Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
A formação é a parte mais importante da vida de um futebolista – é isso que lhe permite caminhar e ir subindo patamares. Sem formação dificilmente existiria futebol, ou pelo menos com tanta qualidade como aquela que conhecemos hoje em dia. Atualmente, o futebol atingiu um ponto tão categórico que nada é como antes, e existem autênticas unidades que permitem ao jogador potenciar todos os seus recursos.
A Academia de Alcochete, uma referência a nível mundial para os amantes desta modalidade, é um bom exemplo. Se recuarmos rapidamente a 2016, Portugal sagrou-se campeão europeu com uma panóplia de jogadores formados no Sporting CP.
Embora nos últimos anos as fornadas de qualidade não sejam tão boas como outrora, acredito que nos próximos anos voltaremos a ser a referência à qual fomos habituados. A formação faz parte do ADN sportinguista, tal como a qualidade. Por esse motivo, devemos continuar a apostar de forma inteligente, para Alcochete voltar a ser a máquina produtora que todos reconhecem.
Decidi elaborar um onze leonino com jogadores da formação. Irei utilizar um esquema tático de 3x5x2, e como base desta escolha estará a qualidade técnica e tática.
1.

Ainda não digeri bem a rescisão de Rui Patrício, e não sei se algum dia vou conseguir. Incluí-o neste onze por reconhecer todo o seu valor e qualidade como guarda redes. Não merece que me alongue muito na descrição. É um dos grandes!
2.

Eric Dier – Numa época para esquecer, foi das poucas boas surpresas que tivemos. Lançado pelo Professor Jesualdo Ferreira, soltou toda a sua qualidade. Começou na equipa B como lateral direito, e mais tarde jogou como médio defensivo. Depressa assumiu protagonismo na equipa principal pela sua capacidade física e tática, e abriu as portas para o campeonato inglês. Atualmente junto a Mourinho, ao serviço do Tottenham Hotspur FC, é um dos melhores centrais ingleses da atualidade.
3.

Daniel Carriço – É provavelmente o jogador que mais me surpreende neste onze. As minhas expectativas sempre foram baixas em relação a ele, mas conseguiu atingir um patamar bastante elevado. Recordo-me da última grande época que faz de leão ao peito, a qual lhe permitiu vestir a camisola do Sevilha FC. Ao serviço dos andaluzes, venceu epicamente três edições seguidas da Liga Europa. Atualmente, joga na China, no Wuhan Zull. Será que vamos voltar a vê-lo de verde e branco?
4.

José Fonte – Comparo José Fonte ao vinho do Porto: quanto mais velho melhor. Todos reconhecem a qualidade de um dos obreiros da conquista do Euro 2016. Apesar de ter feito parte da formação leonina, nunca foi capaz de assumir-se na equipa principal. É em Inglaterra que se mostra ao mundo, ao serviço do Southampton FC. Chegou a ser associado a clubes como Manchester United FC e Arsenal FC, mas acabou por transferir-se para a China (onde esteve meia época) e de seguida para os franceses do OSC Lille. Chega a França e assume um papel indiscutível na equipa, que terminou a época na segunda posição, atrás do Paris Saint-Germain. Aos 36 anos, não me importava que lhe abrissem as portas para acabar onde começou.
5.

William Carvalho – Lento, lento, lento… fico cansado de ouvir esse argumento em relação a William Carvalho. No ano em que Bruno de Carvalho foi eleito, realizou-se uma análise a todos aqueles que andavam emprestados por aí fora. Leonardo Jardim entendeu que o internacional português merecia uma oportunidade e mudou drasticamente William de posição, que estava habituado a jogar mais à frente. Colocou-o 6 e o resto já sabemos. Que qualidade! É só dizer onde querem que o William coloque a bola, que aquele pé direito a distribuir jogo parece telecomandado. Fica um sabor amargo pela sua rescisão, que acabou num acordo entre Sporting CP e Bétis de Sevilha.
6.

Adrien Silva – Numa altura em que se fala no regresso de Adrien, só tenho uma pergunta: Do que estão à espera? Adrien representa aquilo que é um verdadeiro leão. O seu espírito de sacrifício contagiante ficará para sempre nas nossas memórias como uma das suas imagens de marca. Todavia, a saída de Alvalade não foi feliz e acabou por comprometer a sua carreira. A raça que possui representa um fator fundamental para ajudar a construir uma equipa com ADN vencedor. Como muitos, fica aquele amargo por nunca ter sido campeão de leão ao peito. Estou de braços abertos. Volta, capitão!
7.

João Moutinho – Mais um caso curioso do futebol português, mas as maçãs podres não são para aqui chamadas. É um dos melhores médios portugueses das últimas décadas, e continua a exibir-se em grande plano ao serviço do Wolverhampton FC. Foi no FC Porto que, infelizmente, passou a melhor fase da sua carreira. Nem parece que tem 33 anos. Que grande jogador!
8.

Luís Nani – Um dos melhores de sempre formados em Alcochete. Levou consigo os valores que lhe foram incutidos durante a formação. Merecia um artigo apenas dedicado a si. Voltou por duas vezes, sempre disponível a ajudar o clube, e, há poucos dias, referiu que gostava de acabar a carreira no Sporting CP. A humildade é uma característica que não está ao alcance de todos, e a gratidão que tem pelo clube merece todo o nosso respeito. Devia ser um exemplo a seguir pelos mais novos. Infelizmente, numa altura em que era crucial na equipa, foi despachado pela atual Direção. Não merecia. Ficará para sempre ligado ao Sporting Clube de Portugal como um verdadeiro leão. Obrigado, Nani!
9.

Paulo Futre – Infelizmente, não tive oportunidade de ver Paulo Futre jogar, mas, segundo sei, merece estar incluído neste onze. Foi em Madrid, ao serviço dos colchoneros, que deixou a sua marca no futebol europeu. Bailava entre os adversários. O meu conhecimento não permite alargar-me muito mais.
10.

Luís Figo – O primeiro jogador formado em Alcochete a atingir o fantástico feito de conquistar uma Bola de Ouro. Faltam adjetivos para descrevê-lo enquanto jogador. Sem dúvida, um dos melhores que o futebol já viu. Será para sempre lembrado como el pesetero, depois da mítica transferência do FC Barcelona para o Real Madrid CF. Fez parte de uma geração de sucesso que dificilmente voltará a existir. O seu Sportinguismo nunca estará em causa. Cada vez que se falar de história do futebol, é obrigatório falar em Luís Figo.
11.

Cristiano Ronaldo – O melhor de todos os tempos!
Para terminar, deixo alguns jogadores que facilmente teriam lugar neste onze e que me dificultaram a escolha: Quaresma, João Mário, Gelson Martins e Cédric Soares.
Deixo ainda a nota de que dez dos nomes referidos neste texto foram campeões europeus. História!
Foto de Capa: Sporting CP
Artigo revisto por Mariana Plácido













