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Decorridas seis jornadas do campeonato nacional importa fazer uma breve reflexão sobre a prestação da equipa do Sporting Clube de Portugal até ao momento.
Trata-se de uma equipa verdadeiramente invencível: no campeonato conta com 6 vitórias em 6 jogos e as recentes exibições e vitórias na Liga dos Campeões, particularmente em Bucareste contra o Steaua e, mais recentemente, contra os gregos do Olympiacos, têm deixado a onda verde eufórica por esse Portugal e Mundo fora. Mas cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, diz a sapiência do nosso Povo. Muita água correrá sobre as pontes, que é como quem diz, correrá sobre as jornadas que ainda faltam para terminar o campeonato.
O Sporting apresenta um plantel, na minha opinião, algo superior relativamente aos outros dois rivais, o Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica. Defensivamente, apresenta provavelmente a melhor dupla de centrais a atuar em Portugal: o uruguiaio Sebastián Coates e o francês Jérémy Mathieu. Percebemos, no último jogo contra o Tondela para a Liga NOS, mais uma qualidade do francês: a sua exímia capacidade de marcar livres. Temos, por isso, mais do que um central de qualidade, um homem para as bolas paradas para quando o livre for mais propício a um pé esquerdo.
O jornal A Bola referia, na sua edição do dia 18/09, que o golo de livre cobrado por Mathieu frente ao Tondela fez lembrar uma antiga glória de Alvalade: o brasileiro André Cruz. Vi todos os jogos do Sporting desde o início desta época e não me recordo de um erro crasso do francês que tenha comprometido o movimento defensivo da equipa. A não ser, valha o rigor e a verdade, uma jogada que acabou por dar um dos golos da equipa do Feirense na quinta jornada. Fora isso, Mathieu tem a folha limpa.

Fonte: Sporting CP
Quanto aos laterais, o jogo contra o Marítimo para a Taça da Liga na passada terça-feira em Alvalade deixou bem claro que o macedónio Stefan Ristovki está no plantel para lutar pela titularidade nesta equipa dos Leões. Realizou uma excelente exibição contra os madeirenses: muito bem no posicionamento defensivo, boa capacidade de transição defesa-ataque e excelente articulação com Iuri Medeiros, o seu “parceiro” no lado direito. Piccini que se cuide. Se o italiano continuar com as suas pífias exibições e a demonstrar a sua habitual insegurança em cada lance que disputa, Ristovki responderá com segurança e firmeza quando for chamado ao onze inicial.
Jonathan Silva, pelo lado esquerdo, mostra-se um jogador muito guerreiro dentro do campo, postura algo semelhante à de Coentrão, que tem sido o habitual titular. Ambos jogadores raçudos, cada um à sua maneira, ainda que o português possa ser ligeiramente superior ao argentino no que à experiência diz respeito, algo que é fundamental em jogos onde se exige alguma inteligência e prudência.
Quanto ao meio-campo, o Sporting apresenta-se fortíssimo. Como aliás já tem sido, pelo menos nas duas últimas temporadas. A saída do capitão Adrien para terras de Sua Majestade não criou a mossa neste plantel leonino que muitos anteviam e outros desejavam. William Carvalho assumiu a braçadeira de capitão dos Leões e tem estado na sua melhor forma técnica, tática e física neste início de temporada, sendo um pensador do jogo leonino nos momentos de transição defesa-ataque. Sendo médio defensivo ou, tal como se costuma dizer agora, um seis puro, trata-se de um jogador com enorme importância na manobra ofensiva dos leões, com passes de longa distância que surpreendem os adversários, tratando a bola com carinho, zelo e mestria.
O jovem internacional português Bruno Fernandes, atuando quer como 8 quer como segundo avançado, tem deixado de boca aberta os adeptos do futebol pelo seu enorme talento. O jornal A Bola, na sua edição do dia 18/09/2017, não poupa elogios ao jovem maiato que atua no Sporting Clube de Portugal, aludindo ao facto dos sportinguistas já estarem habituados a que Bruno Fernandes não marque “golos normais”. Podia ler-se num pequeno (ainda assim pequeno…) destaque de primeira página nessa edição do matutino que: “Médio já marcou por seis vezes, quase sempre de forma espetacular”. De facto, a intencionalidade que introduz no seu remate para a baliza tornam-no um mestre nos golos de gala. Têm sido exibições e golos de gala até ao momento. Cada movimento, cada leitura de jogo é um hino ao futebol, um encanto que se espalha pelo relvado culminando em delírios nas bancadas. E quando não acerta na baliza, acerta no poste ou a rasar barra ou poste. Um jogador que tem feito umas exibições fantásticas. Um perigo, portanto: o mercado, que reabre em Janeiro de 2018, pode fazer com que os gigantes europeus avancem para a sua contratação.
Quanto aos extremos, Marcos Acuña e Gelson Martins têm, cada um no seu lado, estado em excelente forma. De Gelson Martins, já conhecíamos a sua irreverência, a sua rapidez, o seu toque de bola, o seu drible rápido no um-para-um. Marcos Acuña tem mostrado, por seu lado, ser um jogador veloz, lutador e, sobretudo, alguém com boa capacidade de cruzar de forma letal para a zona de finalização. Por outro lado, Iuri Medeiros tem sido um jogador que ainda terá que se encontrar neste plantel de gabarito dos Leões. E quanto a Bruno César, convém dizer que Bruno César é, simplesmente, Bruno César. Trata-se de um jogador que não impressiona mas que qualquer equipa, treinador ou adepto quer ter no seu clube: um todo-o-terreno literalmente falando, autêntico polivalente, atuando em qualquer posição que a equipa necessite.

Fonte: Sporting CP
No ataque, Bast Dost tem estado, até ao momento, muito aquém daquilo a que os sportinguistas se habituaram desde a época passada. Não é que esteja em má forma ou a atravessar uma espécie de crise. Nada disso. Está apenas alguns furos abaixo da expectativa criada em seu torno. Mas muita época ainda falta para que as suas exibições correspondam às expectativas criadas.
Por outro lado, o costa-marfinense Seydou Doumbia revela ser um jogador “arma secreta” neste plantel do Sporting. Penso que não será um jogador para atuar 90 minutos mas, começando no banco, pode perfeitamente introduzir velocidade, irreverência e agressividade do ataque dos Leões quando a coisa por aquelas bandas andar calma e serena a merecer uma sacudidela a sério. Alan Ruiz é, na minha opinião, um jogador ainda a encontrar-se neste plantel. Parece-me muito desnorteado, perdido em jogo, sem capacidade de se entrosar nos movimentos coletivos da equipa. Já desde a época passada que duvido tratar-se de um jogador para o Sporting, com a filosofia ganhadora e os objetivos deste clube.
E é assim que este Leão se tem afirmado, jogo a jogo, jornada a jornada, o rei do campeonato português. Mas esse trono está neste momento, decorridas seis jornadas da Liga NOS, partilhado com os Dragões que também se têm afirmado como invencíveis até ao momento no campeonato. Para que o Leão reine sozinho terá o Dragão que ceder pontos e o Sporting continuar invicto. Ou então terá a equipa de Jorge Jesus que ganhar à de Sérgio Conceição a 1 de outubro, pondo cobro a essa liderança partilhada. A ver vamos quem levará a melhor neste clássico.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal














