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Três pontos. Os três pontos mais importantes da jornada. De um lado, o Estoril Praia precisava da vitória para fugir à zona de despromoção. Por outro, o Sporting viu os seus rivais diretos vencer os respetivos jogos, ficando assim dependente do triunfo para voltar ao primeiro posto da tabela.
A equipa da casa apresentou o mesmo onze comparativamente à receção ao Tondela. Já o adversário surpreendeu com a inclusão de Bruno César em detrimento de Rúben Ribeiro. O técnico leonino lançou ainda o costa-marfinense Doumbia para o lugar do lesionado Bas Dost, que se junta a Gelson Martins e a Daniel Podence, também com problemas físicos.
O Estoril começou muito bem o jogo, sem medo do adversário que estava à sua frente (à semelhança do jogo contra o Porto) e, nos primeiros minutos de jogo, teve mesmo direito a vários cantos. Num destes, batido de forma direta por Eduardo, Rui Patrício é posto à prova e defende por cima da baliza em esforço. Já no seguimento deste Pêpê faz o mesmo.
O primeiro ataque do Sporting foi ainda antes dos dez minutos, com Piccini a recuperar a bola ao meio-campo e a conduzir até perto da linha de fundo, onde cruzou para as mãos de Renan. A equipa da linha entrou muito forte em campo, mas o Sporting parecia começar a controlar o jogo, mostrando que estava para ganhar: os leões beneficiaram de um livre perto da área estorilista, onde Acuña remata rasteiro, com a bola a passar muito perto do poste adversário. De seguida, Lucas Evangelista ameaçou a baliza leonina com um remate com efeito, mas sem direção.
A resposta do Sporting veio dos pés de William Carvalho, com um passe em profundidade para Acuña, que galgou metros até à linha e cruzou para uma defesa de Renan pela linha de fundo.
O balde de água fria para todos os sportinguistas que se deslocaram veio logo a seguir… a duplicar. Depois de um canto batido do lado esquerdo, e de um cabeceamento tirado em cima da linha por Coentrão, Kyriakou dominou de peito e rematou bem colocado ao poste direito. Estava assim feito o primeiro golo do Estoril.
Mas, como dito, não veio sozinho: à meia hora de jogo, o segundo golo aconteceu. Depois de um passe a rasgar para Ewandro, a defesa do Sporting falhou toda, deixando o brasileiro sozinho de frente para Rui Patrício, que picou a bola por cima deste. O golo ainda foi analisado pelo VAR por suposto fora-de-jogo, mas acabou por ser validado.
O Sporting tentava reduzir. Aos 43 minutos, depois de um lançamento lateral, Fábio Coentrão cruzou e apanha a defesa do Estoril em contra-pé. Na área, Coates apareceu isolado frente ao guarda-redes e atira por cima. Logo depois, os leões beneficiaram de grande jogada de contra-ataque e, de novo Coentrão, cruzou rasteiro para o segundo poste e, à boca da baliza, Bruno César falha o remate.
O jogo foi então para intervalo com uma vantagem por dois golos para o Estoril, que tinha assim 45 minutos para cimentar a sua vitória. Por sua vez, apesar dos ataques da equipa leonina, que não estavam a ser fortuitos, a sua falta de coesão defensiva e de linhas de passe, acabou por determinar este resultado.

Fonte: BnR
A segunda parte começou com um aparente acordar por parte do Sporting. Coentrão, depois de um alívio da defensiva estorilista, remata forte mas para fora, com a bola a passar muito perto da barra. Pouco depois, Piccini, no meio-campo, mete para a frente, onde Doumbia se afasta da sua marcação e remata para defesa de Renan para a frente. Na recarga, Montero remata novamente contra o corpo de um adversário.
O Sporting continuava a tentar a sua sorte, com Coentrão -o mais esforçado da sua equipa- a cruzar para fora da área, onde está Acuña, mas o remate do argentino desvia num adversário e vai para fora. Já Doumbia, em nova jogada de contra-ataque, colocou no centro para Rúben Ribeiro, que abriu o jogo para Acuña e o argentino, com tudo para fazer o golo, remata ao lado. Noite bastante desinspirada e com pouca sorte para o extremo esquerdo. Os leões, por esta altura, já mereciam o golo.
Apesar da fase ascendente do Sporting, a equipa da linha voltou a fazer das suas: numa jogada de contra-ataque muito rápida pelo corredor direito, a defesa do Sporting fica estática a pedir fora-de-jogo e André Claro, sem oposição, faz o terceiro. Contudo, após nova análise do vídeo-árbitro, o golo é anulado por posição irregular.
O jogo continuava bastante equilibrado e a pender para o Sporting, mas sem qualquer tipo de interferência para o resultado final até então. Apenas com uma exceção aos oitenta minutos, onde houve nova oportunidade de golo para os leões. Na ressaca de uma jogada defensiva, o central Mathieu rematou de fora da área para uma boa defesa de Renan, que apesar das investidas do adversário, teve pouco trabalho.
O VAR, se em outras partidas foi pouco ou nada utilizado, na Amoreira teve pano para mangas: perto do minuto 94, o Sporting introduziu a bola na baliza por intermédio do regressado Fredy Montero, porém foi após uma minuciosa análise.
O Estoril mantém assim a senda de vitórias, afastando-se dos lugares de despromoção e deixa o aviso ao Sport Lisboa e Benfica: está a ganhar ao intervalo ao FC Porto e venceu (e convenceu!) frente aos leões. O Sporting, por sua vez, sofre a primeira derrota do campeonato, comprometendo as contas para a conquista do título.
A FIGURA:

Fábio Coentrão – O defesa esquerdo leonino mostrou, mais uma vez, querer deixar sangue, suor e lágrimas em campo. Apesar de não ter jogado os 90 minutos, durante o período que jogou defendeu, levou a equipa para o ataque numa altura em que muitos já tinham desistido e tentou sempre, mostrar que era possível e que queria mudar o rumo do jogo. O internacional português merecia mais desta equipa. As reações depois de ter saído demonstram a sua vontade de levar o clube mais além.
O FORA DE JOGO:

Jorge Jesus – Apesar de ter feito todas as substituições, e bastante cedo, acabou por não conseguir mudar o jogo. Não soube construir a equipa para jogar num campo mais curto e, sobretudo, não soube mexer na equipa convenientemente. É percetível que os jogadores que estão lesionados lhe fazem grande falta para o tipo de jogo que procura, não tendo soluções viáveis no banco para colmatar estas saídas. Cometeu um erro quando substituiu Fábio Coentrão, o motor da equipa leonina.
CONFERÊNCIA BnR:
Sporting CP
BnR: Acredita que o facto de o campo ter dimensões reduzidas, influenciou a prestação da equipa e a composição de linhas de jogo?
Jorge Jesus: Não. O que influenciou foram duas questões fundamentais: o vento e a qualidade dos jogadores que bateram os cantos do Estoril. São jogadores que conhecem a casa e que treinaram muito estes lances. Nós não vínhamos preparados para isto. Os cantos fechados foram muito perigosos e foi o fator principal. O facto de o Estoril ter marcado primeiro também foi determinante porque deixou a equipa a jogar com mais confiança. Nós tivemos 15 cantos a favor, 10 deles na segunda parte e tentámos batê-los como o Estoril fez.
GD Estoril-Praia
BnR: Repetiu o onze que jogou frente ao Tondela. Acredita que descobriu a receita para fugir a despromoção?
Ivo Vieira: Acho que foi a primeira vez que repeti o onze. A verdade é que se fala muito e demais nos órgãos de comunicação social e estes clubes como o Estoril passam despercebidos. Obviamente que o que vende são os grandes, mas nós temos tido imensos problemas na linha defensiva: tivemos de jogar com médios a lateral, com laterais a centrais e isso dá muita instabilidade à equipa. Temos uma vaga de lesões, que afetou muito esta estrutura. Jogando pela segunda vez com uma equipa com as ideias formalizadas, com as rotinas melhor trabalhadas, de forma natural, o sucesso pode estar mais perto. É nesse sentido que estamos a trabalhar e foi ter repetido esse onze. Os jogadores deram uma resposta positiva e é continuar a trabalhar porque ainda faltam muitos jogos.
Foto de Capa: FPF
Artigo revisto por: Jorge Neves











