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Nani: o regresso daquele que nunca foi embora

Xavier Costa · 4 min

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A pré-época do Sporting CP foi turbulenta, no entanto presenteou os adeptos leoninos com uma agradável surpresa: o regresso de Nani ao clube que o viu crescer para o futebol. O Sporting CP atravessava uma fase extremamente delicada depois do fim de época catastrófico agudizado ainda pelos bárbaros ataques na Academia. Como consequência de toda a instabilidade instalada, vários jogadores, nomes como Rui Patrício, William Carvalho, Rafael Leão, Podence e Gelson Martins, abandonaram o emblema verde e branco de forma pouco consensual entre os adeptos leoninos. Desta forma, o Sporting CP viu os seus meninos made in Alcochete fugirem e alguns saíram mesmo sem deixar qualquer contrapartida nos cofres leoninos, mesmo quando o clube mais precisava. Porém, outro jogador, também formado na Academia, deu um passo em frente e regressou a Alvalade, em definitivo, num dos períodos mais conturbados do clube. Falo, claro está, de Luís Carlos Almeida da Cunha, mais conhecido por Nani.

Para muitos sportinguistas esta inequívoca demonstração de gratidão e de sentido de responsabilidade não foram suficientes e o seu regresso não foi tão celebrado como há quatro anos atrás. Desta vez pairava uma espécie de sentimento requentado e insípido no seio dos sportinguistas, talvez uma reação influenciada pelo caos que assolava o clube. As interrogações colocadas à chegada do experiente internacional eram muitas, questionava-se o seu estado físico que aliado às dúvidas quanto à sua idade (Nani está perto dos 32 anos) abriram a discussão sobre se Nani seria, efetivamente, uma real mais-valia para a formação comandada por José Peseiro.

Mais uma vez, Nani está a provar dentro das quatro linhas que ainda tem argumentos futebolísticos para ser figura de proa e até o capitão da tripulação. O talentoso português tem sido decisivo e tem-se tornado num dos maiores destaques individuais deste início tranquilo no campeonato por parte da turma de Alvalade. Nani foi titular nas quatro partidas até agora realizadas e o seu rendimento é assinalável, quanto a isso os números não enganam: três golos apontados, que o colocam como melhor marcador leonino. Nani encheu o campo na vitória caseira frente ao Vitória de Setúbal, onde o internacional português bisou e deixou os três pontos em casa, na jornada seguinte a sua experiência foi chave no dérbi jogado na Luz e na última jornada disputada, Nani foi dos melhores em campo, jogando com grande critério e sendo o principal municiador do ataque, pois das suas botas saíram diversas oportunidades de golo.

: Nani volta a pisar e a entusiasmar Alvalade
Fonte: Sporting CP

O virtuoso extremo formado na Academia tem sido utilizado preferencialmente nas alas, tanto na esquerda como na direita, mas é quando se perfila e se movimenta para dentro que causa mais estragos na organização defensiva adversária. É notório que, quando necessário, Peseiro poderá utilizar o camisola 17 em posições mais interiores. Nani já não tem a velocidade de outrora mas continua a ser um desequilibrador nato, só que ao invés da explosão, o craque de 31 anos prima agora pela sua refinada técnica, pelo elevado conhecimento de jogo e pela sua assertiva tomada de decisão. Todas as ações de Nani aproximam a equipa do golo, é um jogador mais cerebral que gere os tempos de jogo a seu bel-prazer e procura sempre os melhores caminhos para a baliza adversária. A esta capacidade de acelerar ou pausar o jogo adequadamente conjuga-se o fator repentista que sempre o caracterizou, com o remate certeiro de meia distância, do qual Alvalade já foi testemunha várias vezes, a ser outro dos argumentos a favor de Nani.

O Sporting CP de José Peseiro ainda pratica um futebol parco em ideias e pouco dinâmico que se tem “agarrado” ao que as suas individualidades são capazes de fazer. Nani é uma dessas individualidades e assim, é também um dos grandes culpados pelo bom arranque da formação de Alvalade no campeonato (dez pontos em doze possíveis).

Para além disso, o criativo tem-se notabilizado pela sua garra, capacidade de liderança e compromisso dentro de campo. José Peseiro conta assim no plantel com um jogador que já conhecia, ambos coincidiram em Alvalade nas suas anteriores etapas, aliás foi o atual técnico leonino que lançou Nani na equipa principal do Sporting em 2005/06. Graças a isto, à sua vasta experiência e ao seu conhecimento da mística verde e branca, Nani enverga a braçadeira de capitão e assume claramente a liderança do balneário verde e branco.

O conceito “zero ídolos” pareceu ganhar mais força depois das rescisões, mas se há jogador que merece a admiração de Alvalade, pelo percurso no clube, pela qualidade evidenciada e, sobretudo, pela postura e comportamento sempre em prol do Sporting CP, esse é Nani. Se o primeiro regresso deixou bem patente o lugar que o clube leonino ocupa na vida de Nani, este segundo regresso, desta vez em definitivo, num período nada favorável, só vem cimentar essa tese. Por agora, o regresso tem dado aos adeptos motivos para sorrir e Nani vai continuando a entusiasmar as exigentes bancadas de Alvalade, que ele tão bem conhece.

É sempre um prazer ver regressar a Portugal uma das estrelas mais cintilantes do nosso futebol nos últimos anos. O bom filho à casa torna, é verdade, e se o faz uma segunda vez, numa realidade como a do futebol, é porque o filho é realmente exemplar.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Xavier Costa

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