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Jogar o clássico: Eles estão melhores. Nós somos os melhores!!

Nuno Almeida · 4 min

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Está a aproximar-se o dia de um clássico muito importante para o Sporting Clube de Portugal. Uma luta entre dois candidatos ao titulo em que, na minha perspectiva, o adversário se apresenta em vantagem por várias razões.

Uma das razões, e a mais evidente, é a vantagem pontual, que é já significativa, podendo ser gerida, ainda para mais por estarmos a falar de um adversário que não perdeu para as competições internas na presente época, e que, em casa, tem um registo sem derrotas que ultrapassa já os trinta jogos.

Outra razão é a intensidade que o nosso adversário coloca no jogo. Será esta a razão que maior diferença poderá fazer no encontro e no que resta do campeonato, até porque em termos de qualidade de plantel não haverá tanta diferença assim. Ao jogar-se com tanta intensidade, ao ganhar-se a bola mais rápido, ao estar-se sempre mais perto da baliza adversária, uma equipa sente-se mais confiante no seu jogo, com os jogadores mais perto uns dos outros, em constante movimento, e a correr com a bola em vez de ter que correr atrás da mesma, o que psicologicamente cansa muito menos.

Gelson Martins seria o nosso desequilibrador pela velocidade, e o seu substituto natural está lesionado
Fonte: Sporting CP

Ora, como sabemos, a equipa que vamos encontrar no próximo jogo, é intensa, muito eficaz em todas as oportunidades que cria, quase todas em velocidade ou em bolas paradas, no entanto não sabe pautar jogo. É uma equipa, um pouco à imagem de outras equipas treinadas por Jorge Jesus, que joga sempre no limite.  E por sabermos isso, teremos que saber controlar a profundidade do seu jogo, sem faltas muito próximas da nossa área (porque, pelo menos uma das nossas “torres”, talvez esteja de fora). Teremos também que ser muito eficazes nas oportunidades que tivermos (não falhando golos de baliza aberta).

Bem sei que tendo nós a dupla mais concretizadora sem poder ir a jogo (pelo menos um confirmado, estando o outro em dúvida), se torna muito difícil marcar golos contra a melhor defesa do campeonato, mas isso deve-se essencialmente pelo que a equipa joga, não deixando que cheguem muitos lances de perigo à baliza, porque os centrais por si só, e com jogo rápido pelo chão, têm mais dificuldades. São também centrais que gostam de ter quem marcar e é mais um aspecto que teremos de tentar explorar.

O Sporting tem que ganhar este jogo, enquanto a outra equipa pode empatar ou até perder, sem que hipoteque as suas ambições. Mas como o seu treinador não admite sequer um empate, poderemos esperar o mesmo tipo de jogo que temos visto sempre.

Ao Sporting pede-se que não entre muito subido, para não dar as costas às cavalgadas de Marega e à rapidez de Brahimi. Que tente aproveitar ao máximo as saídas em contra-ataque, ainda que não possa contar com Gelson, o nosso melhor jogador para o efeito, pressione bem no meio campo para que não sejam permitidos passes de qualidade para Soares, Brahimi ou Marega. – Sim, o Soares joga. Aquela saída aconteceu apenas porque o jogo estava ganho. Assim que os seus colegas chegaram ao pé do jogador, este colocou a mão na boca a dar justificação. O teatro foi pedido pela equipa técnica para criar algum tipo de incerteza, tipo à Jorge Jesus -. O Sporting terá que entrar com jogadores que sejam rápidos e com capacidade física para aguentar o choque e fazer pressão em cima.

Bas Dost tem que jogar, porque, apesar de mais fixo, é ainda o que melhor pressiona e tabela com os colegas
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Para este tipo de jogo, eu poderia até sugerir um “onze”, no entanto, com castigos, lesões e vírus, não sei sequer que jogadores teremos disponíveis. Mas retirando apenas os que, de certeza, não poderão estar em jogo, apostaria em algo como Rui Patrício na baliza, com Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão na defesa, William, Battaglia e Bruno Fernandes no meio campo, Bruno Cesar e Acuña encostados às linhas, e Bas Dost na frente. Porque precisamos dos jogadores mais rápidos em campo, mas com a qualidade do William para sair a jogar e a flanquear, e o Bruno Fernandes mais encostado ao Bas Dost e a aproveitar o remate de longe sempre que lhe seja dada hipótese. Quanto ao avançado, e como já tinha falado que não devemos ter um avançado de referência para os centrais do adversário, poderia ter escolhido outro que não Bas Dost, mas Doumbia é trapalhão com a bola, e Montero joga sempre muito lento, a pedir só bola no pé. Já Rafael Leão poderia ser uma opção para render o holandês, mas precisa de correr mais, trabalhar mais e não ficar apenas à espera que lhe passem a bola (jogar a extremo não. Os defesas laterais agradecem, não é Acuña?). E Bas Dost está cada vez melhor a descer e tabelar com os colegas.

Para podermos estar mais perto de ganhar este jogo, temos que entrar em campo com a noção de que, neste momento, eles estão mais fortes que nós. E com isso teremos que saber minimizar as nossas fraquezas que, com certeza, serão aproveitadas pelo tipo de jogo adversário. E já que não temos todas as nossas armas, tentemos que o jogo se adapte às armas que temos disponíveis.

Eles estão melhores, mas nós somos os melhores. E com muito esforço e dedicação, vamos ser os Leões que acreditam e lutam sempre até ao fim, e trazer a vitória para Alvalade, nem que seja com um golo caído dos céus aos trambolhões, marcado ao minuto 100.

Foto de capa: Facebook oficial de Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos