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Futebol Português: Um Mundo ao contrário

Nuno Almeida · 4 min

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sporting cp cabeçalho 2Ao ver tudo o que se tem passado no futebol em Portugal, a primeira coisa que me vem à cabeça é que é um mundo à parte, que não se rege pelas mesmas leis de todos os outros quadrantes da sociedade. Aliás, nem a sociedade se importa muito que assim seja, desde que o seu clube lucre com isso.

A verdade é que nas últimas semanas se têm observado vários momentos que parecem saídos de uma realidade paralela, um mundo ao contrário quase saído de um guião de filme ou telenovela, ao qual poderia mesmo sugerir uma banda sonora de um grupo musical cujo nome se enquadra perfeitamente no desporto que aqui discutimos, Xutos & Pontapés. O nome da música: Mundo ao contrário.

Pois bem, estamos perante um universo em que um grupo organizado de adeptos ou sócios não é considerado claque. Em que mundo?

Apresento-vos o grupo organizado de sócios do Sporting Fonte: As redes do Damas
Apresento-vos o grupo organizado de sócios do Sporting
Fonte: As redes do Damas

Nesse mundo também temos comunicação social que prefere assumir o erro em vez de o corrigir apenas para ter mais comentários e “clickbaites”. Vemos agora, constantemente, troca de imagens a ilustrar noticias que a única coisa que têm relacionado é a coincidência de a pessoa da foto e a das notícias partilharem nomes parecidos. Quem não gostaria de ver Vítor Pereira, o treinador, a dirigir a arbitragem grega? Bem, talvez ficassem mais bem servidos, mas não vem isso ao caso. E quem não gostaria de ver o Douglas, central do Sporting, rumar ao outro lado da segunda circular? Particularmente, esta última eu apoiava.  São apenas dois exemplos do mau profissionalismo que se apoderou da comunicação social neste país, apenas para o Lucro. Já alguém dizia que pouco importa se falam mal ou bem, desde que falem…

Estamos a falar de um universo futebolístico em que se apoia o erro porque dá espectacularidade ao jogo. Eu diria que, para mim, espectáculo mesmo era ver as equipas com mais mérito e menos ajudas exteriores ganharem os campeonatos, ainda que consigam marcar menos golos espectaculares. Prefiro muito mais festejar um golo limpo, ainda que com “delay”, do que festejar golos irregulares na hora.

Neste universo paralelo consegue-se até dizer que um jogador que, sempre que aparece a falar do seu clube o faz de voz embargada e olhar vidrado, está a forçar a sua saída. Acredito sim que ele quisesse ter mais oportunidades de jogar e poder lucrar financeiramente em outras paragens, mas com certeza nunca forçando por estar insatisfeito ou querendo prejudicar o seu clube.

Mas infelizmente no meu clube também se vêem casos que parecem saídos desse mundo, porque parece que temos uma massa adepta bipolar. Ou então não há bipolaridade, e há apenas os que só gostam de se expressar quando há algo a criticar e se escondem quando tudo está bem, e os que só escrevem quando há vitórias e se escondem quando aparecem as derrotas. Diria que falta apenas bom senso.

Quando vemos nomes sonantes a chegar ao nosso clube aparecem logo os que dizem que assim podemos até ganhar a liga dos campeões, que pode vir quem vier, para logo após o primeiro desaire virem dizer que somos a pior equipa do mundo, culpando tudo e todos, tornando os seus ídolos, de um dia para o outro, nos maiores “flops”.

Aqui, Bruno Fernandes era ainda considerado um excelente jogador Fonte: Bruno Fernandes
Aqui, Bruno Fernandes era ainda considerado um excelente jogador
Fonte: Bruno Fernandes

Aliás, eu acho que para muitos, um jogador que já tenha dado prova do seu valor em vários clubes de topo, perde imediatamente todo o crédito logo no momento que entra em Alvalade. É quase como o carro novo ao sair do stand, que perde imediatamente valor de mercado. Depois admiram-se de ver alguns comentadores nas televisões a seguir esse mesmo raciocínio. Bruno Fernandes ainda está para perceber como é que aos olhos de alguns, um dia era dos jogadores portugueses mais promissores, para no dia seguinte passar a ser mediano, e com muito ainda a provar para merecer jogar num grande clube.

Mas para todos eles, ou mais para os adeptos e sócios do Sporting, porque são os que realmente importam, os Xutos & Pontapés, na sua banda sonora escolhida para esta novela que é o futebol português, diriam:

“Se gosto de ti,
Se gostas de mim,
Se isto não chega
Tens o Mundo ao contrário.”

Por isso, para os Sportinguistas, ainda que devam criticar quando há motivo para isso, essencialmente devem apoiar, principalmente nos momentos difíceis. Porque não é um jogo de pré-época que define o que se jogará a sério. Não é por um jogo mal conseguido de um jogador que está a treinar há uma semana a sofrer cargas físicas que não terá durante a época, que se vai avaliar o seu real rendimento. Porque a verdade é que o bom ou mau trabalho avalia-se com o resultado final, e esse só se verá em maio, e aí sim se poderão tirar conclusões, criticar ou festejar. Até aí, temos é que apoiar a equipa, dar-lhes confiança, acreditar até ao fim.

Porque é utópico pensar de outra forma, porque temos de deixar de viver neste mundo de loucos, sem lei, sem bom senso, que por estar ao contrário, de pernas para o ar, um dia nos vai cair em cima e nos pode privar de continuar a poder ver este desporto que tanto gostamos.

Particularmente a mim, e no que toca ao Sporting, como diz a música, se gosto de ti, chega perfeitamente. Porque se assim não fosse, eu já não seria do Sporting. E nunca vou deixar de o ser.

Fonte de capa: radioregional.pt

artigo revisto por: Ana Ferreira

Nuno Almeida

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