bryan Ruiz tem estado a anos-luz do rendimento que mostrou na temporada passada
Fonte: Sporting CP

 

Já o defendi antes, e continuo a defender, que o Sporting neste momento não tem jogadores para o modelo em que joga. Poderia jogar com mais um médio e menos um avançado, não por Alan Ruiz (que até está a subir de forma), mas porque teria mais um médio que ajudasse nos equilíbrios defensivos das laterais, ajudando William Carvalho que não teria de estar sempre a bascular à direita e à esquerda, libertando Adrien para subir mais, e não obrigando os centrais a sair tantas vezes das suas posições para fazer compensações. Ou seja, uma equipa mais equilibrada.

É claro que os laterais têm de cruzar mais e melhor, e não deixar cruzar. Para isso, toda a equipa tem de estar equilibrada em todos os momentos do jogo. E para não estar a crucificar unicamente os laterais, e porque é um jogo colectivo, toda a equipa terá que melhorar ou alterar processos, incluindo o treinador.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos