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Gato preto, gato branco

António Gonçalves · 3 min

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Ah, Bruno Fernandes, aquele tiro do meio da rua foi como uma fúria de um touro enraivecido em plena arena. Foi um pontapé na ansiedade e na utopia criada em redor da equipa por falta de golos. Foi o momento certo para mostrar que esta é altura para invocar o verbo presente. Ah, Batta, como o mister te chama, o tanque argentino é exímio a dar cobertura à muralha defensiva e ainda consegue empolgar o ataque com a sua força, técnica e raça, que fazem dele o verdadeiro leão em campo. Ah, Bas Dost, em boa hora regressas aos golos, com a pontaria letal e precisão de outros tempos. Ah, aquela defesa com jogadores tão experientes como imperiais, que criam uma barreira quase impossível de penetrar.

Que Sporting esteve ali em Guimarães? Que equipa foi esta que se soltou e fez uma exibição quase perfeita? Chegar cedo aos três secos, no berço da pátria, foi uma sensação de déjà vu, que ainda gerou mais desconforto aos adeptos. É verdade! Os mais cépticos só entraram em modo seguro quando o mágico Bruno Fernandes soltou mais uma batata para as redes do Miguelito Silva. Esse garoto que estava acostumado a assombrar-nos com defesas monstruosas.

Bruno Fernandes foi o melhor jogador em campo em Guimarães Fonte: Sporting CP
Bruno Fernandes foi o melhor jogador em campo em Guimarães
Fonte: Sporting CP

Foi o momento certo para dar uma resposta e galvanizar a equipa para o jogo mais importante deste início de temporada. O gato preto que passou em Alvalade, na primeira mão do playoff da Champions, vai ficar fechado e enclausurado num beco sem saída. Aquele 5-4-1 da equipa romena, FCSB, com os dois médios a taparem, com unhas e dentes, Adrien Silva e Battaglia deixou o Sporting ausente de ideias e sem construtor de jogo ofensivo. Podence é um jogador rápido, que perde fulgor e qualidade quando é retirado da ala para o corredor central. É notório, nas suas movimentações, que tem o hábito constante de querer sair do meio para a lateral: é tão evidente como o Eliseu acabar a carreira sem um cartão vermelho directo por agressão ou entradas perigosas.

Como um enredo de Emir Kusturica, a equipa de Bucareste criou um sistema altamente defensivo, sem progressão no campo e repleto de destruição ou procura pelo golo. Ausente desta melancolia esteve Alibec, que parecia querer furar as redes de Rui Patrício como um louco a entrar nas promoções das lojas da Primark. Estava previsto, e foi escrito, que este osso seria muito mais difícil de devorar do que o osso Setubalense. Que a equipa teria de fazer muito mais se quisesse sair vitoriosa. E não fez, tudo porque a orquestra montada não estava tão afinada como esteve agora em Guimarães. Com Bruno Fernandes em campo, o Sporting ganha um maestro. Ao mesmo tempo, solta Adrien para a zona de combate com a cobertura genial do tanque Batta. A mudança de Acuña e de Gelson Martins oferece ao jogo a possibilidade de atacar mais a zona central. Liberta o ataque do jogo crónico e aborrecido pelos corredores laterais e daqueles cruzamentos sistemáticos à espera que alguém tenha um momento fortuito como aqueles que aguardam por um prémio do Euromilhões.

Esta quarta-feira, o Sporting enfrente o FSCB em Bucareste. Um encontro que se prevê extremamente difícil para equipa de Alvalade Fonte: Sporting CP
Esta quarta-feira, o Sporting enfrenta o FSCB em Bucareste. Um encontro que se prevê extremamente difícil para a equipa de Alvalade
Fonte: Sporting CP

Desta forma, o gato branco irá, com certeza, brindar o Sporting nesta segunda mão do playoff. A vitória é tão obrigatória como a qualidade e diferença de valores que separam estas duas equipas. Não há espaço para desculpas, não é o momento para nos fecharmos. É sim a altura ideal para explodirmos e acatarmos a responsabilidade que nos é incutida: estarmos na fase de grupos da Champions League.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

António Gonçalves

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