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Parece que agora virou moda tweetar e comentar que o Sporting anda a pagar prémios de jogo aos oponentes do seu adversário directo. Ao mesmo tempo, conseguem dizer que o mesmo Sporting está sem dinheiro. Eu sugiro que se decidam. Parece haver por aí alguma contradição.
E, já agora, quero dizer que acho um mau investimento pagar a uma equipa para jogar bem, até porque eles podem querer e não conseguir ou saber. Pelo contrário, acho um óptimo investimento pagar a alguma equipa para perder, até porque não tem risco. Se quiserem perder, perdem de certeza. O Sporting – estando falido – não iria fazer investimentos de tão elevado risco, certamente.
Mas, um pouco no mesmo âmbito deste tipo de insinuações, venho relembrar algumas situações que se passaram nos últimos anos.
Desde há um tempo a esta parte houve um processo chamado “Apito Dourado”, que alguém ainda denominou de “Apito Azulado”, com frutas e algum café por lá misturados.
No mesmo dia que esse processo começou eu disse/pensei que não daria em nada, pelas pessoas envolvidas e pelo meio em que estavam inseridas (é que, não sei se repararam, mas as pessoas só são condenadas ou pelo menos tornadas arguidas após abandonarem o mundo do Futebol; por isso é que alguns teimam em não sair). E à primeira vista não deu. Mas a verdade é que deu, e desde aí muito mudou no futebol português.
O “Apito Dourado” serviu para enviar um aviso a quem mandava antes, de quem mandava agora.

Com esta investigação aquele que era chamado de “o papa” do futebol português foi posto no seu lugar com incriminação em situações que existiram efectivamente, mas que não levaram a condenação porque não era esse o objectivo.
O objectivo era dizer ao “papa” que estava na hora de renunciar e dar espaço a outros, que se estavam a posicionar há muito. A mensagem era a de que se poderia fazer o que se quisesse, até mesmo mandar prender o, até aí, todo-poderoso do futebol português.
A finalidade não era destruí-lo, mas colocá-lo no seu lugar; deixá-lo ali “com o rabo entre as pernas”, o que poderia dar jeito para futuras parcerias.
Conseguiram também, através de uma “pomba”, tramar o “papa”. Escreveram-lhe o guião – para declamar em tribunal –, que viria mais tarde a dar em livro. Quem terá patrocinado a produção do mesmo? Com certeza não terá sido ela, apesar do seu apurado olho para os negócios.
A senhora fez o trabalho, recebeu, e desapareceu. E sem um arranhão. Convenhamos que o “papa”, nos seus tempos Áureos, não deixava passar isto pelos pingos da chuva. (Quem não se lembra de petardos a rebentar por baixo dos carros de jogadores após uma derrota? E eram jogadores da sua equipa.) A senhora tinha que ter uma boa protecção.
Estes processos e investigações não desmantelaram a rede de influência e corrupção. Simplesmente esta está mais camuflada, mas institucionalizada, mais politizada. O sistema não acabou, só mudou de mãos.
Para se perceber o poder de que estamos a falar, consta que andou a circular uma carta feita por elementos da PJ a identificar vários crimes de determinadas pessoas que controlam o futebol, endereçada ao Ministério Público. Os elementos que a fizeram decidiram não se identificar por medo de represálias para os mesmos e para as famílias.
Essa carta caiu no esquecimento – assim como todos os processos de corrupção no futebol. E foi “esquecida” pelo Ministério e pela PJ, ou o documento também entrou numa “mala” que nunca mais foi encontrada?
Portugal deve ser o único país onde foram identificados casos de corrupção efectiva e, para já, só um clube desceu de divisão. E até nesse caso tiveram que pedir desculpa e voltar a colocá-lo na Primeira Liga.
Condena-se e absolve-se conforme dá jeito. A quem? A quem ganha, porque certamente não é quem perde que pode ser apontado como beneficiário destes esquemas.

Fonte: Público
São sempre coisas de que só se ouviu falar – mas porque são imediatamente abafadas – e lançam-se notícias escandalosas sobre outro assunto qualquer… É a técnica do ilusionismo.
É a mesma técnica utilizada no caso identificado no início deste texto. Nem se preocupam com o facto de uma informação contradizer a outra. O único objectivo é “lançar” notícias com boatos difamatórios. Depois, a comunicação social faz com que se esqueçam umas coisas, dando ênfase a outras – ainda há poucos dias um director de um jornal desportivo veio mais uma vez mostrar a sua facciosidade –, e temos montadas novelas diárias para desviar a atenção de assuntos sobre dívidas bem mais avultadas do que as que apontam a outros.
A verdade é que ninguém consegue ter hegemonia durante anos a fio sem que haja algo a ajudar, e isso tem-se visto no ciclismo, no atletismo, no ténis (onde se registaram casos de doping em alguns dos atletas mais conceituados e medalhados)… Mas não no futebol. Aí ninguém toca. Já o dizia alguém numa reportagem sobre doping na RTP.
Com poderes equilibrados, pender sempre a vitória para o mesmo lado não se deve só à competência da estrutura aliada à sorte. Há sempre um incremento, um doping, que dá aquela ajuda necessária para, no momento crítico, poder ser sempre o mesmo a levar vantagem.
E como enquadrar o Sporting nisto? Dizendo que nunca (tirando agora um senhor da segurança, que nem corromper sabe, ou não seria apanhado logo a seguir – principiante) esse clube foi tido nem achado nesses processos de corrupção e doping, e por isso mesmo também não tem ganho. Temos equipa, estrutura também, sócios, adeptos… Mas por coincidência não ganhamos (também ajudaram as presidências incompetentes que deixaram fugir a influência que o Sporting ainda conseguia ter em algumas instituições).
Mas, ao que parece, a grande maioria dos sportinguistas são felizes assim. Antes honestos que vencedores.
Vêm sempre apregoar que serão campeões sem ajudas de terceiros. Será que conseguem?
Conseguimos, uma ou duas vezes de 18 em 18 anos, mas não me parece que seja isso o que queremos.

Fonte: Sporting CP
Considerando isto só temos duas hipóteses. Ou conseguimos que a corrupção desapareça do futebol, para que não lutemos contra concorrência com armas muito mais fortes que as nossas, ou associamo-nos ao mesmo sistema e com certeza ganharemos mais vezes. E a primeira hipótese está a ser difícil de conseguir, já a segunda traz-nos vitórias e impunidade.
No final contam os títulos conquistados, porque neste país muito dificilmente se encontra alguém com a coragem de abrir todas as “malas” que por aí andam, e retirar de lá tudo sem excepções ou clubites.
PS – Há pagamentos que não cabem em malas, como os pagamentos de ordenados de jogadores adversários, pagamento de lotação de estádios, ou o favor de aceder a jogar em casa de adversários (também pode ser quantificado, porque poupa despesas ao clube que joga em casa).
Foto de Capa: Sporting CP









