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Muito se tem falado da formação da academia Sporting e do menor fulgor que a mesma vive. É verdade que houve tempos em que só nós apostávamos na formação de jovens, mas o tempo de “vacas magras” – ou “menos gordas” – que o futebol tem passado levou alguns clubes a apostar também nos jovens das academias, tendo muitos deles tentado copiar o nosso modelo.
O nosso modelo é dos melhores do mundo e não é por ter um ou outro ano menos bom que se pode colocar tudo em causa. Tem é que se ir inovando e melhorando sempre.
O futebol de formação é bastante comparável ao processo de educação de um filho. Só saberemos se foi o correcto quando eles chegarem à maioridade e mostrarem a sua personalidade e a forma como põem em prática a sua educação e formação.
Como os filhos, no futebol de formação é preciso também que eles sintam a frustração da derrota, de um não para aprenderem a responder às adversidades.
Devemos incutir-lhes a ideia de vitória, mas nunca esquecendo que em algum momento irão perder. Têm é que corresponder ganhando logo a seguir – ou pelo menos lutar por tentar.
O profissionalismo e o carácter são também características que ajudam a moldar grandes jogadores e homens. E isso por vezes falta a alguns miúdos (ou aos seu tutores) que tentam crescer mais depressa. E dar um passo maior que a perna pode arruinar o salto. Ultimamente temos alguns casos, de jogadores que se consideravam já “os maiores do mundo”, e não tenho ouvido falar deles. Mas é também uma forma de crescer e aprender. Podem é já não ir a tempo de emendar a mão e poderem ter o êxito que teriam com outro tipo de evolução.

Fonte: Instagram Oficial de Matheus Pereira
Ser campeão é também saber ganhar e perder. Temos é que ganhar muitas vezes e perder poucas. E é isso que tem acontecido.
Continuamos a ter a melhor formação, porque ainda é a que ganha mais, a que erra menos no recrutamento e o que tem associados mais bolas de ouro. Ou seja, tem um passado de exito, mas tem também um presente e certamente um futuro.
A nossa academia tem associada a si dois jogadores que ganharam a bola de ouro, mesmo competindo contra jogadores de enorme talento. Isso aconteceu porque trabalharam e se dedicaram ao seu trabalho. No fundo, são verdadeiros profissionais e isso também advém de uma boa formação de atletas e homens.
O mesmo está a passar-se com os jogadores do presente, como Rui Patrício, William Carvalho, Adrien Silva, João Mário. Jogadores que são referências da equipa principal do Sporting, ajudando a apresentar um dos “futebóis” mais bem jogados que equipas do Sporting já alguma vez apresentaram.
Para o futuro mais próximo temos ainda Gelson Martins, Matheus Pereira, Iuri Medeiros, Palhinha, Rúben Semedo e Esgaio, assim como alguns que podem subir da equipa B e demonstrar qualidade para poder evoluir para a equipa principal.
Muitos destes jogadores foram enviados para “rodar” em equipas mais modestas, algumas delas lutando para não descer. E lutar por um objectivo de ajudar a sua equipa a salvar-se é também um tipo de pressão que os ajuda a crescer. Não é uma pressão de ganhar campeonatos, mas de precisar de ganhar por pontos.
Jogar nestas equipas ajuda-os também a amadurecer a sua cultura táctica, porque estas equipas vivem de saber defender bem, posicionarem-se bem no terreno e isso ajuda-os a crescer.
Não estou a dizer que todos os jogadores da formação precisem deste tipo de experiência para começarem a jogar imediatamente na equipa principal, mas é preferencial, até porque uma equipa que luta por títulos não pode ser composta unicamente por jovens ou simplesmente não conseguirá chegar a essa luta.
Os jogadores jovens que entram directamente para os plantéis principais de equipas “grandes” em 95% das vezes deve-se à necessidade de colmatar uma vaga que não estava prevista, ou para tentar mudar um sistema que não está a funcionar. Mais que isso, é pura demagogia e tentativa de “vender” treinadores que apostam fortemente na formação.
Deve-se apostar na formação, mas de forma sustentada, para que o jogador, quando entrar, seja uma mais-valia efectiva para a equipa.
Agora de uma coisa também temos de ter noção. Os jogadores da academia Sporting não vão dar todos um “melhor do mundo” e muitos deles talvez nem consigam chegar a equipas principais de topo, mas até para o Sporting, que aposta nos seus jogadores, seria impossível absorver todos os jogadores formados.

Fonte: Sporting CP
A formação serve também como uma corrida, em que os que souberem aproveitar os conhecimentos que lhes foram transmitidos e souberem gerir o seu talento chegarão à frente, e muitos outros ficarão pelo caminho.
É uma mecânica de progressão pelo mérito e talento e é assim que deve ser sempre em todos os momentos. E também isso será uma lição de vida para os “miúdos”. Só lutando por objectivos, esforçando-se e trabalhando se conseguirá ter sucesso.
Chegar à equipa principal do Sporting tem de ser encarado por eles como um prémio do esforço e trabalho realizados até ali e não algo que é facilmente alcançável.
Basicamente é incutir-lhes que só com Esforço, Dedicação e Devoção poderão chegar à Glória.
Por alguma razão a “espinha dorsal da selecção” continua a ser formada pela formação do Sporting.
(Para os que vierem dizer que é por isso que não temos ganhado campeonatos da europa e do mundo, peço-lhes encarecidamente que se despachem a indicar-nos jogadores portugueses melhores que estes, ou pelo menos que os formem. Não se esqueçam é que não é com um ou dois jogadores de 5 em 5 ou 10 em 10 anos que se vai alimentar uma selecção).
Foto de Capa: Sporting CP
Artigo revisto por Bárbara Mota












