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O Jardim do Cintra, comandado por Mendes

Diogo Janeiro Oliveira · 4 min

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José de Sousa Cintra está há cerca de duas semanas como presidente da SAD do Sporting Clube de Portugal, nomeado pela comissão de gestão que tomará conta dos destinos do clube até oito de setembro. Contudo, está a tomar várias medidas que deixarão marcas no clube para além dessa data.

O seu discurso é elogiado por algumas vertentes do sportinguismo, contudo não me encanta nem deixa antever cenários positivos. Para já, porque é que Sousa Cintra menospreza o clube no que toca às rescisões dos nove jogadores que decidiram abandonar o clube, indo para a televisão mendigar pelo regresso de quem quis abandonar o Sporting. No meio dessas declarações, onde fica a dignidade do clube? Como fica a posição dos jogadores que ficaram no clube e agora vêm os jogadores que estão a rescindir como um qualquer D.Sebastião que vem salvar o clube? O Sporting não se pode rebaixar perante quem rescindiu.

Nada se deve superiorizar aos interesses do clube, em nenhuma circunstância
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Porque depois o que resulta daqui? Rui Patrício sai sem haver processo em tribunal, porque existiu um negócio que rendeu sete milhões de euros a Jorge Mendes e 11 ao Sporting. Logo de seguida, fala-se que o Sporting estará prestes a contratar um guarda redes que não saiu do banco do SC Braga e não conseguiu ser titular indiscutível no Belenenses. André Moreira é um dos jogadores da denominada “lavandaria do Mendes” e que estará prestes a assinar pelo Sporting. Espero bem que tal não aconteça, pois seria o derradeiro sinal de que Jorge Mendes estaria a entrar no Sporting e que o nosso clube começaria a entrar no grupo onde estão também clubes e ideias que tanto criticamos como o SC Braga ou o SL Benfica. Será que existem assim tantos sportinguistas a quererem esta vergonha?

“O Sporting tem de ter um comportamento exemplar para com todos. Ter boas relações com a federação, com a Liga, com todos os clubes, com outras instituições, para que o Sporting volte a ser aquele clube que as pessoas gostavam muito. Não com atropelos, com guerrilhas, isso não serve para nada. Eu nunca vi ninguém ganhar com guerras. As pessoas ganham com determinação, com vontade e querer vencer.”

Estas declarações de Sousa Cintra datam de domingo passado, quando José Peseiro foi apresentado como novo treinador. Estas declarações deixam muito a desejar na minha visão como adepto do clube e rompem claramente com os últimos anos do clube. Numa época em que o futebol português vive com a sombra dos emails e de múltiplas investigações judiciais, nós vamos ter de nos dar bem com todos os clubes? Levamos tanto tempo a criticar atitudes de outros clubes para agora esquecermos isso e sermos todos amigos? Não quero acreditar que isto seja possível.

Depois, temos de nos dar bem com a federação e com a Liga. Com aquela federação que, nas seleções jovens, chega a levar 13 ou 14 jogadores do mesmo clube, menosprezando os outros? Com os organismos que nada fazem para combater todas as suspeitas que assolam o futebol português e se deixam comandar por um grupo de clubes, liderado por António Salvador e Luís Filipe Vieira?

“Eu nunca vi ninguém ganhar com guerras”. Como é que Pinto da Costa ganhou durante tantos anos? Foi por ser amigo de toda a gente? Como é que o Sporting foi campeão em todas as modalidades de pavilhão que disputou esta temporada? Foi por termos boas relações com os nossos rivais?

Quanto a atropelos e guerrilhas, penso que as mortes de Rui Mendes e Marco Ficini falam por si. Era bom que este apelo fosse transversal a todos, mas o próprio presidente responsável pelo grupo de adeptos organizados que matou Ficini, passado mais de um ano sobre o acontecimento, continua sem lamentar o mesmo e a “alimentar” esses grupos de adeptos que se vangloria desses homicídios em cada vez que visita Alvalade ou o Pavilhão João Rocha. E somos nós que temos de parar com atropelos e guerrilhas?

Acolher um dos jogadores que rescindiu é uma machadada na dignidade do clube
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Por fim, o Sporting não tem de ser bom para toda a gente. Tem de ser bom para os seus adeptos. Não precisamos que toda a gente goste do Sporting. Os únicos que têm de gostar do clube são os seus sócios e adeptos. Mais ninguém precisa de gostar do Sporting. Nem mesmo Jorge Mendes. Estivemos muito bem nos últimos anos sem Jorge Mendes intrometido nos negócios do Sporting Clube de Portugal.

Quero ainda deixar um apelo a pessoas como Miguel Albuquerque, Carlos Vieira, Gilberto Borges ou Rui Caeiro, para que não deixem o Sporting ficar às mãos de quem se candidatou até ao momento. Só de ouvir a candidatura de Pedro Madeira Rodrigues, dá vontade de perguntar aos 71% se têm a real noção do que querem para o clube…

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Diogo Janeiro Oliveira

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Tiago Campos · 4 min de leitura
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